<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027</id><updated>2011-07-31T08:12:36.439-03:00</updated><title type='text'>O ESCARAVELHO</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>30</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-7070297252505316133</id><published>2009-12-31T17:03:00.004-02:00</published><updated>2009-12-31T17:07:10.758-02:00</updated><title type='text'>AVATAR.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/Szz1qxHoPhI/AAAAAAAAADg/qtNt3Ie4g6A/s1600-h/1332079-1745-ga.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421478166535880210" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 169px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/Szz1qxHoPhI/AAAAAAAAADg/qtNt3Ie4g6A/s400/1332079-1745-ga.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um filme no mínimo muito interessante.&lt;br /&gt;Em termos de roteiro, uma decepção ao cubo; apesar da nobre jogada politicamente correta da releitura do processo de colonização das Américas, redimindo o passado do cinema que endeusou aqueles que seriam os vilões, percebe-se claramente manjados clichês, por exemplo: o herói estrangeiro que desperta a paixão da princesa da tribo, provocando o ciúme do mais valoroso guerreiro nativo a quem está prometida.&lt;br /&gt;Por outro lado, a reflexão sobre um possível contato com a vida extraterrena não tão hostil como aparece em &lt;em&gt;Guerra dos Mundos&lt;/em&gt; é uma idéia subjacente, apesar de já ter sido explorada por Spielberg em &lt;em&gt;ET&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Contatos Imediatos&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Porém, em termos de fotografia, montagem editoração e efeitos especiais, uma inovação espetacular jamais vista antes na história do cinema.&lt;br /&gt;Stanley Kubrick havia explorado em &lt;em&gt;2001, uma Odisséia no Espaço&lt;/em&gt; um dos mais significativos apelos dos anos 60: os psicodélicos estados alterados de percepção provocados pelo LSD de Timothy Leary, ou então a psilocibina e o DMT (ayahuaska) de Terence McKenna, esta última hoje acessível através das correntes religiosas que se fazem presentes nos grandes centros urbanos livres da repressão, e &lt;em&gt;Avatar&lt;/em&gt; traz em um dos aspectos positivos de seu roteiro o pensamento que tais seitas tentam suscitar na sociedade atual: a conexão universal de todos os seres vivos a partir do vegetal e a necessidade de preservação do meio ambiente juntamente com a pluralidade de culturas, já que todos somos um – o autoconhecimento.&lt;br /&gt;As tecnologias digitais associadas à genialidade e percepção artística dos fotógrafos envolvidos na obra trazem em &lt;em&gt;Avatar&lt;/em&gt;, especialmente em sua versão 3D, um envolvente e extraordinário espetáculo que provoca uma profunda catarse em todos os que possuem um mínimo de sensibilidade à arte fotográfica.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Avatar&lt;/em&gt;: vale a pena... especialmente em 3D.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O trailer não mostra nem 10% da beleza do filme, mas para quer quiser vê-lo: &lt;a href="http://www.avatarmovie.com/index.html"&gt;http://www.avatarmovie.com/index.html&lt;/a&gt; .&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Douglas Gregorio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-7070297252505316133?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/7070297252505316133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=7070297252505316133&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/7070297252505316133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/7070297252505316133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2009/12/avatar.html' title='AVATAR.'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/Szz1qxHoPhI/AAAAAAAAADg/qtNt3Ie4g6A/s72-c/1332079-1745-ga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-7019009707893345449</id><published>2009-01-29T08:50:00.003-02:00</published><updated>2009-01-29T23:05:07.597-02:00</updated><title type='text'>Campus Party 2009 - um verdadeiro Woodstock Digital.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYGKOYwChVI/AAAAAAAAACc/wH7goME3eTM/s1600-h/3215697458_18cc6cc81d.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296666616531158354" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 133px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYGKOYwChVI/AAAAAAAAACc/wH7goME3eTM/s200/3215697458_18cc6cc81d.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Juventude: eis uma palavra que lembramos de forma constante quando estamos visitando a Campus Party 2009, que aconteceu aqui em SP, no Pavilhão Imigrantes, entre os dias 19 e 25 do mês de janeiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Para aqueles que não sabem o que é o Campus Party, trata-se de uma idéia surgida na Espanha, nos anos 90. Tal como um “Woodstock digital”, dezenas, centenas, milhares de internautas do mundo todo, os chamados campuseiros se reunem num mesmo lugar, levando consigo seus computadores. Durante sete dias, o intercâmbio é intenso na medida em que transcorrem as palestras e workshops referentes aos 12 temas debatidos: CampusBlog, Games, Simulação, Modding, Música, Design, Fotografia, Vídeo, Desenvolvimento e Software Livre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Segundo o site oficial do evento &lt;a href="http://www.campusparty.com.br/"&gt;http://www.campusparty.com.br/&lt;/a&gt; foram 6655 campuseiros inscritos, e é claro que este número não inclui as outras milhares de pessoas que participaram como visitantes e profissionais envolvidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Depois de 12 anos acontecendo na Espanha, o evento de lá saiu e veio acontecer aquí no Brasil, em 2008, depois na Colômbia e também em El Salvador. Este ano há a promessa de uma expansão ainda maior pela América Latina.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Havia uma área expo onde os patrocinadores montaram seus stands, a única área aberta aos visitantes não inscritos como campuseiros. Porém, como ser bem relacionado é fundamental, acabei tendo acesso à área restrita aos campuseiros, interagindo com os mais variados tipos de internautas para trocar idéias, participar de debates, cursos e palestras, sentindo o clima do significado da Revolução Digital neste início de século: juventude, muita juventude e muita irreverencia também, o que não excluí aqueles que possuem o “R.G. baixo”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Na área expo havia um mirante pelo qual era possível uma visão panorâmica daquela imensa cidade internet. Esta visão fez com que eu me sentisse como se estivesse no set de filmagem de Matrix: intermináveis fileiras de computadores conectados, cada qual com seu respectivo internauta ali, entretido, numa verdadeira osmose wachovskyana, circundados por núcleos de debates temáticos, com a galera acomodada de forma bem descontraída, semi-deitados naquelas mesclas de poltrona e almofada que nos anos 70 recebiam o nome de “puff’.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Ali, naqueles sete días conviveram desde experts em informática e web até pessoas que jamais haviam sentado diante de um computador, já que uma das áreas mais ativas foi a do “batismo digital”, criada com função de inclusão social.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Aquele clima neo-woodstock se reforçava ainda mais quando tínhamos a visão da área de acampamento, um verdadeiro mar de pequenas barracas padronizadas e organizadas onde os campuseiros se hospedavam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Entre os destaques podemos citar a robótica que todo o tempo chamava a atenção dos presentes com seus curiosos trabalhos, ou ainda a presença de indígenas internautas, os quais obviamente não perderam a oportunidade de fazer o seu marketing com suas pinturas, cocares e danças tribais, mas com o objetivo de mostrar que eles não são mais os “índios de 1500”, e que a sua cultura e suas etnias só sobreviverão se adaptarem-se e integrarem-se à cultura contemporânea globalizada cada vez mais na velocidade da Revolução Digital. Tanto que sua presença online vai além de MSN e orkut, mantendo sites e portais por eles desenvolvidos e construídos, com o objetivo de difundir e modernizar a cultura indígena na perspectiva da união e intercâmbio entre as dezenas de nações e etnias que ainda sobrevivem pela América Latina afora: &lt;a href="http://webradiobrasilindigena.wordpress.com/"&gt;http://webradiobrasilindigena.wordpress.com/&lt;/a&gt; e também &lt;a href="http://www.indiosonline.org.br/"&gt;http://www.indiosonline.org.br/&lt;/a&gt; .&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E ainda merece atenção a expressão artística verificada no design das CPUs levadas para o evento. Incrementados automóveis estilizados, caveiras, dragões, esculturas abstratas, muitos temas serviram de inspiração a artistas que desenvolveram gabinetes diferenciados para os seus computadores, incrementando o clima de diversidade cultural do evento, transformando determinados setores das extensas mesas de conexão em galerías de cyberarte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Como um banquete para sociólogos, planners e outros interessados mais, a experiencia do Campus Party leva-nos a refletir com profundidade o significado da Revolução Digital para as gerações futuras, além de, é claro, pensar sobre os múltiplos significados da Revolução Digital para os nossos hábitos, valores éticos e estéticos, conceitos de socialização, produção e tempo, entre varios outros.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;.&lt;br /&gt;Douglas Gregorio – janeiro de 2009.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-7019009707893345449?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/7019009707893345449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=7019009707893345449&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/7019009707893345449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/7019009707893345449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2009/01/campus-party-2009-um-verdadeiro.html' title='Campus Party 2009 - um verdadeiro Woodstock Digital.'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYGKOYwChVI/AAAAAAAAACc/wH7goME3eTM/s72-c/3215697458_18cc6cc81d.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-4224102139966321194</id><published>2009-01-14T23:02:00.008-02:00</published><updated>2009-04-07T15:54:40.717-03:00</updated><title type='text'>MIRA IRA - um testemunho dos anos 80, dos festivais, passando pelas Diretas Já! até o ao Rock in Rio.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SW6LrOXEPBI/AAAAAAAAACE/BrpPk_8UdfU/s1600-h/FESTIVAL1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291320186912390162" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SW6LrOXEPBI/AAAAAAAAACE/BrpPk_8UdfU/s320/FESTIVAL1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O ano era 1985. Eu estava lá no ginásio do Ibirapuera, conferindo ao vivo. Estou aqui, com o vinil em mãos, verificando as 12 vencedoras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Perto da última versão do festival da Globo, foi muito superior. Naquela época os concorrentes eram em sua maioria músicos consagrados, e na última versão decidiram dar uma chance a amadores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Recordo-me do Chacrinha aquecendo a gigantesca platéia no ginásio Ibirapuera lotadíssimo minutos antes do início da transmissão pela TV, ele provocando os presentes ao puxar o côro com sua voz rouca e idosa: - “vamos lá galera, junto comigo: pau dentro, pau fora, quem tiver pau pequeno que vá embora” – ele era a baixaria encarnada. Eu só entrei (de graça) porque tinha um amigo que trabalhava na produção do Festival, pois os ingressos estavam esgotados semanas antes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Naqueles tempos ainda não tínhamos salas de espetáculo modernas como o Credicard Hall, o extinto Olympia, Via Funchal e o ex-Palace, entre outras. O ginásio do Ibirapuera, que foi projetado para espetáculos esportivos, era a principal “sala” de espetáculos de Sampa. Só que a acústica fazia com que nossos ouvidos “virassem penico”. Cheguei a ver o primeiro show do Deep Purple no Brasil por lá, bem como um super show da Fafá de Belém.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Foi um dos destaques naquele festival a música “Os Metaleiros Também Amam” do Língua de Trapo, uma das bandas mais criativas que já surgiram no cenário underground paulistano, liderada pelo vocalista e humorista Laerte, que hoje, se não me engano, tem atuado em comerciais. O “Língua” tinha um trabalho que combinava a música e o teatro de comédia, no estilo do antigo teatro de revista – a música não era simplesmente executada no palco, era dramatizada, cada música do Língua compreendia também uma “sketch”, incluindo cenário, figurino etc., e às vezes também até o cinema, dado que o Língua inseria curtas produzidos por eles em meio aos shows, tudo na tônica da crítica política e social.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;São exemplos de trabalhos do Língua: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;- A dívida externa - Nesta longa estrada da dívida, já vi muita gente enriqueceeeeeer – sátira ao grupo sertanejo Trio Parada Dura, um dos precursores da explosão comercial sertaneja que viria nos anos seguintes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;- O catolicismo - exerceu primordial papel político na transição do final da ditadura militar e a reconstrução da democracia – “Samba-Enredo da TFP” - sociedade de defesa da tradição, família e propriedade, hoje Associação de Nossa Senhora, medievalista e ultraconservadora; também uma hilária dramatização em áudio de um jogo de futebol entre o clero conservador e o progressista em que “Dom Evaristo ataca pela esquerda, interceptado pelo zagueiro D. Eugênio Sales que veio da direita abrindo espaço para D. Luciano Mendes atacar pelo centro quando o cônego levanta a óstia amarela, mas o coroinha vermelho agita o turíbulo, é expulsão etc. como se um locutor esportivo narrasse o jogo pelo rádio, e as analogias eram extremamente hilárias.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;- O conflito capital x trabalho – “Me chamo Vampiro, vampiro empresário, e chupo o sangue de qualquer otário, pois sangue coagulado é o meu capital, com juros e dividendos de um vírus letal” – uma sátira à banda Black Sabbath.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;- O jornalismo sensacionalista – mais uma montagem de áudio em que ridicularizaram Afanázio Jazadji, jornalista policial popularesco, político fisiológico intrépido defensor da pena de morte e da “necessidade” da violência policial; denunciavam a manipulação da opinião pública e o alinhamento com setores reacionários da sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;- Uma caricatura do movimento Punk, executando uma “ópera”: “Como é bom ser punk, a mãe degolar, e a vovozinha no varal pendurar, é uma emoção sentir-se um maloqueiro, fazer Zé do Caixão parecer um pipoqueiro, ó ó ó, e esperar o apocalipse tendo que ser Office boy, executada por um “tenor” interpretado pelo gordinho Pituco, também chamado pelos fãs de “Japonês”, grande vocalista do Língua.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Os “Metaleiros também amam” era uma crítica à sociedade de consumo, à geração de modismos dirigidos à adolescência, e uma alusão direta a um dos erros fatais do Medina ao organizar o Rock in Rio, que foi justamente subestimar as então nascentes “tribos urbanas” no Brasil, misturando numa mesma noite de show tendências como o Heavy Metal – que na época era violento e ultra-radical – e a comercialesca e efemeramente modística New Wave – só poderia dar em porradaria mesmo. Em função do festival foi o trabalho mais conhecido do Língua, mas para os fãs como eu, a “mais mais” é sem dúvida “Conchetta”: uma sátira às melosas canções românticas italianas do festival de San Remo, cantada em “brasiliano” em que o namorado de Conchetta a levou numa pizzaria para comer “cocômelo com alitche” e ela acabou tendo que pagar a conta porque ele teve uma “bruta dolore no duodeno” e acabou desmaiando de diarréia no banheiro da pizzaria, pedindo sal de fruto naquela “bruta esbórnia”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Se eu ficasse aqui descrevendo os hilários e críticos trabalhos do Língua eu não terminaria... não perdia um só show deles, e recordo-me que ia para a fila do Centro Cultural e do SESC Pompéia cerca de três da tarde para ver um show que ia começar às 21 horas – eu era sempre o primeirão da fila.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;O Rock in Rio foi um capítulo à parte na época - depois dos inéditos e impactantes megashows do Queen em 1981 e Kiss em 1983, o Rock in Rio incluiu definitivamente o Brasil no circuito internacional do rock, e alguns dizem que seu impacto internacional só é superado pelo do festival de Woodstock... discutível. Tudo bem que ele prenunciava a globalização e o posicionamento do Brasil entre o grupo de países emergentes, o famoso BRIC – era um verdadeiro “milagre” imaginar que a América Latina e um país de Terceiro Mundo poderia bancar um evento como aquele, todos ficamos “embasbacados” quando a coisa se confirmou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Até aí dizer que seu significado na história internacional do rock só fica atrás de Woodstock... sei lá, Woodstock foi símbolo da revolução de costumes que ocorria no mundo ocidental em sua época, não creio que o Rock in Rio tenha tido este significado, porém, seu significado comercial/capitalista pode-se sentir internacionalmente até hoje – p. ex.: Rock in Rio Lisboa. Porém, desconheço na história internacional do rock um festival que conseguiu o feito do Rock in Rio: reunir num único evento apresentações das maiores lendas vivas do rock, como o Queen, Iron Maiden, Ozzy Ousborne, AC/DC entre outros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Todo mundo reclamou da ausência do Raul Seixas no Rock in Rio... o problema era que o Raul atravessava uma difícil fase com as drogas e o álcool vindo a morrer em função disso poucos anos depois, e não raro interrompia ou faltava aos shows marcados por falta de condições de executá-los. Por isso mesmo nunca tive o prazer de ir a um show do Raul, ficava com medo de pagar, ir ao show e ter de voltar pra casa sem diversão, ou ainda coisa pior: numa extinta casa de espetáculos paulistana, a ausência de Raul num show provocou violentos protestos que resultaram numa morte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Saindo do Rock in Rio, voltando ao Festival da Globo, tudo ocorreu na época das “Diretas Já”, da “Nova República”, da morte do Tancredo Neves por um mal súbito na véspera da posse provocado por um tiro de bala dundum na porta da igre..., digo, uma infecção intestinal segundo a versão oficial (Glória Maria que o diga). Era a época da “Teologia da Libertação” do Frei Leonardo Boff (franciscano), condenado pelo tribunal vaticano da Congregação da Doutrina da Fé (nome moderno da Inquisição) presidido pelo então cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI; a Teologia da Libertação, uma mescla de marxismo e cristianismo, dividiu o clero brasileiro, e sua expressão máxima eram as CEBs – as comunidades eclesiais de base, origem do atual Movimento dos Sem-Terra, as quais ninguém sabia bem se eram células de militância comunista ou modelo de organização eclesial alternativo às tradicionais paróquias. Alguns exagerados já falavam em “cisma”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Era época da restauração das eleições executivas (exceto ainda para presidente) em que Franco Montoro, um dos principais líderes da oposição à ditadura, venceu para governador em SP. Época em que a filosofia e a sociologia retornavam aos currículos escolares e o pluripartidarismo foi restaurado, incluindo a legalização dos partidos de esquerda que sem sua maioria se reuniram fundando a legenda PT. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;A canção Verde marcou presença no festival como obra da excelência da MPB não-comercial, num estilo muito próximo ao trabalho de cantores como Chico Buarque e também à Bossa Nova, assim como Emílio Santiago ganhou um prêmio especial pela canção “Elis, Elis” que vai na mesma linha. A vencedora foi Tetê Espíndola – hoje sumidinha junto com a irmã Alzira, outra cantora colossal - onde está esta malabarista da voz? Como se dizia na época, tinha “pássaros na voz”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Escrito nas Estrelas teve sua vitória contestada por alguns setores da sociedade, principalmente a igreja e setores representativos da classe média assalariada pelo fato de que em meio a letra havia a frase: “... pois sem você meu TESÃO...” - algumas rádios e emissoras ou proibiram a música ou biparam a frase durante a execução, e se não me engano, em algumas localidades brasileiras a execução chegou a ser judicialmente proibida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;A inclusão do então “palavrão” foi tema de diversas mesas redondas jornalísticas que debatiam o chamado “mal uso do fim da censura” que veio com a abertura política. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Porém, o objetivo do intitulado “Festival dos Festivais” era primordialmente comercial, e é claro que Verde, neste sentido, não seria candidata ao título, e a ousadia do compositor ao “corajosamente” incluir o “pesado palavrão” na letra de Escrito nas Estrelas deu certo... especialmente para a Globo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Em segundo veio “Mira Ira” com uma associação de outros dois grupos underground da época – a banda Placa Luminosa e o Tarancón - Turcão e Jica (famosos pelo barzinho que mantinham quando então o Bexiga era a Vila Madalena de hoje), Emílio e Mirian Mirah. O Tarancón era especializado em música folclórica andina, onde é marcante o uso daquelas “flautas de sete canudos, flauta de pã”, cujo nome andino/inca é zampoña. &lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SW6RXssAknI/AAAAAAAAACU/xZhe1jqzq0s/s1600-h/FESTIVAL_2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291326448525677170" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SW6RXssAknI/AAAAAAAAACU/xZhe1jqzq0s/s320/FESTIVAL_2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Mira Ira foi classificada por alguns críticos de ufanista, pela letra que exaltava a natureza tropical e a cultura brasileira de forma exagerada – “Mira no olhar, um riacho cacho de nuvem no azul do céu a rolar – mira ira, raça tupi, matas, florestas Brasil – mira sol canção, tempestade ilusão! Mira no olhar, verso fraco tecido em fuzil...” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Recordo que ao final da execução de Mira Ira, o Ibirapuera parecia que ia explodir ao som de um fortíssimo côro de um público que foi a um intenso delírio – o pessoal automaticamente pulou e gritava a plenos pulmões “Já ganhou, já ganhou!”, muitos berravam e até choravam, foi incrível! A catarse foi tão intensa que pensei que ia haver invasão do palco – apesar da acusação de ufanismo, a canção é simplesmente intensa e belíssima, além da letra mexer com o orgulho nacionalista das pessoas – porém, ao contrário de Escrito nas Estrelas, não era uma canção que poderia ser executada a fartar nas rádios. Não era tão comercial. O arranjo como a letra exigiam erudição dos ouvintes, já que eram acordes que pediam aquele lance do: parar, ouvir e apreciar, até mesmo pelo uso de instrumentos exóticos do folclore inca/andino. A letra, além aludir a lendas pouco conhecidas da mitologia indígena, a poesia exigia raciocínios intrincados do ouvinte, e incluía frases em Tupi-Guarani na voz intensa de Miriam Mirah. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Confira a gravação deste evento no link: &lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=pNV28B1oG2o"&gt;http://br.youtube.com/watch?v=pNV28B1oG2o&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Já Escrito nas Estrelas tinha uma letra simples, que falava de uma moça que declarava todo seu amor ao ser amado sem o qual não conseguiria viver, segundo seus videntes previam pela astrologia e pelo Tarô. A construção poética pobre, porém simples e direta, melosamente romântica e portanto bem comercial, bem popularesca, assim como o arranjo musical era bem básico e só dava um swing aos versos... com certeza, quem conheceu o trabalho de Tetê Espíndola que antecedeu sua participação no Festival poderia imaginá-la muito mais em dueto com Miriam Mirah que cantando Escrito nas Estrelas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Tetê Espíndola que me perdoe, sou fã dela desde antes do Festival, mas com certeza a grande campeã moral do Festival dos Festivais sempre foi e sempre será Mira Ira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Douglas Gregorio – janeiro de 2009.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-4224102139966321194?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/4224102139966321194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=4224102139966321194&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/4224102139966321194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/4224102139966321194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2009/01/mira-ira-um-testemunho-dos-anos-80-dos.html' title='MIRA IRA - um testemunho dos anos 80, dos festivais, passando pelas Diretas Já! até o ao Rock in Rio.'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SW6LrOXEPBI/AAAAAAAAACE/BrpPk_8UdfU/s72-c/FESTIVAL1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-7993650548356215502</id><published>2008-11-21T21:36:00.005-02:00</published><updated>2008-11-21T21:49:37.909-02:00</updated><title type='text'>‘A onda’ e o irracionalismo dos grupos* pelo prof. Dr. Raymundo de Lima - .USP.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SSdIbQQwpEI/AAAAAAAAAB0/R74W2PrNJPU/s1600-h/aondacapa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271261521919386690" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SSdIbQQwpEI/AAAAAAAAAB0/R74W2PrNJPU/s320/aondacapa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O filme “A onda” [The wave]&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[1]&lt;/a&gt; tem início com o professor de história Burt Ross explicando aos seus alunos a atmosfera da Alemanha, em 1930, a ascensão e o genocídio nazista. Os questionamentos dos alunos levam o professor a realizar uma arriscada experiência pedagógica que consiste em reproduzir na sala de aula alguns clichês do nazismo: usariam o slogan “Poder, Disciplina e Superioridade”, um símbolo gráfico para representar “A onda”, etc.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;O professor Ross se declara o líder do movimento da “onda”, exorta a disciplina e faz valer o poder superior do grupo sobre os indivíduos. Os estudantes o obedecem cegamente. A tímida recusa de um aluno o obriga a conviver com ameaças e exclusão do grupo. A escola inteira é envolvida no fanatismo d’A onda, até que um casal de alunos mais consciente alerta ao professor ter perdido o controle da experiência pedagógica que passou ao domínio da realidade cotidiana da comunidade escolar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;O desfecho do filme é dado pelo professor ao desmascarar a ideologia totalitária que sustenta o movimento d’A onda , denuncia aos estudantes o sumiço dos sujeitos críticos diante de poder carismático de um líder e do fanatismo por uma causa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Embora o filme seja uma metáfora de como surgiu o nazi-fascismo e o poder de seus rituais, pode conscientizar os estudantes sobre o poder doutrinário dos movimentos ideológicos políticos ou religiosos. O uso de slogans, palavras de ordem e a adoração a um suposto “grande líder” se repetem na história da humanidade: aconteceu na Alemanha nazista, na Itália fascista, e também no chamado ‘socialismo real’ da União Soviética, principalmente no período stalinista, na China com a “revolução cultural” promovida por Mao Tsé Tung, na Argentina com Perón, etc. Ainda, recentemente, líderes neo-populistas da América Latina, valendo-se de um discurso tosco anti-americano, conseguem enganar uma parte da esquerda resistente a aprender com a história.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Experiência pedagógica e política.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Feito para a televisão, ‘A onda’ [The wave], foi baseado em um incidente real ocorrido em uma escola secundária norte-americana em 1967, em Palo Alto, Califórnia. Antes de virar filme, foi romanceado em livro. A idéia do filme, com 45 minutos, era para fazer parte do currículo da escola, para estudar, refletir e se prevenir contra a onda nazi-fascista que começou no final da década de 30. Com a derrota do nazi-fascismo na 2ª. Guerra Mundial e o surgimento da ‘guerra fria’, filmes assim, podem funcionar como alerta contra pregações doutrinárias que fazem apologia aos totalitarismos de direita ou de esquerda&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[2]&lt;/a&gt;. Muitas vezes, o doutrinamento pró-totalitarismo ocorre no âmbito universitário, como se fosse ensino ‘científico’, onde a democracia é considerada uma má invenção ‘burguesa’ e a política uma prática a ser superada por um ‘novo’ sistema desenhado pelo abstracionismo teórico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;“A Onda” é uma metáfora que se aplica, mais ou menos, a qualquer movimento de massa respondente aos apelos de um líder carismático ou de uma causa mítica irracional. Foi assim com os atos criminosos da Ku Klux Klan, o macartismo que desencadeou a “caça às bruxas”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[3]&lt;/a&gt; perseguindo todos os supostos “comunistas” nos EUA, os governos de direita da América Latina com traços totalitários como foi o de Pinochet (Chile), o regime de apartheid da África do Sul (antes de Nelson Mandela), o processo de “limpeza étnica” conduzida pelos sérvios nos Bálcãs, os grupos neonazistas skinheads espalhados pelo mundo, os carecas do ABC paulista, e o movimento separatista do Iguaçu, no Paraná, entre outros menos conhecidos. Também, os partidos políticos neonazistas abrigados no regime democrático, na Áustria, chefiado por J.Haidern, e na França, por Jean Marie Le Pen. Devem ser, ainda, incluídos os líderes com traços protofascistas (Eco, 1995): Berlusconi, que passou pelo governo da Itália, e líderes totalitários com traço imperial, como King Jon Il (Coréia do Norte), Assad (Síria), ou de milícias que ocupam o vazio do Estado (Hizbolá, Hamas, FARC, PCC) cujos atos truculentos faz semelhança com tantos movimentos fascistas italiano, espanhol, e mesmo o integralismo, no Brasil. No período da ditadura militar, depois 1964, no Brasil, surgem grupos de extrema-direita, como a TFP (Sociedade da Tradição, Família e Propriedade) e o CCC (Comando de Caça aos Comunistas), ambos com intenções de causar uma ‘onda’ de cooptação dos jovens para a sua luta ideológica e até terrorista&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[4]&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Também líderes eleitos democraticamente, mas cujas manobras deixam transparecer traços totalitários (George W. Bush, Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad). Notamos que o traço comum entre estes líderes é a capacidade de fanatizar as massas por uma causa racional ou irracional, se valendo de métodos antidemocráticos como a censura, perseguições, prisões arbitrárias, elogios aos feitos do suposto ‘grande líder’, etc.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Também podem ser incluídos, hoje, como parte da onda protofascista (sic) os movimentos fundamentalistas (cristão, judaico, islâmico). O ‘fundamentalismo’&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[5]&lt;/a&gt; é a interpretação restrita do livro sagrado de forma a repudiar tudo e todos que não concordem com tal interpretação; trata-se de um “terrível simplificador” que pretende explicar e fornecer uma moral para o passado, o presente e o futuro da humanidade. Lembrando alguns traços do fascismo ou ‘protofascimo’ elaborado por Umberto Eco (1995), têm conquistado visibilidade na mídia as paradas dos “homens-bomba”, (que incluem crianças e mulheres), e as escolas de doutrinação islâmica ou madrassas, usadas como perversão do islamismo e impondo à população a cultura obscurantista Talibã, no Afeganistão&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftn8" name="_ftnref8"&gt;[6]&lt;/a&gt;. O auge de visibilidade dos efeitos da doutrinação islamofascista parece ser representado pela organização global da Al Qaeda, cujo líder Bin Laden, que nada tem de socialista ou marxista, diz lutar por uma causa supostamente “santa” contra os “infiéis do mundo ocidental”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftn9" name="_ftnref9"&gt;[7]&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A atitude fascista não morreu.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;O nazi-fascismo foi derrotado na 2ª. Grande Guerra, em 1945, mas ele não morreu. O que hoje acontece no cenário mundial nos leva a suspeitar que “ele não morrerá entre nós”, alerta o psicanalista francês C. Melman (2000).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;A fundação do Partido Nazista, nos EUA, é de 1970. Recente levantamento realizado nos EUA contou 474 grupos de extrema direita, organizados naquele país, alguns agindo abertamente em diversos setores governamentais, inclusive com atos contra a democracia e ao governo legitimamente constituído. A “Nação Ariana’ e a ‘Identidade Cristã’, são considerados pelo FBI como os dois grupos mais perigosos e ameaçadores dos EUA. O ataque terrorista que destruiu todo o edifício do governo federal, em Oklahoma City, em 1995, foi ato de um membro da extrema direita com ligações com o grupo ‘Identidade Cristã’. “O uso da religião para propósitos fascistas e a perversão da religião em um instrumento de propaganda de ódio, como um cruzada antidemocrática em nome da salvação da democracia, é uma tática disseminada entre os grupos de extrema direita” (Carone, 2003).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Balizas para comentar esse filme:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nosso olhar sobre o filme “A onda” focaliza três linhas de análise para comentários visando estimular o debate: (1) o nazi-fascismo como ideologia política totalitária de direita; (2) a psicologia de massas e a servidão voluntária dos indivíduos a um líder, grupo ou causa mítica; (3) a propaganda política e ideológica (4) o recurso da ‘experiência pedagógica’, como meio de ir para além do mero aprendizado de conceitos teóricos. Notar que o professor do filme adota a experimentação com grupo como recurso didático ‘vivencial’ [Dinâmica de Grupo e Sociodrama], que sempre implica em algum risco de perder o controle da experiência pedagógica. O “sócio-grupo” seria o grupo tarefa estruturado e orientado em função da execução ou cumprimento de uma tarefa, e o “psico-grupo” ou grupo estruturado, orientado e polarizado em função dos próprios membros que constituem o grupo, foram criados por Kurt Lewin – judeu alemão emigrado para os EUA - tinham como propósito serem não somente técnicas de aprendizagem alternativa à aula tradicional, considerada chata ou enfadonha mas de efetivamente trabalhar a dimensão afetiva e emocional de cada grupo enquanto gestalt, onde estão presentes preconceitos, dogmatismo, coesão, fé cega num líder, bloqueios, filtragens, enganos e auto-enganos na comunicação entre seus membros&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn10" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftn10" name="_ftnref10"&gt;[8]&lt;/a&gt; etc.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Apesar de não ser um grande filme, e ainda prejudicado com o uso de cópias desgastadas, gravadas da televisão aberta&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn11" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftn11" name="_ftnref11"&gt;[9]&lt;/a&gt;, “A onda’ têm a virtude de levar o telespectador a não ficar indiferente aos fenômenos de massificação, fanatismo e intolerância do ser humano. Contudo, o filme é um sério alerta para: a) o risco do “sujeito” perder a “liberdade” e “autonomia”, submetendo-se incondicionalmente ao poder do grupo, sua “causa absoluta” veiculadas por slogans e palavras que ordenam uma ação automática, fazendo desaparecer o sujeito&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn12" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftn12" name="_ftnref12"&gt;[10]&lt;/a&gt; ; b) problematiza a possibilidade de ressurgimento do nazi-fascismo, ou dos totalitarismos de direita ou de esquerda, tendo em vista o desgaste das democracias representativas de nossa época; c) conscientiza a formação de grupites de adolescentes e gangues potencialmente intolerantes e criminosas. Há uma tendência narcisista nesses grupos que, geralmente, são atraídos pela proposta de igualdade e novo sentido existencial-no-mundo, a fundação na vivência da territorialidade, o desenvolvimento de um código de linguagem próprio onde os atos de rejeição dos “mais fracos”, “desgarrados” ou “diferentes” parecem legítimos e morais. Basta ver o recreio de qualquer escola onde os membros dos grupos reproduzem sua imagem narcísica no modo de ser, vestir, falar, pensar etc. Evidentemente, tal atitude faz parte do processo de desenvolvimento da personalidade em busca de identidade própria, mas pode também ser a base para a formação de um traço de caráter ‘blindado’, conforme o estudo de W.Reich.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O trote seria um tipo de onda?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;O tradicional trote universitário é um ritual de violência sádica de um grupo “mais velho” sobre os “novos” ou calouros. O trote pode ser tipificado como uma formação protofascista, no sentido proposto por Eco (1995), na medida em que um grupo visa humilhar os supostamente mais fracos? Que fazer para quebrar essa “tradição de família” presente ainda em algumas universidades? O que esse ritual de passagem representa na cultura universitária? Será que aulas, palestras, leis, punições, bastam para conscientizar e levar à nova geração evitar essa prática? Será que medidas impostas pelos colegiados de cada instituição, investidos de autoridade, devem proibir com rigor o trote violento, por exemplo, reinventando regras com o sentido da pró-solidariedade? Que metodologia ou técnicas de ensino e aprendizagem poderiam ser usadas para quebrar essa tradição e instaurar uma consciência verdadeiramente crítica e historicamente elaborada sobre tal fenômeno? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ascensão do irracional? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;O retorno do irracional em forma de ‘onda’ ou de ‘massa’ parece ser uma resposta desesperada de algumas culturas resistindo à modernização ocidental liberal-burguesa-democrática; a globalização econômica em que pese o seu sentido capitalista excludente também tem produzido novas idéias e tecnologias que beneficiam toda a humanidade, embora causem em alguns grupos mais tradicionais o medo de perder sua identidade comunitária, tal como analisa Castells (1999) e Japiassu (2001).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Aos educadores, é imprescindível trabalhar junto com os alunos, desde cedo, a ética da tolerância, o respeito à diversidade cultural e as diferenças demasiadamente humanas, bem como o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista, onde a paz e a liberdade devem ser ativas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;O conhecimento científico, a informação e a tecnologia são insuficientes para melhorar o ser humano. É preciso desenvolver uma nova educação que encare o mundo complexo e promova, além da pesquisa que aspira o conhecimento novo, também uma sabedoria prática para se viver a vida pessoal e coletiva em tempos tão sombrios.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Os sintomas atuais de ascensão do irracional humano vem se revelando não só através de grupos nazi-fascistas que formam uma ‘onda’ pregando a “supremacia da raça branca”, a perseguição de judeus, negros, índios, homossexuais, nordestinos do Brasil, feministas, esquerdistas, democratas, etc. O fundamentalismo religioso (cristão, islâmico e judaico), os atos dos criminosos ligados ao narcotráfico, o terrorismo protofascista de grupos ou de Estado, sem projeto político, podem ser considerados sintomas de “ascensão do irracional” (em nosso artigo, em &lt;a href="http://www.espacoacademico.com.br/004/04ray.htm"&gt;http://www.espacoacademico.com.br/004/04ray.htm&lt;/a&gt;, observamos três sintomas do protofascimo no terrorismo: o desprezo do diálogo pelo ato – do ato pelo ato; o argumento pela emoção. Para Eco (1995) é a “a ação pela ação’ e a “luta pela luta”. Na leitura psicanalítica é representado pelo ‘mais-gozar’ da ação e o ‘mais-gozar’ da luta sem fim).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;O filme “A onda” focaliza, por um lado, o imperativo da ordem e disciplina e, por outro, o desejo de controlar a pulsão agressiva dos seres humanos travestido em organização fascista aspirando ser moral.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;“A onda” pode ser vista através de alguns movimentos políticos-ideológicos de nossa história: quando atuou em nome de uma suposta “superioridade da raça ariana”, causou o genocídio nazista; quando levantou a bandeira da “causa do proletariado” milhares foram estigmatizados de ‘anti-revolucionários’, ‘reacionários burgueses’, ‘intelectuais inúteis’; quando surgiu com o nome de “revolução cultural” fez o povo quase perder suas tradições; quando “em nome de Deus” milhares são assassinados; quando “em nome do Bem contra o Mal”, da “causa justa” ou da “democracia”, invadiu países, destruindo prédios e vidas; Enfim, quanto o irracional está a serviço da racionalidade, o resultado é a imoralidade, o sofrimento e a morte em massa. Quando a intolerância quer ser reconhecida como moral e legal, justificando que a repressão da autonomia dos sujeitos é necessária “para o bem de todos”, a razão se faz cínica&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn13" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftn13" name="_ftnref13"&gt;[11]&lt;/a&gt;. Assim, é preciso reconhecer que ser racional não basta para singularizar o que é ‘ser humano’, ou seja, falta saber se ser racional é condição sine qua non para ser razoável e capaz de estabelecer empatia para com o nosso semelhante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Depois do filme.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Outras experiências pedagógicas foram realizadas e filmadas depois de “A onda”, que parecem ter sido influenciadas pelas pesquisas dos laboratórios de dinâmica de grupo e experimentação cientificamente controlada, desde a década de 1970. Recomendamos aos pedagogos, psicólogos, historiadores, filósofos, sociólogos, antropólogos, entre outros, assistirem aos documentários: “Olhos azuis”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn14" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftn14" name="_ftnref14"&gt;[12]&lt;/a&gt;, coordenado pela professora Jane Elliott e “Zoológico humano”, conduzido pelo psicólogo P. Zimbardo (Stanford University). Ao conduzir a experiência dos grupos, a professora Elliot evidencia o racismo, os fenômenos de grupo, a liderança, a submissão voluntária, etc. No “Zoológico humano”, recomendamos maior atenção para a 2ª. Parte, que trata da submissão do sujeito ao grupo. Em ambos, podemos observar fenômenos como ‘conformidade’, ‘disciplina’, ‘bloqueios’, ‘filtragens’, ‘contágio social’, a influência do ‘poder’, a ‘submissão’, as ‘distâncias sociais’, ‘barreiras psicológicas’, a ‘psicose de massa’, o ‘vigiar e punir” de uns contra outros para que ninguém seja a si próprio, a delação ou dedurismo como prática corriqueira de difícil verificação e confrontação com a verdade, o ‘narcisismo das pequenas diferenças’ proposto por Freud, a ‘regressão dos indivíduos a condição de massa ’ (conforme dito de Adorno: o fascismo ao manipular as massas, faz “psicanálise às avessas”), etc. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Continua sendo atual o discurso do professor Ross, proferido no final de “A onda”: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Vocês trocaram sua liberdade pelo luxo de se sentirem superiores. Todos vocês teriam sido bons nazi-fascistas. Certamente iriam vestir uma farda, virar a cabeça e permitir que seus amigos e vizinhos fossem perseguidos e destruídos. O fascismo não é uma coisa que outras pessoas fizeram. Ele está aqui mesmo em todos nós. Vocês perguntam: como que o povo alemão pode ficar impassível enquanto milhares de inocentes seres humanos eram assassinados? Como alegar que não estavam envolvidos. O que faz um povo renegar sua própria história? Pois é assim que a história se repete. Vocês todos vão querer negar o que se passou em “A onda’. Nossa experiência foi um sucesso. Terão ao menos aprendido que somos responsáveis pelos nossos atos. Vocês devem se interrogar: o que fazer em vez de seguir cegamente um líder? E que pelo resto de suas vidas nunca permitirão que a vontade de um grupo usurpe seus direitos individuais. Como é difícil ter que suportar que tudo isso não passou de uma grande vontade e de um sonho”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;______________&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;TUTORIAL PARA DOWNLOAD DO FILME "A ONDA Clicando em &lt;&lt;a href="http://paginas.terra.com.br/arte/culturainformacao/"&gt;http://paginas.terra.com.br/arte/culturainformacao/&lt;/a&gt; &gt; clicando, cai direto em “Cultura e informação” e ver “dicas e notícias” sobre como fazer download do filme “A onda” &lt;a href="http://www.cefetsp.br/edu/eso/laerte/"&gt;http://www.cefetsp.br/edu/eso/laerte/&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Também indica outro endereço para este filme só que em inglês:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.xenutv.com/cults/wave.htm"&gt;http://www.xenutv.com/cults/wave.htm&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;O endereço da comunidade "A onda - The wave" &gt; no Orkut:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1262617"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1262617&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;*&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Texto produzido para orientar meus comentários sobre o filme  “A onda”. Agradecimentos especiais a Moisés Storch (Movimento Paz Agora) pela valiosa revisão e sugestões do texto, e Sergio Becker pelo retorno crítico.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Filme: “A onda”  [ The wave]  –  Dur.: 45 minutos – Direção: Alex Grasshof - País: EUA - Ano: 1981 Elenco: Bruce Davison, Lori Lethins, John Putch, Jonny Doran,Pasha Gray, Valery Ann Pfening. Obs: o filme foi exibido uma única vez no início da década de 1980 (1981 ou 1982). Depois, a TV Educativa-Rio também o exibiu, realizando um excelente debate com convidados de diferentes áreas do conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Conferir o estudo de HARENDT, Hanna. O sistema totalitário. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1978.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver o filme “As bruxas de Salen”, baseado na peça The Crucible [O sacrifício], de Arthur Miller.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; “O Atentado do Riocentro foi um ataque a bomba frustrado contra o Pavilhão Riocentro no dia &lt;/span&gt;&lt;a title="30 de abril" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/30_de_abril"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;30 de abril&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; de &lt;/span&gt;&lt;a title="1981" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1981"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;1981&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;. Na data realizava-se no edifício um show em homenagem ao Dia do Trabalho. Cerca de 21:30, com o evento já em andamento, uma bomba explodiu dentro de um carro no estacionamento. A bomba seria instalada no edifício mas explodiu antes da hora, matando um dos passageiros do carro e ferindo gravemente o outro. O Puma levava dois passageiros, o capitão Wilson Luís Alves Machado e o sargento Guilherme Pereira do Rosário. Ambos trabalhavam para o &lt;/span&gt;&lt;a title="DOI-Codi" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=DOI-Codi&amp;amp;action=edit"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;DOI-Codi&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; do estado do &lt;/span&gt;&lt;a title="Rio de Janeiro" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_de_Janeiro"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Rio de Janeiro&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; e o sargento Rosário tinha treinamento do Exército em montagem de explosivos. Na ocasião o governo acusou como culpado pelo atentado os integrantes radicais da esquerda. Essa hipótese já não tinha sustentação na época e atualmente já se comprovou, inclusive por confissão, de que o atentado no Riocentro foi uma tentativa de setores mais radicais dentro da &lt;/span&gt;&lt;a title="Ditadura" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ditadura"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ditadura&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; (principalmente o &lt;/span&gt;&lt;a title="Centro de Informações do Exército" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_de_InformaÃ§Ãµes_do_ExÃ©rcito"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;CIE&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; e o &lt;/span&gt;&lt;a title="Serviço Nacional de Informações" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/ServiÃ§o_Nacional_de_InformaÃ§Ãµes"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SNI&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;) de fazer crer que era necessária uma nova onda de repressão e paralisar a lenta abertura política que estava em andamento. Uma segunda explosão ocorreu a alguns quilômetros de distância na miniestação elétrica responsável pelo fornecimento de energia do Riocentro. A bomba foi jogada por cima do muro da miniestação, mas explodiu em seu pátio e a eletricidade do pavilhão não chegou a ser interrompida. Esse episódio é um dos que marcam a decadência do &lt;/span&gt;&lt;a title="Anos de chumbo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Anos_de_chumbo"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;regime militar no Brasil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; que daria lugar dali a quatro anos ao restabelecimento da &lt;/span&gt;&lt;a title="Democracia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;democracia&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; (Cf.: http://pt.wikipedia.org/wiki/Atentado_do_Riocentro).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Cf.: ROUANET, S. P. “Os terríveis simplificadores”. Folha de S. Paulo, 11.jan.2001.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftnref8" name="_ftn8"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; A identificação de traços protofascistas em alguns movimentos fundamentalistas (Hizbolá, Hamas, xiitismo iraniano, etc) é um posicionamento contestado com argumentos vagos, por exemplo,  pelo escritor Tarik Ali (Ver debate no programa Roda Viva, da TV Cultura-SP).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftnref9" name="_ftn9"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;  “Não que seja uma causa real, mas a usam. Não é estranho que grupos neonazistas adorem  Bin Laden. Muitos substituíram a imagem de Hitler pela dele”, disse Pilar Rahola, (Folha de S.Paulo, 25 de ago 2006). Nascida em Barcelona em 1958, Pilar Rahola, ex-deputada espanhola de esquerda, é doutora em Filologia Hispânica e também em Filologia Catalã (Cf.: GABRIEL BRUST "Há uma esquerda traindo a liberdade".Entrevista com Pilar Rahola).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn10" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftnref10" name="_ftn10"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Cf.: MAILHIOT, G. B. Dinâmica e gênese dos grupos. São Paulo: Duas cidades, 1976.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn11" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftnref11" name="_ftn11"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[9]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; A maioria das cópias que existem nas faculdades foi originalmente gravadas na TV Globo ou na TV Educativa do Rio de Janeiro, que, após a exibição, promoveu um debate com convidados. O pessoal do Café Filosófico (Docentes Responsáveis: LAERTE MOREIRA DOS SANTOS, PATRICIA HETTI, LOURDES CARRIL) está disponibilizando na Internet como fazer download. &gt; http://www.cefetsp.br/edu/eso/laerte/&lt;br /&gt;http://paginas.terra.com.br/arte/culturainformacao/&lt;br /&gt;Também indica outro endereço para este filme só que em inglês:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.xenutv.com/cults/wave.htm"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.xenutv.com/cults/wave.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; e o endereço da comunidade "A onda - The wave" no Orkut:  http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1262617&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn12" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftnref12" name="_ftn12"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[10]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Não apenas desaparece o “sujeito” submetido ao poder do grupo, como também o nazi-fascismo fez desaparecer os sujeitos, primeiramente pelas metáforas animais (comparavam os judeus, comunistas, homossexuais, a ratos, répteis, insetos como piolhos, traças, e germes  “que devoram os pilares da vida econômica, social, religiosa e política da nação...”. Em verdade, “a parasifobia  é tão masoquista quanto sádica, pois a base recalcada pode ser transformada em perseguição à ameaça externalizada, em destrutividade paranóica” (Carone,  2003).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn13" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftnref13" name="_ftn13"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[11]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Cf.:  ZIZEK, S. Eles não sabem o que fazem. O sublime objeto da ideologia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn14" href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm#_ftnref14" name="_ftn14"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[12]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; “Olhos azuis”  tem a versão com adultos e outra com adolescentes. Foram exibidos no Brasil pelo canal GNT do sistema Net.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-7993650548356215502?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/7993650548356215502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=7993650548356215502&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/7993650548356215502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/7993650548356215502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2008/11/onda-e-o-irracionalismo-dos-grupos-pelo.html' title='‘A onda’ e o irracionalismo dos grupos* pelo prof. Dr. Raymundo de Lima - .USP.'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SSdIbQQwpEI/AAAAAAAAAB0/R74W2PrNJPU/s72-c/aondacapa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-2264336763969112295</id><published>2008-08-28T00:43:00.002-03:00</published><updated>2008-08-28T00:51:19.738-03:00</updated><title type='text'>É lícito cercear a propaganda política na Internet?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SLYgkIzF5tI/AAAAAAAAABY/3dgWG6YQnhA/s1600-h/Eneas_RJaime%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239411021701310162" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SLYgkIzF5tI/AAAAAAAAABY/3dgWG6YQnhA/s320/Eneas_RJaime%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nesta quinta-feira, 28, deve ser julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o mandado de segurança impetrado pelo portal iG pedindo, liminarmente, que sejam anulados os efeitos dos artigos 18 e 19 da Resolução 22.718/08. Os dispositivos legais proíbem que os candidatos tenham blogs, participem e opinem em comunidades sociais tais como Orkut, Twitter e Second life, ou ainda que enviem propostas de suas campanhas por e-mail, SMS ou vídeos no YouTube. A lei proíbe também a comercialização para partidos políticos de espaços públicos na internet.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A legislação vigente permite aos candidatos a propaganda eleitoral no meio digital apenas em suas páginas pessoas (com domínio "can.br"), o que culminou na determinação de retirada, em 6 de julho, de todos os sites destinados à divulgação e ao compartilhamento de idéias e informações relativas às propostas dos candidatos às eleições deste ano. Páginas cujos autores expressavam sua intenção de voto foram instadas pela Justiça a retirar a informação.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O mandado de segurança impetrado pelo iG visa garantir a comercialização do espaço publicitário relacionado às propagandas eleitorais, emitir opiniões favoráveis ou desfavoráveis sobre os candidatos e seus partidos; manter blogs, inclusive de candidatos, salas de bate-papo e todos os espaços necessários à garantia do livre fluxo de informações e opiniões políticas.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para o diretor-presidente do portal, Caio Túlio Costa, a resolução do TSE é um flagrante desrespeito à liberdade constitucional de expressão. O executivo destaca ainda que a legislação asfixia financeiramente a internet, que hoje não tem mais do que 3,2% de todo o investimento publicitário, além de bloquear a vocação primordial da rede que é a única mídia de massa que possibilita o diálogo direto entre usuários e a própria fonte de informação. (Meio &amp;amp; Mensagem).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;E então? Se a internet é realmente livre, e se a discussão política deve ser ampla e irrestrita, como então impor limites ao debate democrático?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Fala-se em amadurecimento da democracia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Porém, pouco se fala da liberdade sagrada do cidadão de participár ou não do processo - queremos dizer, por que o voto AINDA é obrigatório no Brasil?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Por que a mídia de maior alcance da atualidade, a televisão, sofre intervenção direta do Estado na reserva de espaço gratuíto na TV, quebrando a liberdade do cidadão telespectador, já que o horário eleitoral é transmitido em rede de todas as emissoras e no mesmo horário? Não caberia aos partidos políticos bancar com recursos próprios a sua propaganda? Tal medida não implantaria maior seriedade ao processo democrático? Ora, personagens fisiológicos teriam suas possibilidades de vitória reduzidas, e com isso a ação das chamadas "legendas de aluguel" receberia um forte golpe em um dos seus principais sustentáculos, que é a mídia de massa gratuita - vide o caso Enéas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Assim, observando a utilização da TV no processo eleitoral, e considerando uma mídia de características totalmente diferentes, como é a internet, é pertinente o uso de tais medidas restritivas? Por que a utilização de uma mídia que permite a intercomunicação bipolar, ou mesmo multipolar das partes envolvidas, é tão cerceada assim? Justamente agora que a mídia internet permite ao cidadão participar diretamente do conteúdo através da construção do diálogo direto proporcionado pela tecnologia, o que alteraria substancialmente o conceito de representatividade democrática, o que permitiria denúncias, debates, questionamentos etc., por que justamente aí o Estado intervém proibindo este novo movimento?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;São questões para refletir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-2264336763969112295?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/2264336763969112295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=2264336763969112295&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/2264336763969112295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/2264336763969112295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2008/08/lcito-cercear-propaganda-poltica-na.html' title='É lícito cercear a propaganda política na Internet?'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SLYgkIzF5tI/AAAAAAAAABY/3dgWG6YQnhA/s72-c/Eneas_RJaime%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-7336160095174069813</id><published>2008-08-10T23:57:00.000-03:00</published><updated>2008-08-11T00:21:46.854-03:00</updated><title type='text'>BELLA CIAO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SJ-vJ6IklFI/AAAAAAAAABQ/63kRfyQtWLc/s1600-h/bella_ciao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233093876786697298" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SJ-vJ6IklFI/AAAAAAAAABQ/63kRfyQtWLc/s200/bella_ciao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#000000;"&gt;"Bella ciao" é uma canção popular da &lt;/span&gt;&lt;a title="Resistência italiana" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Resist%C3%AAncia_italiana"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Resistência italiana&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; da &lt;/span&gt;&lt;a title="Segunda Guerra Mundial" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_Mundial"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Segunda Guerra Mundial&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;. A origem da canção é incerta e o autor da letra desconhecido. Durante a &lt;/span&gt;&lt;a title="Guerra Civil Espanhola" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_Espanhola"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Guerra Civil Espanhola&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; a canção ganhou uma nova letra, sendo adotada como hino das milicias &lt;/span&gt;&lt;a title="Anarquismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Anarquismo"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;anarquistas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; e trotskistas contra o &lt;/span&gt;&lt;a class="mw-redirect" title="Facismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Facismo"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;facismo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a title="Franco" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Franco"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;franquista&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;. A canção foi gravada por vários artistas &lt;/span&gt;&lt;a title="Italianos" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Italianos"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;italianos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a title="Russos" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Russos"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;russos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a class="mw-redirect" title="Bósnios" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%B3snios"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;bósnios&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a title="Croatas" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Croatas"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;croatas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a title="Sérvios" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rvios"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;sérvios&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a class="mw-redirect" title="Húngaros" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%BAngaros"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;húngaros&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a title="Ingleses" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ingleses"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;ingleses&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a title="Espanhóis" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Espanh%C3%B3is"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;espanhóis&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a title="Alemães" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alem%C3%A3es"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;alemães&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a class="mw-redirect" title="Turcos" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Turcos"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;turcos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a title="Japoneses" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Japoneses"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;japoneses&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a class="mw-redirect" title="Chineses" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Chineses"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;chineses&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;a title="Curdos" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Curdos"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;curdos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;(Wikipédia)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Una mattina mi son svegliato,&lt;br /&gt;o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!&lt;br /&gt;Una mattina mi son svegliato,&lt;br /&gt;e ho trovato l'invasor. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;br /&gt;O partigiano, portami via,&lt;br /&gt;o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!&lt;br /&gt;O partigiano, portami via,&lt;br /&gt;ché mi sento di morir. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;br /&gt;E se io muoio da partigiano,&lt;br /&gt;o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!&lt;br /&gt;E se io muoio da partigiano,&lt;br /&gt;tu mi devi seppellir. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;br /&gt;E seppellire lassù in montagna,&lt;br /&gt;o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!&lt;br /&gt;E seppellire lassù in montagna,&lt;br /&gt;sotto l'ombra di un bel fior. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;br /&gt;E le genti che passeranno,&lt;br /&gt;o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!&lt;br /&gt;E le genti che passeranno,&lt;br /&gt;Mi diranno «Che bel fior!»&lt;br /&gt;«È questo il fiore del partigiano»,&lt;br /&gt;o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!&lt;br /&gt;«È questo il fiore del partigiano,&lt;br /&gt;morto per la libertà!» &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;oooooo OOOOOO oooooo&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;br /&gt;Acordei de manhã&lt;br /&gt;Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!&lt;br /&gt;Acordei de manhã&lt;br /&gt;E deparei-me com o invasor &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Ó resistente, leva-me embora&lt;br /&gt;Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!&lt;br /&gt;Ó resistente, leva-me embora&lt;br /&gt;Porque sinto a morte a chegar. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;br /&gt;E se eu morrer como resistente&lt;br /&gt;Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!&lt;br /&gt;E se eu morrer como resistente&lt;br /&gt;Tu deves sepultar-me&lt;br /&gt;E sepultar-me na montanha &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;br /&gt;Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!&lt;br /&gt;E sepultar-me na montanha&lt;br /&gt;Sob a sombra de uma linda flor&lt;br /&gt;E as pessoas que passarem&lt;br /&gt;Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!&lt;br /&gt;E as pessoas que passarem&lt;br /&gt;Irão dizer-me: «Que flor tão linda!»&lt;br /&gt;É esta a flor &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;br /&gt;Minha querida, adeus, minha querida, adeus, minha querida, adeus! Adeus! Adeus!&lt;br /&gt;É esta a flor do homem da Resistência&lt;br /&gt;Que morreu pela liberdade!&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-7336160095174069813?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/7336160095174069813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=7336160095174069813&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/7336160095174069813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/7336160095174069813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2008/08/bella-ciao.html' title='BELLA CIAO'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SJ-vJ6IklFI/AAAAAAAAABQ/63kRfyQtWLc/s72-c/bella_ciao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-9011808039725547928</id><published>2008-04-07T09:41:00.000-03:00</published><updated>2008-04-07T09:43:26.918-03:00</updated><title type='text'>Radiatividade</title><content type='html'>A amplitude do ser&lt;br /&gt;é mais extensa que os&lt;br /&gt;efeitos das ondas do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No poder das flores do&lt;br /&gt;campo o amor e a bondade&lt;br /&gt;se manifestam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos caminhos da América&lt;br /&gt;rostos e pés se cruzam&lt;br /&gt;entre lágrimas perdidas&lt;br /&gt;na quadrada dos sorrisos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim os abismos deixam&lt;br /&gt;de se tornar tão perigosos&lt;br /&gt;e misteriosos. São só o que&lt;br /&gt;são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IT!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27/03/2008.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-9011808039725547928?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/9011808039725547928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=9011808039725547928&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/9011808039725547928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/9011808039725547928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2008/04/radiatividade.html' title='Radiatividade'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-1664089560539573886</id><published>2008-04-03T01:10:00.000-03:00</published><updated>2008-04-07T09:37:36.670-03:00</updated><title type='text'>O BANHEIRO DO PAPA.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/R_RZDjgMmuI/AAAAAAAAAAs/oF021kKaqvw/s1600-h/banheirodopapa_02%2520capa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5184866988615047906" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/R_RZDjgMmuI/AAAAAAAAAAs/oF021kKaqvw/s200/banheirodopapa_02%2520capa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma história de ficção, mas baseada em fatos verídicos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Melo é uma pequena cidade uruguaia na fronteira entre o Brasil, cuja população vive em alto grau de pobreza. Os poucos habitantes de situação remediada dedicam-se ao limitado comércio local com seus toscos botequins e vendinhas, mas a maioria dos cidadãos só possui uma única forma de ganhar um parco dinheirinho, que é integrar-se a um precário sistema de contrabando que abastece o pobre comércio local com artigos adquiridos em território brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rudes, incultos e mal-ajambrados mas com um sentimento muito grande de amor e respeito aos familiares e amigos, os homens de Melo percorrem diariamente no mínimo 120 quilômetros de bicicleta, trazendo na garupa algumas poucas encomendas para os comerciantes locais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se não bastasse a labuta, o transporte precário e a penúria, eles ainda têm de enfrentar a corrupção dos serviços alfandegários que os obriga a fazer desvios por um longo trajeto em terreno pantanoso para se livrar da fiscalização da guarda de fronteiras, bem como sofrem assédio moral e coação por parte de Meleyo, um corrupto funcionário público odiado por toda a comunidade de Melo, o qual persegue desafetos (geralmente aqueles que entraram e decidiram sair de seu esquema particular dada a excessiva exploração), destruindo-lhes a carga quando pegos ou ainda cobrando propinas, divertindo-se sadicamente em humilhá-los em público com xingamentos (especialmente aqueles que denigrem a moral das mulheres de suas famílias), e em tomar os produtos mais refinados que estão transportando, tudo sem que ninguém possa intervir, já que ele é a maior autoridade local no que diz respeito ao fisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desses coitados que sobrevivem do precário contrabando é Beto, que sempre coloca a cabeça para funcionar na ânsia de encontrar uma saída para a situação. Sua filha adolescente sonha em ser jornalista e sua esposa trabalha arduamente como lavadeira-passadeira para juntar migalhas de dinheiro com o qual pretende custear os estudos da filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano de 1998 é anunciado que o Papa João Paulo II, em visita à América Latina terá uma passagem de algumas horas em Melo, onde fará um discurso de saudação para o povo uruguaio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mídia sensasionalista e os políticos começam então a explorar o fato supervalorizando-o, apresentando à população meras suposições ou mesmo inverdades na exagerada tônica de que a visita do Papa seria um marco na história uruguaia e o pontapé inicial de uma época de desenvolvimento e fartura - um absurdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo de Melo, esperançoso e sensível a estas falsas promessas juntam suas parcas economias ou mesmo se endividam para investir no evento, montando barracas de lanches, lingüiças, lembrancinhas, bandeirolas e todo tipo de bugiganga que pudesse ser comercializada junto à multidão esperada, a qual o governo e a mídia calculavam que seria entre 30 e 50 mil pessoas – obviamente superestimada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aí que Beto tem uma brilhante idéia – todos estavam preocupados em oferecer à multidão o atendimento às necessidades básicas (especialmente a alimentação), mas ninguém havia tido a idéia de oferecer outro serviço essencial que seria tão escasso quanto necessário durante o evento: o acesso a sanitários. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis então a questão central do filme: os esforços e as desventuras do pobre homem simples Beto, que volta todas as suas energias materiais e psíquicas para a realização do seu projeto, a construção de um pequeno banheiro público por cujo uso cobraria. Beto tinha a mesma esperança de todos, que apostavam no retorno supermultiplicado dos seus investimentos que apesar de modestos, representavam uma situação de "é tudo ou nada", dada a carência extrema da comunidade local. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As falsas informações veiculadas pela mídia sensacionalista e manipuladora, e o discurso politiqueiro do governo uruguaio inculcaram nos desvalidos cidadãos de Melo a falsa impressão de que o retorno do investimento seria garantido, e Melo seria uma nova cidade depois daquele dia, se não rica, pelo menos com uma qualidade de vida mais elevada, estando então decretado o fim da dependência daquele precário sistema de contrabando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repleto das trapalhadas hilárias de Beto, mas sem deixar de lado o tom sério de denúncia da penúria e da falta de ética dos políticos e meios de comunicação, assim transcorre a trama de “O Banheiro do Papa”, cujo desfecho é carregado da mesma ambigüidade comédia–drama que aparece ao longo deste filme que, é claro, está longe de ser uma superprodução, mas não deixa de entreter com qualidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Título Original: El Baño del Papa &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Gênero: Drama&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Tempo de Duração: 97 minutos &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ano de Lançamento (Brasil / Uruguai / França): 2007&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Estúdio: O2 Filmes / Laroux Cine / Chaya Films &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Direção: César Charlone e Enrique Fernández&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Roteiro: César Charlone e Enrique Fernández&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Produção: Elena Roux &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Música: Luciano Supervielle e Gabriel Casacuberta &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Fotografia: César Charlone&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Direção de Arte: Ines Olmedo &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Figurino: Alejandra Rosasco &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Edição: Gustavo Giani&lt;/em&gt;&lt;a name="Elenco"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Elenco: César Trancoso (Beto), Virginia Mendez (Carmen), Virginia Ruiz (Sílvia), Mario Silva (Valvulina), Henry de Leon (Nacente), Jose Arce (Tica), Nelson Lence (Meleyo), Rosario dos Santos (Teresa), Alex Silva (Gordo Luna), Baltasar Burgos (Capitão Alvarez), Carlos Lerena (Soldado).&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Março de 2008&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-1664089560539573886?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/1664089560539573886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=1664089560539573886&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/1664089560539573886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/1664089560539573886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2008/04/melo-uma-pequena-cidade-uruguaia-na.html' title='O BANHEIRO DO PAPA.'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/R_RZDjgMmuI/AAAAAAAAAAs/oF021kKaqvw/s72-c/banheirodopapa_02%2520capa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-6678023633612913689</id><published>2008-03-12T16:52:00.000-03:00</published><updated>2008-03-12T17:14:37.824-03:00</updated><title type='text'>A SESSÃO DA TARDE E A HISTÓRIA DO CINEMA PAULISTANO - a evolução do entretenimento na sétima arte.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/R9g5itamRTI/AAAAAAAAAAc/t2JSKCDC4Kg/s1600-h/sess%C3%A3o+da+tarde.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5176951040131876146" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/R9g5itamRTI/AAAAAAAAAAc/t2JSKCDC4Kg/s400/sess%C3%A3o+da+tarde.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nas suas origens nos anos 70 e 80, a Sessão da Tarde tinha um significado muito diferente do atual.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se as novas gerações julgam que &lt;em&gt;Os Goonies, O Rapto do Garoto Dourado, Curtindo a Vida&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Adoidado, De Volta para o Futuro, Karatê Kid. A Lagoa Azul&lt;/em&gt; são clássicos da Sessão da Tarde, eles estão certos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porém, desconhecem uma fase anterior da Sessão da Tarde, bem diferente da atual, ocorrida nos anos 70 e início dos anos 80.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não existia VHS muito menos DVD, e TV paga era coisa de ficção científica. As salas de cinema tinham um conceito muito diferente do atual.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A localização das salas de cinema paulistanas era no centro da cidade, e havia algumas poucas nos centros regionais dos bairros. Ainda não existiam os Shoppings.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O tamanho e padrões de funcionalidade também eram diferentes. O público chamava pejorativamente as salas mais pequenas de “caixinhas de fósforo”, mas estas salas não tinham menos de 300 lugares – enormes para os padrões atuais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As salas mais badaladas costumavam ser tão grandes que várias delas se orgulhavam de ter uma, ou até duas platéias suspensas além da platéia principal, que já não era pequena. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Recordo-me das inúmeras sessões de assisti nos anos 70 no extinto Cine Universo, localizado num dos principais clusters cinematográficos da cidade de São Paulo: a avenida Celso Garcia, na região central. Seus vizinhos eram o Cine Bruni (depois, Cine Brás), Roxy, Fontana I e II, Piratininga – hoje, num único shopping, você pode encontrar um número de salas muito mais elevado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Cine Universo era tão grande que possuía platéia suspensa e uma particularidade: teto solar com clarabóia circular; não recordo o tamanho com exatidão, mas acho que era algo em torno de 50 metros de diâmetro que era aberta em dias de muito calor, já que os sistemas de ar condicionado da época além de custosos eram pouco eficientes para grandes recintos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Havia ainda as salas que se distribuíam pelos centros regionais de São Paulo, tais como o Amazonas na Vila Prudente, Ouro Verde e Patriarca na Moóca, Aladim e Japi no Tatuapé. Havia ainda cinemas nas regiões de Santo Amaro, Penha e Lapa entre outros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Naquela época os lançamentos ocorriam em número bem menor que atualmente. Grandes produções da época como &lt;em&gt;Superman&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Guerra nas Estrelas&lt;/em&gt; de 1977 aconteciam apenas uma ou duas vezes ao ano.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Havia as sessões exclusivas, com filmes diferentes do principal em cartaz, as quais ocorriam no meio da tarde para atender o público infanto-juvenil. Eram as famosas matinês. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os costumes da época eram bem diferentes. A censura moral era rígida. O juizado de menores fiscalizava com rigor as salas. Cenas hoje corriqueiras usadas até em comerciais exibidos em qualquer horário na TV aberta, como beijos ardentes ou moças de biquíni eram suficientes para se fixar a censura de um filme em 18 anos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na entrada, funcionários exigiam com rigor a apresentação de documentos de identidade aos freqüentadores. Como lei é lei, se você comparecesse na véspera de completar 18 anos, com certeza ia ter que voltar para casa sem diversão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A fiscalização do juizado de menores (hoje conselho tutelar) era intensa e severa. Um flagrante podia ter conseqüências drásticas para a sala, que iam desde multas pesadas, interdição da sala ou mesmo a prisão dos proprietários. Isso sem falar que a ocorrência de um caso assim afastaria o público da sala, que seria classificada como “antro de imoralidade” ou “pulgueiro mal administrado”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E pasme: ainda havia casos de limites de censura fixados em 21, ou até 25 anos, raros mas não impossíveis. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A rigidez da censura era tanta que há de se considerar tais fatores lembrando do fato de que filmes com cenas de sexo explícito ou de violência em alto grau de realismo eram coisa vista somente de forma clandestina, geralmente por fechados grupos de pessoas que possuíam recursos financeiros para possuir seu próprio projetor e acesso ao tráfico de material pornográfico, que era ilegal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para se freqüentar uma sala requintada do centro, como o foram os Cines Marabá, Ipiranga, Marrocos e Anchieta entre outros, era necessário estar “adequadamente trajado” – entenda-se: terno e gravata para homens e vestido abaixo dos joelhos e decotes discretos para as mulheres. Caso contrário, a entrada era barrada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A decoração das salas de cinema mais badaladas era extremamente requintada, incluindo painéis artísticos nas paredes e primorosos projetos de design para ambientes internos de alto luxo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não podemos deixar de falar dos famosos lanterninhas, que eram uma espécie de recepcionista, geralmente uniformizado no estilo de atendentes de hotéis de luxo. Portava um farolete (daí o nome) e tinha por função recepcionar os freqüentadores e conduzi-los aos lugares mais confortáveis, ou acompanhá-los caso quisessem se ausentar da sala por algum motivo, para que não sofressem algum tipo de acidente e para minimizar o estorvo aos demais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Durante as matinês, os lanterninhas se transformavam em bedéis que zelavam pela disciplina das crianças e adolescentes, garantindo uma exibição confortável e tranqüila sem estorvos, já que era comum grupos de adolescentes prepararem traquinagens que complementavam sua diversão no cinema, sendo as mais “clássicas”: o chiclete grudado na poltrona que sujava a roupa do próximo a se sentar ali, as bolinhas de papel atiradas nos espectadores mais concentrados, as vaias e versinhos sacanas cantarolados durante as cenas mais polêmicas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As pessoas iam aos cinemas para ali ficar por pelo menos quatro horas ou mais, já que as sessões costumavam exibir dois filmes: sempre alguma reprise ou produção de segunda linha, seguida pelo filme principal. Além disso, as grandes produções dos anos 50, 60 e 70 costumavam ultrapassar três horas de exibição, como no exemplo de clássicos de estupendo sucesso como Ben Hur e Dr. Jivago entre outros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não somente a sessão era dupla, mas também no intervalo entre os longas eram exibidos curtas, geralmente de produção nacional dada a lei protecionista que a isso obrigava as salas. Nesta questão, é impossível não se recordar dos maravilhosos cinejornais do Primo Carbonari, em especial das suas espetaculares reportagens futebolísticas as quais até hoje são apreciadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em resumo: o contato do público com a sétima arte era bem mais intenso e diversificado que hoje... assim como era bem mais controlado pelo poder público.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era usual lançar mão das reprises, algo totalmente impensável para as salas de hoje. Por exemplo, eu cheguei a assistir por umas duas ou três vezes além do lançamento, a reprise de &lt;em&gt;Guerra nas Estrelas&lt;/em&gt; no cinema, que várias vezes voltou ao cartaz em algumas salas nos dez anos subseqüentes ao lançamento. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cheguei a assistir reprises nos anos 80 de filmes PB produzidos nos anos 50 e 60, como &lt;em&gt;Marcelino Pão e Vinho e Dio Come Ti Amo&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, para um filme ir para a TV, já devia estar “bem batido” no cinema; por exemplo, o megaclássico &lt;em&gt;Os 10 Mandamentos&lt;/em&gt; dos anos 60 só foi para a TV nos anos 80, depois de ter sido reprisado a fartar nos cinemas... e chegou na TV não como um filme qualquer para tapar buraco num horário de pouca audiência, mas como uma super atração a ser exibida em data e horário especiais com forte aparato de divulgação. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isso nos mostra como a força das obras cinematográficas era bem maior e menos banalizada que hoje.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na segunda metade dos anos 80, o mercado cinematográfico começou a assumir novas características com o incremento dos meios de comunicação, o advento dos shoppings que alteraram significativamente o conceito de sala de exibição, e o surgimento do VHS.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O fim da ditadura militar afrouxou a censura, já que todo aquele aparato descrito acima tinha como objetivo mais a censura política que moral.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O advento da pornochanchada com sua pseudo-pornografia abriu as portas para a banalização do gênero sexo explícito que disparou em produções nacionais e depois estrangeiras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O lançamento dos eróticos &lt;em&gt;Calígula&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O Império dos Sentidos&lt;/em&gt; nos anos 80, obras de conotação erótica, porém de sólido fundamento cinematográfico, serviram de argumento para os produtores nacionais obterem anuência do poder público. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi o início de uma época de radicais mudanças e de decadência nos formatos tradicionais das salas de cinema.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para sobreviver, as salas regionais tiveram que aderir rapidamente sessões duplas de pornografia + produções orientais thrash que banalizavam as artes marciais, baixando significativamente o preço dos ingressos, atraindo assim um público composto basicamente de pessoas de baixa instrução e pouco poder aquisitivo, do sexo masculino.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As salas centrais conseguiram resistir um pouco mais ao fenômeno, mas não por muito tempo, inclusive incluindo em suas programações pseudo-espetáculos teatrais de sexo explícito ao vivo, ampliando a decadência e o alcance da famosa &lt;em&gt;boca do lixo&lt;/em&gt;, região de prostituição do centro de São Paulo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após esta fase, muitas dessas antigas salas transformaram-se no final dos anos 80 em estacionamentos ou igrejas evangélicas, até terem seu projeto arquitetônico demolido ou modificado para outros fins.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As tradicionais salas Ipiranga e Marabá, na avenida Ipiranga, imediações da Praça da República no Centro Novo Paulistano foram as que mais heroicamente resistiram à nova tendência, estendendo até os anos 90 a oferta de uma programação de qualidade, incluindo lançamentos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Explicado então como era o cinema da época, e visto um breve histórico das transformações no consumo cinematográfico, voltemos à Sessão da Tarde, cuja relação com o cinema está no fato de que ela era uma das principais alternativas para se ter acesso ao cinema a baixo custo, e sem os apelos e prazos de cunho comercial que o mercado impõe nos dias de hoje, dada a concorrência da TV paga, e do DVD, sucessor tecnológico do VHS.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Havia filmes famosos, que muitos desejavam assistir ou mesmo rever, pelos quais esperava-se pacientemente a exibição na TV aberta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sinônimo de "reprise da reprise da reprise", os filmes iam para a Sessão da Tarde só após terem sido exibidos pela primeira vez na TV nas noites de sábado, pontualmente às 21 horas. Era a sessão &lt;em&gt;Primeira Exibição&lt;/em&gt;, que marcou época na Globo e pode ser considerada a precursora da sessão &lt;em&gt;Tela Quente&lt;/em&gt;. A mudança de dia e horário ocorreu justamente por causa das mudanças dos costumes e no comportamento do público.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desta fase à qual me refiro podemos destacar alguns clássicos - entenda-se, filmes exibidos e reprisados a fartar sem reclamação do público. São alguns deles:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As adaptações de Julio Verne: &lt;em&gt;Viagem ao Centro da Terra, Volta ao Mundo em 80 Dias e Robour, o Conquistador.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As produções que exploraram o sucesso de Elvis Presley nos anos 50 e 60 como: &lt;em&gt;Saudades de um Pracinha, Garotas, Garotas, Garotas, Feitiço Havaiano.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Garoto da Bolha de Plástico&lt;/em&gt;, primeiro sucesso de John Travolta, então um adolescente anterior aos &lt;em&gt;Embalos de Sábado à Noite e Grease.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No Tempo dos Dinossauros&lt;/em&gt;, um &lt;em&gt;Jurassic Park&lt;/em&gt; dos anos 60.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os pastelões de Jerry Lewis, o indiscutível inspirador do comediante Jim Carrey, em filmes como: &lt;em&gt;Ou Vai ou Racha e Rabo de Foguete.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Infanto-juvenis que encantam gerações como: &lt;em&gt;Ali Babá e os 40 Ladrões&lt;/em&gt;; longas de animação como &lt;em&gt;Alakazan &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;O Príncipe e o Dragão de Oito Cabeças&lt;/em&gt; (Suzano), clássica adaptação de um conto japonês.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Algumas produções nacionais, especialmente as de Renato Aragão e os Trapalhões (na sua formação mais clássica), como &lt;em&gt;Simbad e o Marujo Trapalhão e As Minas do Rei Salomão&lt;/em&gt;; infantis americanos como &lt;em&gt;Os Cinco Mil Dedos do Dr. T. e O Mágico de Oz&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso sem contar as dezenas de westerns como Assim Caminha a Humanidade e filmes de guerra como Tora Tora Tora ou raridades como A Lenda da Estátua Nua.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Clássicos que tiveram remake filmados recentemente, como &lt;em&gt;A Máquina do Tempo, Pearl&lt;/em&gt; e... o considerado clássico dos clássicos da sessão da tarde: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;A Fantástica Fábrica de Chocolate&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Procurei muito e as citações desta época da Sessão da Tarde na web são raras. Talvez porque a geração que vivenciou isso, hoje com mais de 40 anos, infelizmente não está digitalmente incluída em sua maioria.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enfim, estudar a história da Sessão da Tarde tranqüilamente daria uma tese acadêmica sobre a percepção do cinema e entretenimento no Brasil.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Douglas Gregorio::&lt;br /&gt;Março de 2008.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-6678023633612913689?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/6678023633612913689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=6678023633612913689&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/6678023633612913689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/6678023633612913689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2008/03/sesso-da-tarde-e-histria-do-cinema.html' title='A SESSÃO DA TARDE E A HISTÓRIA DO CINEMA PAULISTANO - a evolução do entretenimento na sétima arte.'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/R9g5itamRTI/AAAAAAAAAAc/t2JSKCDC4Kg/s72-c/sess%C3%A3o+da+tarde.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-671480280070000923</id><published>2007-08-15T00:50:00.000-03:00</published><updated>2007-08-15T00:55:53.470-03:00</updated><title type='text'>O FENÔMENO DA INTERNET</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/RsJ5Hcb78nI/AAAAAAAAAAU/Pa_CZBIVMiY/s1600-h/6840.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098770896936235634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/RsJ5Hcb78nI/AAAAAAAAAAU/Pa_CZBIVMiY/s400/6840.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A internet é mesmo um fenômeno.&lt;br /&gt;Uma jovem senhora grava um videoclip onde, de forma romântica, sugere que seu vizinho rabugento pratique sodomia passiva, e em questão de horas transforma-se no maior fenômeno de mídia dos últimos tempos.&lt;br /&gt;Tá, eu sei, dá vontade de mandar, mas contenha-se.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-671480280070000923?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/671480280070000923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=671480280070000923&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/671480280070000923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/671480280070000923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2007/08/o-fenmeno-da-internet.html' title='O FENÔMENO DA INTERNET'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/RsJ5Hcb78nI/AAAAAAAAAAU/Pa_CZBIVMiY/s72-c/6840.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-5988160510467575641</id><published>2007-06-15T01:07:00.000-03:00</published><updated>2008-04-03T01:09:39.997-03:00</updated><title type='text'>TAXI DRIVER</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;a href="http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/taxi-driver/taxi-driver03.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O que dizer, portanto, das inter-relações dentro do formigueiro?&lt;br /&gt;Tubarões devoram seus irmãos dentro do útero materno. Formigas devorariam também seus irmãos?&lt;br /&gt;Que animal é esse o qual não raro goza de prazer ao torturar seu semelhante?&lt;br /&gt;Ta bom, descobri a América né?! Nunca falaram nisso né?!&lt;br /&gt;Sempre falaram, mas sempre o fizeram.&lt;br /&gt;É que já estou cansado de colocar gelo em meus hematomas.&lt;br /&gt;Não tenho outra opção senão continuar vivendo, custe o que custar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abril de 2007.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/taxi-driver/taxi-driver03.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-5988160510467575641?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/5988160510467575641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=5988160510467575641&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/5988160510467575641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/5988160510467575641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2007/06/taxi-driver.html' title='TAXI DRIVER'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-6525416741470351629</id><published>2007-06-15T00:45:00.000-03:00</published><updated>2007-06-15T01:22:18.798-03:00</updated><title type='text'>O ESCARAVELHO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.geocities.com/magiadourada/scarab.gif"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.geocities.com/magiadourada/scarab.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Acredito que o raciocínio dos egípcios antigos a respeito do culto do escaravelho tenha relação com o processo de mumificação.&lt;br /&gt;O coração era retirado antes de que se procedesse o processo propriamente dito, embalsamado e colocado num pequeno vaso especial, sagradíssimo.&lt;br /&gt;Assim, para que a vida continuasse, outro coração vivo precisava substituí-lo.&lt;br /&gt;O escaravelho representava Kepher, o deus do poder invisível da criação, e assim como ele empurra a bola de esterco a qual dará origem à nova vida, em seus ovos que ali seriam depositados, Kepher era aquele que epurrava pela abóbada celeste o provedor da vida, Rá, o sol.&lt;br /&gt;Assim, o escaravelho sagrado substituindo o coração não somente representava a proteção do morto em sua jornada no mundo subterrâneo, como também seria a garantia de uma nova vida e existência.&lt;br /&gt;O conjuro mágico do Livro dos Mortos sobre o escaravelho sagrado que era colocado no lugar do coração do morto era o seguinte: &lt;em&gt;Sou Toth, inventor e fundador da medicina e das letras. Vinde a mim, tu que estás embaixo da terra. levanta-te para mim, tu, grande espírito.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.geocities.com/magiadourada/scarab.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://magiadooriente.vilabol.uol.com.br/scarab_small.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-6525416741470351629?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/6525416741470351629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=6525416741470351629&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/6525416741470351629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/6525416741470351629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2007/06/o-escaravelho.html' title='O ESCARAVELHO'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-1923352217614599913</id><published>2007-06-15T00:38:00.000-03:00</published><updated>2008-04-03T01:10:11.625-03:00</updated><title type='text'>PROZAC VIRTUAL</title><content type='html'>&lt;a href="http://daily.greencine.com/archives/prozac-nation-teaser.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Caminhos da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruas que se cruzam sem mão de direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperança perdida das ondas cibernéticas que estão acima de real e virtual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Múltipla confusão pós-moderna de liberdades, identidades, mais desigualdades que igualdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A torrada no café em suas relações com o aquecimento global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Maio de 2007.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-1923352217614599913?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/1923352217614599913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=1923352217614599913&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/1923352217614599913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/1923352217614599913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2007/06/prozac-virtual.html' title='PROZAC VIRTUAL'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-117583615664264569</id><published>2007-04-06T02:04:00.000-03:00</published><updated>2007-06-15T01:23:20.973-03:00</updated><title type='text'>BRAGUINHA - 100 ANOS.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2168/648/1600/315705/Rio05_011.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2168/648/320/53497/Rio05_011.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Caro leitor, você que foi criado no Brasil certamente, ao longo de sua vida, deve ter ouvido algumas músicas como: “Chiquita Bacana lá da Martinica, se veste com uma casca de banana nanica” ou então “ Capelinha de melão, é de São João, é de cravo, é de rosa é de manjericão”, e mais: “Euuuu fui às touradas de Madri parará tim bum bum bum”... sem falar naquela: “Adeus amor eu vou partir e nunca mais voltaaarrr”...&lt;br /&gt;E quando criança você deve ter brincado cantando: “Pirulito que bate bate, pirulito que já bateu”... e deve ter visto aqueles desenhos da Disney, como Branca de Neve em que os anões cantam: “Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou” e também deve ter visto os três porquinhos provocativos: “Quem tem medo do lobo mau, lobo mau, lobo mau?!”&lt;br /&gt;Quando você estava na escola ouviu sua professora contar a história da Dna. Baratinha e cantar: “Quem quer casar com a Dna. Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?”? Ou chegou a “pular carnaval” ainda ao som das tradicionais marchinhas como “Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro e da cara de mau!” ou ainda “A Estrela Dalva... e as pastorinhas...”&lt;br /&gt;Alguém se lembra da Gal Costa cantando: “Um balancê, balancê... quero dançar com você, entra na roda morena pra ver, um balancê balancê!”&lt;br /&gt;E o recente sucesso do cantor sertanejo Leonardo: “E veste a calça Saint Tropez e deixa o umbiguinho de fora...” e que namorada não sonhou com seu amado lhe cantando, Carinhoso: “Meu coração, não sei por que, bate feliz, quando te vê!”&lt;br /&gt;Chapeuzinho Vermelho cantava: “Pela estrada afora eu vou bem sozinha, levar estes doces para a vovozinha!”&lt;br /&gt;Bem, depois de tantas lembranças, de músicas tão diferentes, de épocas tão distantes umas das outras, você deve estar perguntando o porque de tudo isso. Porque o importante é saber o que elas todas têm em comum, além de serem todas elas sem exceção músicas de muito bom gosto, muito bem feitas, que fizeram bastante sucesso e se tornaram parte da cultura musical brasileira, sendo da memória e conhecimento de todo o nosso povo... elas simplesmente têm em comum ter atrás de sí o compositor BRAGUINHA, que estaria completando 100 anos no final do mês de março de 2007 se não tivesse falecido no natal do ano passado.&lt;br /&gt;Ao contrário da maioria das lendas cariocas da MPB, Braguinha não teve sua origem nos morros do Rio. Nascido no seio de uma família de classe média, abandonou a carreira de arquiteto para dedicar-se à sua paixão, a música.&lt;br /&gt;Como na primeira metade do século XX era ultrajante para um pequeno burguês viver da música popular, ele e outros parceiros seus da época decidiram adotar pseudônimos de passarinhos. Foi justamente aí que o jovem Carlos Alberto Ferreira Braga ficou conhecido como o “João de Barro”. Por que justamente o João de Barro? Ora, não era ele um ex-arquiteto? E qual pássaro também é construtor de casas?!&lt;br /&gt;Nos anos 30, Braguinha forma com seus amigos (entre eles Noel Rosa) sua banda, chamada de “Bando dos Tangarás”, tendo como vocalista o “Almirante” que mais tarde veio a tornar-se seu cunhado.&lt;br /&gt;Como vimos, não somente a música popular trás consigo o legado de Braguinha, mas também o cinema. Foi ele o responsável por diversas dublagens e versões importantes para diversos filmes estrangeiros e trilhas para filmes nacionais.&lt;br /&gt;Diversos filmes da Disney como Bambi, Dumbo, Pinóquio além dos já citados tiveram a chancela de Braguinha.&lt;br /&gt;Quem viveu a infância nos anos 60 e 70 certamente deve se lembrar daqueles pequenos compactos de vinil colorido que traziam consigo diversas canções infantis e narrações de histórias, da coleção “Disquinho”... sim, isso mesmo, Braguinha estava por detrás destas produções.&lt;br /&gt;Não tão conhecidos como seus trabalhos musicais, Braguinha foi diretor e roteirista da Cinédia.&lt;br /&gt;Exemplo de gênio artístico, versátil e indiscutivelmente bem sucedido dados os sucessos que sobram ao longo de sua obra, a cultura brasileira pode se orgulhar de ter entre suas estrelas o brilho de Braguinha. Parceiro de mitos como Noel Rosa, Charles Chaplin (isso mesmo, você leu direitinho, o próprio Carlitos), do médico homeopata Alberto Ribeiro que foi seu melhor amigo e parceiro ao longo da vida, a influência de Braguinha estende-se pelas décadas posteriores à sua aposentadoria.&lt;br /&gt;Grandes estrelas da MPB do presente e do passado foram influenciadas pela obra de Braguinha, tais como Orlando Silva, Carmem Miranda, Gal Costa, Leonardo, João Bosco, Elis Regina entre diversos outros.&lt;br /&gt;E como podemos encerrar esta homenagem? Cantando? Boa idéia... mas o que? É muuuita coisa... “Chegou, a turma do funil... ha ha ha ha, mas ninguém dorme no ponto!”... “Loirinha, loirinha, seus claros olhos de cristal... desta vez ao invés da moreninha serás a rainha do meu carnaval!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abril de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foto: monumento a Braguinha, no Rio de Janeiro, em foto de minha autoria de 2005, próximo ao túnel do Leme.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Links:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://braguinha.ag.com.br/"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://braguinha.ag.com.br/&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.mpbnet.com.br/musicos/braguinha/"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.mpbnet.com.br/musicos/braguinha/&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.samba-choro.com.br/artistas/braguinha"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.samba-choro.com.br/artistas/braguinha&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Alberto_Ferreira_Braga"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Alberto_Ferreira_Braga&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-117583615664264569?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/117583615664264569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=117583615664264569&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/117583615664264569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/117583615664264569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2007/04/braguinha-100-anos.html' title='BRAGUINHA - 100 ANOS.'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-116911248466626487</id><published>2007-01-18T07:18:00.000-02:00</published><updated>2008-08-18T03:08:38.589-03:00</updated><title type='text'>A ÉTICA NA COMUNICAÇÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.zerofora.hpg.ig.com.br/imagens/etica%20privada.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um comentário que começa a partir de uma definição objetiva dos conceitos de ética e moral, as principais influências em nossa cultura e o comportamento dos meios de comunicação hoje.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ética e moral – conceitos.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A primeira vista e segundo o senso comum, ética e moral aparecem como termos sinônimos. Porém, para que possamos discutir o conceito de ética de forma mais completa, torna-se necessário aprofundar este significado do modo como ele aparece na tradição filosófica ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos partir então do estabelecimento da diferença entre os conceitos dualistas bem e mal de um lado, e bom e mau de outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa prova ginasiana seríamos elogiados pelo professor de língua e literatura se explicássemos a diferença falando que os primeiros dizem respeito a substantivos, e os segundos a adjetivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar desta significação básica e gramatical dos conceitos lançarem uma pista para aquilo no qual queremos chegar, ainda não é o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos então nos cercar nesta pista gramatical – enquanto substantivos podem ocupar a posição de sujeito da oração, os adjetivos forçosamente são predicados, ou seja, qualidades aplicáveis a determinados sujeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez sendo sujeito pressupõe-se que se trata de uma entidade autônoma ao nosso conhecimento, enquanto o segundo, predicado, não tem sentido se não aplicável ao primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, bem e mal estão nos domínios da moral na medida em que são aplicáveis a princípios universais da cultura que regem julgamentos e comportamentos – princípios transcendentes por independerem de situações específicas e circunstanciais para serem aplicados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ética, por sua vez, está no domínio do bom e do mau, da relatividade imanente ao sujeito em questão, ou seja, se efetivam em situações específicas e circunstancias.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Reflexão moral – legítima quando decorre de uma ação não coagida.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A reflexão moral, portanto, partindo do postulado acima, leva-nos à seguinte conclusão: ela surge de um acordo entre as partes que acatam princípios morais universalizando-os, pelo menos no tocante ao universo daqueles que culturalmente adotam uma codificação moral em comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que diz respeito à civilização ocidental, temos então um panorama histórico de reflexões sobre a essência da moral a qual passamos a discorrer de forma resumida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Platão, um dos mais completos estudiosos da cultura ocidental, a moral é aquilo que você não faria mesmo que fosse invisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na idade média, os filósofos parecem ter centrado a questão ética sobre a polêmica entre vontade divina e livre-arbítrio. Institucional e politicamente o debate recaia sobre quem teria o direito de interpretação da vontade divina, debate este que antecedeu o movimento reformista e a contra-reforma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na modernidade, a reflexão ética recaiu sobre a universalidade das decisões morais, como podemos observar em Espinosa, Descartes, Kant e outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kant desenvolveu uma teoria que até os dias de hoje, provavelmente é a mais influente: a teoria do Imperativo Categórico, que diz respeito a uma fórmula universalista de definição dos critérios morais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na contemporaneidade, Nietzsche colocou em cheque a universalidade dos imperativos morais; ainda mais recentemente, Adolfo Sanches Vasquez, pensador mexicano de linha marxista considerou a ética como a ciência da moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, parece que esta discussão iniciada na modernidade perdura pela contemporaneidade – qual o critério de definição dos imperativos morais e quem tem legitimidade de estabelecer tais critérios?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ética na comunicação&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sobre o tema ética na comunicação, a discussão objetiva o estudo sobre os efeitos que as mensagens exercem sobre seus receptores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre então na comunicação hoje um procedimento de cunho pragmático: o valor moral não depende da ação em si, mas sim dos efeitos produzidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um conflito na comunicação Pode-se observar entre as concepções kantianas nos quais a ação em si é julgada, e a concepção maquiaveliana, onde “os fins justificam os meios”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meios de comunicação de massa exercem um procedimento de leitura da realidade onde a linha entre o ético e o cínico encontram uma tênue divisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso pode ser explicado na medida em que analisamos os procedimentos jornalísticos vigentes nos dias atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ocorre é a filtragem que transforma a media agenda em public agenda. Media agenda trata-se de todo o levantamento de fatos encaminhados aos agentes decisores da editoração que selecionarão o que vai compor a public agenda – aquilo que será publicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é a legitimidade que as chefias de editoração dos departamentos jornalísticos dos meios de comunicação de massa possuem para exercerem o papel de juízes que farão a leitura do real traduzida naquilo que vai ao ar, e da forma que vai ao ar: quais os ênfases, quais os enfoques, quais as prioridades, qual a distribuição e classificação das notícias?! E principalmente, quais os critérios utilizados?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, existe também a postura ética do receptor das mensagens nos meios de comunicação de massa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma polêmica ocorre entre os estudiosos do tema: a audiência em si assume uma postura passiva, absorvente, e vulnerável diante dos meios de comunicação de massa, ou possui senso crítico desenvolvido o suficiente para descartar e mesmo reagir a respeito daquilo que os meios procuram transmitir?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, esta polêmica ao que parece encontra uma solução na seguinte constatação: a de que os meios por si só não possuem poder de definir a opinião de forma absoluta, integrando sim uma rede de fatores que o fazem, mas não de forma independente e isolada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa limitação dos efeitos da mídia teria uma dupla causa: de um lado, a existência de uma rede de comunicações interpessoais que concorrem na produção e principalmente na difusão de informações e, de outro, os mecanismos seletivos que cada receptor coloca em prática e que condicionam a sua exposição, atenção, percepção e retenção da mensagem recebida.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9098027#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9098027#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Barros Filho, C. / ÉTICA NA COMUNICAÇÃO / São Paulo, Moderna, 1997 – p. 127.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-116911248466626487?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/116911248466626487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=116911248466626487&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/116911248466626487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/116911248466626487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2007/01/tica-na-comunicao.html' title='A ÉTICA NA COMUNICAÇÃO'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-116911129077072789</id><published>2007-01-18T06:46:00.000-02:00</published><updated>2007-04-09T11:04:51.546-03:00</updated><title type='text'>Matrix - A Trilogia Revolucionária.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Texto apresentado como dissertação final avaliativo do curso de Estética dos Meios de Comunicação no curso de pós-graduação lato sensu em Gestão de Comunicação sob orientação da profa. dra. Cristina Costa. - 2005, na ECA-USP. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Muito mais completo e aprofundado, trás estudos sistemáticos do significado cultural e artístico de Matrix, seus símbolos e conceitos, bem como informações técnicas sobre o filme.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2168/648/320/725876/matrix-poster02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Por que falar sobre Matrix?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Questionamentos sobre a religião, racionalidade e ciência são temas altamente debatidos ao longo do roteiro dos irmãos Wachovsky, roteiristas e diretores.&lt;br /&gt;A crítica é dividida. Alguns elogiam o debate filosófico do filme; outros dizem que a trilogia é pseudo-filosófica.&lt;br /&gt;Acredito que o conteúdo reflexivo do filme é realmente exagerado dado o caráter comercial da produção. Porém, é justamente através deste exagero das reflexões que o filme apresenta ao público uma linguagem até então inédita no cinema: o espectador é preso a uma trama a qual, mesmo sem entender seu sentido, pode perceber o intenso movimento que lá ocorre, gerando assim a catarse responsável em parte pelo sucesso do filme, um bom motivo para se falar de Matrix, experiência bem sucedida de conciliação entre consumo e reflexão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O primeiro contato – estranhamento e fascínio.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando pela primeira vez entrei no cinema para assistir Matrix, foi comum, ao sair, ouvir as pessoas dizendo: não entendi nada.&lt;br /&gt;Nas duas seqüências da trilogia o fato se repetiu.&lt;br /&gt;Julgo que estas pessoas não deixam de ter razão. Os debates filosóficos são muito densos nesta trilogia.&lt;br /&gt;A pessoa que comigo estava pediu para acompanhá-la até o lado de fora da sala de projeção, pois não estava se sentindo bem.&lt;br /&gt;Ao sairmos, percebi que várias outras pessoas acometidas de náuseas também se retiraram da sala de projeção. Perguntei-me: que estranha catarse seria aquela?!&lt;br /&gt;O que é a verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma soma de relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias: as verdades são ilusões, das quais se esqueceu o que são, metáforas que se tornaram gastas e sem força sensível, moedas que perderam sua efígie e agora só entram em consideração como metal, não mais como moedas.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=9098027&amp;postID=116911129077072789#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Parece que finalmente esta inquietação surgida nos tempos do curso de graduação haviam encontrado uma... “tradução” por assim dizer numa linguagem artística contemporânea na era da informática.&lt;br /&gt;As recordações eram muitas, e senti-me tomado de um excitante turbilhão de idéias o qual dava-me a certeza de que minhas inquietações de jovem estudante não eram extravagâncias excêntricas, mas que encontravam eco numa outra instância, num outro momento, numa outra linguagem, numa outra forma de comunicar.&lt;br /&gt;Mas, ainda que os sentidos nos enganem às vezes, no que se refere às coisas pouco sensíveis e muito distantes, encontramos talvez muitas outras, das quais não se pode razoavelmente duvidar, embora as conhecêssemos por intermédio deles: por exemplo, que eu esteja aqui, sentado junto ao fogo, vestido com um chambre, tendo este papel entre as mãos e outras coisas desta natureza. E como poderia eu negar que estas mãos e este corpo sejam meus? A não ser, talvez, que eu me compare a esses insensatos, cujo cérebro está de tal modo perturbado e ofuscado pelos negros vapores da bile que constantemente asseguram que são reis quando são muito pobres (...) Mas quê? São loucos e eu não seria menos extravagante se me guiasse por seus exemplos.&lt;br /&gt;Todavia, devo aqui considerar que sou homem e, por conseguinte, que tenho o costume de dormir e de representar, em meus sonhos, as mesmas coisas, ou algumas vezes menos verossímeis que estes insensatos em vigília. Quantas vezes ocorreu-me sonhar, durante a noite, que estava neste lugar, que estava vestido, que estava junto ao fogo, embora estivesse inteiramente nu dentro do meu leito?&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=9098027&amp;amp;postID=116911129077072789#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Assisti ao filme pelo menos umas cinco vezes nos cinema. No vídeo... impossível contar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=9098027&amp;postID=116911129077072789#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Nietzsche, F. / Sobre a Verdade e a Mentira no Sentido Extra-moral / 4ª / Trad. R.R. Torres Filho / Nova Cultural, São Paulo 1987. p. 34.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=9098027&amp;amp;postID=116911129077072789#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Descartes, R. / Meditações / 4ª / Trad. J. Guinsburg e B. Prado Jr. / Nova Cultural, São Paulo, 1987-1988 – p. 18.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Os irmãos invisíveis.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Eles eram conhecidos apenas como "the boys", porém, os aficionados do cinema hoje os consideram “invisíveis”. São eles os irmãos Larry e Andy Wachowski diretores e roteiristas que conceberam Matrix, que assim são considerados por evitarem a imprensa o máximo possível.&lt;br /&gt;A influência de Stanley Kubrick sobre os mesmos é inegável.&lt;br /&gt;Os misteriosos "the boys", Larry 37 anos, e Andy, 35, em 1999, quando explodiu o fenômeno "Matrix", tinham feito "Bound" em 1996, cuja temática seria o lesbianismo.&lt;br /&gt;Depois do fenômeno, disseram que não tinham nada a acrescentar aos seus filmes, que eram filmes de ação destinados "a fazer as pessoas pensar".&lt;br /&gt;Filhos de intelectuais de origem polonesa, foram educados numa escola especial para alunos superdotados.&lt;br /&gt;A geração à qual pertencem, legitimou aspectos da cultura sem aquela hierarquização clássica dos frankfurtianos, consumindo desde mangás japoneses até Rambo, ou ainda na perspectiva da latinidade, conciliando o sertanejo com a inserção no mundo da virtualidade iniciado com os videogames na infância – não existe diferença entre alta e baixa cultura.&lt;br /&gt;Essa característica, pretenciosa e arrogante como são os adolescentes desta geração, misturou na concepção de Matrix a profundidade da filosofia ocidental clássica com a dinâmica estética dos filmes de ação hollywoodianos. Dizem eles: "Gostamos dos filmes de ação, de kung-fu, e de todos os filmes de gênero. Queremos apenas que eles sejam mais inteligentes".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O conflito entre o homem e a máquina, razão e emoção.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A trilogia Matrix – Matrix (1999), Matrix Reloaded (2003) e Matrix Revolutions (2003) - lança mão de dois temas básicos.&lt;br /&gt;O primeiro fala sobre o domínio do homem pela sua criação: a máquina.&lt;br /&gt;O tema não é inédito, pois já havia sido explorado em "Blade Runner, o Caçador de Andróides", outro filme altamente filosófico, e antes ainda, por Isaac Asimov em seu clássico “Eu, robô” escrito no início da segunda metade do século XX, logo após a segunda guerra mundial, onde nos alertava sobre um provável futuro no qual as máquinas assumiriam independência com relação ao seu criador, o Homem, se rebelariam e o dominariam.&lt;br /&gt;Ainda dentro do tema, é impossível não se lembrar do famoso computador “HAL” de “2001, uma Odisséia no Espaço”, filme dos anos 70 dirigido pelo consagradíssimo Stanley Kubrick, com suas imagens e linguagem alta e profundamente filosóficas, no qual HAL assume sua subjetividade e rebela-se contra aqueles que, apesar de tê-lo criado, o subjugam... sim, HAL sentiu-se subjugado, deprimiu-se, raciocinou e agiu.&lt;br /&gt;O segundo tema é o da discussão sobre a nossa percepção da realidade: o que é real?&lt;br /&gt;O que é real para mim, pode não ser para você...&lt;br /&gt;E os nossos dementes, vivem eles num mundo irreal? Afinal de contas, não são seres racionais, assim... seriam eles humanos?!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Matrix tornou-se por assim dizer a produção americana mais influente em toda posterioridade da ficção científica, uma vez que seu roteiro mergulha o espectador num emaranhado quebra-cabeças a partir do qual as próprias dúvidas existenciais são retratadas num jogo de macrocosmo e microcosmo.&lt;br /&gt;Uma tomada inédita e inovadora – a cena do treinamento – programação virtual em artes marciais, na qual Neo é congelado no ar a partir de um salto e a imagem realiza uma volta de 360 graus para que o próprio elemento passivo-sujeito do treino – Neo – observe em todos os detalhes a perfeita posição de seus membros no exato milésimo de segundo antes de desferir o golpe com seu pé no adversário – foi rememorada e copiada, plagiada e satirizada em diversas outras produções, como por exemplo, no divertido desenho animado Shrek, ou ainda num comercial de cerveja no Brasil.&lt;br /&gt;Na verdade poderíamos afirmar que Matrix tornou-se modelo para todos os demais filmes de ação, ficção e aventura realizados posteriormente.&lt;br /&gt;Joel Silver, produtor de Matrix chegou a afirmar que a obra é “o primeiro filme do século XXI”.&lt;br /&gt;Matrix (1999) recebeu 4 Oscars – edição, efeitos sonoros, efeitos especiais e som; uma indicação ao Grammy.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Matrix – um novo diálogo.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Matrix seria um gigantesco software num mundo onde as máquinas estavam desenvolvidas de modo tal que dominaram os humanos.&lt;br /&gt;As origens de Matrix foram conseqüência da crise que derivou do boom populacional somado ao esgotamento dos recursos naturais.&lt;br /&gt;A energia elétrica tornou-se escassa após séculos de guerras e mais guerras, primeiramente entre os próprios homens, depois entre homens e máquinas. Assim, o alimento das máquinas, a eletricidade, só podia ser encontrada num único lugar: nos impulsos elétricos do cérebro humano. Subjugados pelas máquinas os humanos eram mantidos num coma eterno conectados a coletores de eletricidade.&lt;br /&gt;Como precisavam estimular a atividade cerebral para que a eletricidade fosse produzida, as mentes humanas eram conectadas em Matrix, e passavam inconscientemente a viver dentro de um mundo que não passava de grande "ilusão virtual"... mas, até que ponto uma ilusão? Eis uma grande questão filosófica que aparece no filme.&lt;br /&gt;A princípio, um sistema perfeito, tão perfeito e precisamente exato quanto os processos matematicamente racionais que geraram os postulados científicos que estão na base da tecnologia que deu origem às máquinas.&lt;br /&gt;Mas o problema surgiu justamente quando alguns humanos, movidos por sua irracionalidade inerente – as emoções - conseguiam em determinados momentos perceber a diferença entre real e virtual calcados nas sensações que decorriam de tais emoções. Como este elemento – o emocional - era totalmente alheio ao “ser” das máquinas, estas por mais que se esforçassem não o conseguiam  controlar.&lt;br /&gt;A partir disso Matrix constituiu-se num eterno ciclo previsível de geração, existência e destruição no qual homens e máquinas, apesar de opostos e adversários, eram essencialmente interdependentes no que diz respeito à sobrevivência, sobrevivência esta que se dava no confronto eterno, onde não havia a opção de não se vivenciar tal conflito.&lt;br /&gt;Como podemos ver, Platão e Nietzsche aqui se encontram em suas cosmologias: a dualidade não é descartada, pois há o mundo real e o virtual, reciclando assim as idéias de Platão sobre mundo físico e metafísico, bem como a teoria das forças de Nietzsche se faz presente: as forças constituintes do todo existente não podem não se efetivar, e se efetivam no confronto, no inevitável combate eterno, repetindo-se os ciclos em detalhes e pormenores por toda a eternidade – o eterno retorno do mesmo.&lt;br /&gt;Integrantes da lógica funcional de Matrix, os humanos passariam a agir de modo desarmônico com a mesma, e aprenderam como se desconectar de Matrix para viver num mundo real, concreto. Esta é a causa do surgimento de Zion, uma grande colônia de humanos “despertos” que passaram a desenvolver uma guerra contra as máquinas.&lt;br /&gt;Tais humanos seriam, dentro de Matrix, hackers que, justamente em função de suas capacidades de penetrar sistemas de segurança altamente sofisticados, foram aos poucos descobrindo que o mundo no qual viviam, entendendo que tudo o que estava ao alcance dos seus cinco sentidos nada mais eram que elementos de Matrix, entidades virtuais.&lt;br /&gt;Desde o passarinho que canta, passando pela mosca que zune, os carros que estão nas ruas, os arranha-céus, as pessoas em seus postos e funções sociais, fábricas, campos e flores, animais selvagens, seus parentes, vizinhos, parceiros afetivos, enfim, o todo existente, tudo era o conjunto das entidades virtuais geradas por Matrix nas mentes humanas que aprisionava.&lt;br /&gt;Isto nos lembra “O Mito da Caverna” que abre o Livro VII da “República” de Platão, no qual ele narra a imagem de humanos presos no fundo de uma caverna, onde a realidade que enxergam é somente as sombras projetadas na parede por uma luz que parte de uma fogueira que queima atrás deles. Alguns conseguem se libertar e, com muita dificuldade, escalam a íngreme saída para fora da caverna, onde a verdadeira luz, a luz do sol, lhes ofusca a vista, e precisam de tempo para se habituar a ela. Uma vez em domínio da visão proporcionada pela verdadeira luz, e por conseguinte enxergando os objetos reais tais como eles são, e não só suas sombras, retornam para o fundo da caverna e tentam conscientizar os demais que reagem violentamente, negando seu crédito ao ex-colega, dado que ele corre risco de morte justamente por atentar contra o sistema no qual estão inseridos.&lt;br /&gt;Entre os líderes de Zion estava Morpheus, que libertou do coma, entre outras pessoas, a jovem Trinity e o intrépido Neo, aquele o qual Morpheus julgava ser "o predestinado" citado na profecia de que surgiria um humano dotado de especiais poderes, o qual colocaria fim na guerra entre máquinas e humanos.&lt;br /&gt;Talvez, o mesmo sentido do quipá judeu e do solidéu cristão: a barreira entre o físico e o metafísico; no caso, a barreira entre o real e o virtual.Trinity, a ágil militante da causa humana, apaixona-se por Neo... tudo bem, o filme é hollywoodiano.&lt;br /&gt; Outros personagens fundamentais do filme são o Oráculo, uma senhora negra que seria uma espécie de vidente, parceira do Arquiteto, um senhor grisalho representante da racionalidade máxima, ambos criadores de Matrix – racionalidade e previsibilidade, obsessões do mundo pós-moderno.&lt;br /&gt;No primeiro filme o mundo de Matrix e seus personagens são apresentados. Numa das cenas mais filosóficas, Neo será apresentado ao Oráculo, um momento especial aguardado com ansiedade. É levado então ao apartamento onde vive o Oráculo, e na sala de espera conhece algumas crianças que estão sendo treinadas para desenvolverem o domínio sobre a realidade.&lt;br /&gt;Um garotinho miraculosamente, segura uma colher que se contorce como se fosse de borracha e tivesse vida. Neo, impressionado, toma a colher em suas mãos... o garotinho então lhe diz: "não tente entortar a colher, você não vai conseguir. Tente, antes disso, entender como funciona a realidade, domine a realidade". No ato, Neo consegue fazer a colher entortar-se. Tal colher vai aparecer novamente no segundo filme da série, num momento muito simbólico, pouco antes de Neo partir para uma batalha com as máquinas... enviada pelo mesmo garotinho, já adolescente.&lt;br /&gt;Neste segundo filme, Matrix Reloaded, o mais profundamente filosófico dos três, Neo descobre seus poderes de predestinado, e percebe o quão longe eles podem ir, por causa do elemento emoção, que as máquinas não podem controlar.&lt;br /&gt;No terceiro, Matrix Revolution, ocorre o Armagedon, a batalha final entre homens e máquinas. Nele, as máquinas começam a disputar o poder entre sí, tendo de um lado a Fonte, de onde todas as demais máquinas partiram, e o agente Smith, o principal inimigo de Neo, que assumiu o papel de um vírus ambicioso que contaminou toda Matrix e conseguia igualmente contaminar humanos, multiplicando-se, estabelecendo algo como uma ponte entre o mundo de Matrix e o mundo real, e uma ameaça para humanos e máquinas.&lt;br /&gt;Neo, é jogado para dentro de um espaço intermediário, entre a lógica racional das máquinas e a emotividade humana, onde vai descobrir que Smith nada mais é que seu pólo oposto Este “hiato” é retratado no filme como o metrô, onde trens estão circulando e levando quem lá se encontra para diversos tipos de lugares... realidades.&lt;br /&gt;E é neste mundo que ocorre a eliminação de programas e demais elementos considerados obsoletos na constante evolução de Matrix.&lt;br /&gt;A questão ética da dualidade platônica, a luta entre o bem e o mal, aparece no caso de Merovíngeo, personagem retratado como um "playboy bom vivant" dado aos prazeres da carne como luxo, bebidas e mulheres, que na verdade é um dos mais antigos programas de Matrix que sobreviveu pela força de sua ganância.&lt;br /&gt;Merovíngeo ambicionava dominar o mais possível outros programas menores, ampliando o controle sobre porções cada vez maiores de Matrix; portanto, perseguia Neo que era uma ameaça aos seus planos. Merovíngeo insistia demais em controlar as relações de causa e efeito, e era o único que tinha o poder de retirar Neo do espaço intermediário no qual foi aprisionado; a causalidade vencida pelo acaso, uma contenda tão explorada na obra de Nietzsche no final do século XIX. Tanto era assim que Merovíngeo usava como um dos recursos para sua proteção, na mansão na qual vivia, diversas portas que, quando abertas, jamais dariam acesso ao mesmo lugar. Por exemplo, uma mesma porta era aberta num momento e dava acesso a um shopping center. Se fechada e reaberta no mesmo instante, poderia dar acesso aos alpes suiços, e assim sucessivamente, totalmente imprevisível – a imprevisibilidade do acaso que Merovíngeo usava para se defender da previsibilidade de Matrix.&lt;br /&gt;Por exemplo, no segundo filme, o diálogo entre Neo e o Arquiteto, onde a lógica mecanicista de Matrix e a questão das emoções e do livre-arbítrio são confrontadas, é simplesmente impossível de ser compreendida por pessoas que não tenham sólidas noções de filosofia acadêmica. Porém, é a cena mais esperada do filme, onde a expectativa é a de que Neo se confrontaria na batalha final com o elemento central do controle de Matrix.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A mitologia e a religião – símbolos, signos e metáforas.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como bem diria Joseph Campbell, assim como em Star Wars repete-se em Matrix a estrutura da psique imprescindível à sua compreensão – o mito, no caso, a saga do herói.&lt;br /&gt;Neo é estranhamento convidado a conhecer Morpheus, o mestre que lhe abre as portas da percepção. Comodamente colocado em sua rotina cotidiana, a ele é colocada a opção de tomar duas pílulas: a azul ou a vermelha. Esta última simplesmente o faria esquecer o presente encontro e ele retornaria à sua velha rotina; a segunda, por sua vez, lhe abriria as portas da compreensão para algo totalmente novo, mas o mestre advertiu: o risco era alto. Mas ele decidiu correr o risco, seduzido pela vontade de saber, bem como por estar enfastiado com o tédio de sua rotina – o desafio: se há algo a ser vivido,&lt;br /&gt;este então será meu objetivo.&lt;br /&gt;O abandono de nossas certezas em busca de verdades mais úteis e abrangentes.&lt;br /&gt;Uma constante busca por nossa auto-realização. Neste sentido, buscamos uma voz, um poder que, capaz de enxergar adiante, nos conforta com segurança ao indicar se o caminho que estamos tomando é o certo ou o errado. As previsões do Oráculo. E não é à toa que Jung tanto os estudou, pois na busca da auto-realização, acabamos por seguir caminhos nos quais sentimo-nos inseguros quanto à nossa capacidade de chegar até o final.&lt;br /&gt;Se os oráculos nos dão respostas obscuras, temos de considerar que a nossa pergunta, via de regra, também é muito obscura. E atentemo-nos – a pergunta certa contém a resposta em si. Tanto que Neo insiste na pergunta: “sou o predestinado?!” e a resposta é “Você ainda não está preparado”. Não se trata de uma negativa, mas de uma afirmativa.&lt;br /&gt;O verdadeiro conhecimento é comparável à dor, pois implica em enfrentar o que se teme. A Luz ofusca aos olhos do prisioneiro que se liberta da caverna de Platão.&lt;br /&gt;Poderes estranhos, dons inimagináveis, realização de prodígios – Neo é o messias, o predestinado... ou seria o “além-do-homem” de Nietzsche?!Pendendo ao viés religioso, é impossível não perceber o messianismo presente no papel e missão de Neo. Representante de um povo humilhado e perseguido, é nele que repousam as esperanças da redenção. Ele possui dons, possui poderes os quais nenhum de seus semelhantes possui – apesar de ser um deles.&lt;br /&gt;O sonho cartesiano presente nos eixos das abcissas e coordenadas – o universo entendido e vivenciado através das equações matemáticas – em Matrix, o metafísico transcende para o virtual, o qual por sua vez se sobrepõe ao real, e com este funde-se. Recordemos uma das cenas finais de Matrix Revolution, quando Neo se depara com a Fonte, que lhe diz: “não precisamos de mais ninguém” – os humanos já não interessavam à máquinas, e Neo já havia percebido a realidade de Matrix desde seu diálogo com o Arquiteto em Matrix Reloaded – a busca da estabilidade de Matrix , as opções que lhe são colocadas em função do emocionalismo humano.&lt;br /&gt;Assim, ocorre a efetivação de uma transcendência entre o físico e o metafísico, aparentemente resolvendo um dos maiores conflitos da mente humana. Um sofisma?&lt;br /&gt;Os mais entusiastas têm dito muitas vezes que este é um filme do futuro: pelo tema (uma sociedade dominada por computadores), pelo sentimento tecnológico que perpassa em todos os seus elementos, enfim, pela tecnologia dos (assombrosos) efeitos especiais. Não pretendo desmentir tal dimensão, mas gostaria de contrapor o que há de assumido primitivismo bíblico em Matrix. Ou seja: o modo como a aventura possui uma fortíssima componente religiosa que se poderia formular através de uma interrogação expectante: que é o outro quando todas as formas de relação passam, já não pelos gestos humanos, mas pelas operações das máquinas? Ou ainda: que sentido faz falar de espírito quando tudo acontece num espaço que já não é físico, mas virtual, sem deixar de ser afectivo e carnal?&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=9098027&amp;postID=116911129077072789#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ao assistir Matrix, ocorre na catarse, entre diversas outras sensações, a de se estar inserido num grande videogame: cenas de perseguições e tiroteios, transposição de fases, efeitos de câmera lenta e outros efeitos especiais.&lt;br /&gt;Particularmente, a já comentada cena do treinamento de Neo mostra-nos uma interessante metáfora: como a realidade de Matrix é irreal, pode-se viver nela como se estivesse jogando um videogame de realidade virtual. Assim, com a ajuda de programas de computador específicos conectados ao seu cérebro, Neo aprende em poucos minutos a lutar kung fu, pilotar aviões ou mesmo a pular edifícios. Nada de mais, já que é como se ele estivesse jogando um videogame.&lt;br /&gt;As leis da natureza, como por exemplo, a leis da física, em Matrix são reduzidas à condição de meras ações imaginativas primárias com o objetivo de iludir... mas em Matrix esta ilusão pode destruir – a fronteira é tênue... ilusória – virtual é real e vice-versa.&lt;br /&gt; A realidade é criada e recriada, destruída e construída a cada momento, numa dinâmica cosmológica dentro da perspectiva da física quântica – os minúsculos quantadinâmicos em constante combate entre si – a força não pode não se efetivar, e se efetiva sempre no combate – como diria Nietzsche.&lt;br /&gt;Alguns críticos dizem que Matrix poderia ser ainda mais grandioso se optassem por outro método de filmagem que não o que foi utilizado: o Super 35.&lt;br /&gt;O Super 35 é um processo destinado a obter um formato alargado no ecran de cinema, mas a permitir uma maior facilidade de transferência vídeo, nomeadamente reduzindo a perda de imagem. O processo não é um verdadeiro 'scope', pois não usa lentes &lt;a href="http://www.cinedie.com/glossario.htm#anamorfico#anamorfico"&gt;anamórficas&lt;/a&gt;. Filma-se uma área de aproximadamente 1.6:1, e depois seleciona-se uma seção para as cópias em formato 2.35:1, que serão feitas do mesmo modo que as cópias scope convencionais. Ao contrário do &lt;a href="http://www.cinedie.com/glossario.htm#panavision#panavision"&gt;Panavision&lt;/a&gt;, que usa todo o negativo, o Super35 desperdiça quase metade, perdendo o correspondente em definição, já que ambas as imagens vão ser projetadas em écrans do mesmo tamanho.&lt;br /&gt;Para vídeo, possivelmente a principal a razão de ser do sistema (apesar de se preferir pontualmente por razões técnicas específicas), abre-se a imagem cinematográfica ou corta-se - como no &lt;a href="http://www.cinedie.com/glossario.htm#panscan#panscan"&gt;pan and scan&lt;/a&gt; normal -, consoante o interesse de quem controla o sistema. Os efeitos especiais nunca usam toda a área, por motivos economicos, e são sempre cortados convencionalmente para a cópia vídeo. Isto é, “Reservoir Dogs”, um filme sem F/X, tem informação redundante na cópia de écran cheio, e muito pouco será cortado lateralmente (que se note sem comparar lado a lado com a composição original), enquanto que “Terminator 2” ou “True Lies” terão muitas sequências maciçamente cortadas.&lt;br /&gt;O grande impulsionador do sistema é atualmente James Cameron, e é ele próprio que coordena a transferência para vídeo dos seus filmes. Quando filma visualiza de imediato dois enquadramentos. Faz "dois" filmes ao mesmo tempo. Afirmou mesmo que preferia a versão &lt;a href="http://www.cinedie.com/glossario.htm#panscan#panscan"&gt;pan and scan&lt;/a&gt; de “O Abismo”. Outras fontes esclarecem que se referia à excelente definição da cópia.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=9098027&amp;postID=116911129077072789#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=9098027&amp;postID=116911129077072789#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Lopes, J. in: &lt;a href="http://www.cinema2000.pt"&gt;www.cinema2000.pt&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=9098027&amp;amp;postID=116911129077072789#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Explicação técnica do sistema Super 35 extraída do site Cinedie: &lt;a href="http://www.cinedie.com/glossario.htm#super35"&gt;http://www.cinedie.com/glossario.htm#super35&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A catarse de Matrix... também seria virtual?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Virtual ou não, fato é que o espectador de Matrix, gostando ou não, jamais esquece a catarse positiva ou negativa que o afetou naquele momento – mais uma característica estética da trilogia, a qual poderíamos chamar sem temores de “interação virtual” – identidade e repulsa são constantes no intrincado movimento mental provocado pelos irmãos Wachowsky o qual dificilmente num primeiro momento vai definir-se como “entendimento” do filme.&lt;br /&gt;Como poderíamos então compreender o porque de um filme o qual os espectadores reclamavam ao final de nada entender, ser um extraordinário fenômeno de bilheteria, tornando-se imediatamente uma obra “cult” na abertura do século XXI?&lt;br /&gt;Talvez seja justamente este aspecto que lhe confere uma bizarra beleza formal, um charme por identidade na era da informática.&lt;br /&gt;Novos padrões de sensibilidade nas novas gerações se desenvolvem. E os irmãos Wachowsky conseguiram conceber uma leitura deste fenômeno com maestria ao criarem Matrix.&lt;br /&gt;Nisto reside sua beleza formal – a interação entre todos os elementos da obra: roteiro, atores, direção, fotografia, espectador e outros, conciliando a sensibilidade racional com uma nova sensibilidade virtual, onde a contradição não é vista como negativa, mas sim como simplesmente indefinida – virtual e real são uma e a mesma coisa... e ao mesmo tempo não o são.&lt;br /&gt;Trata-se do desenrolar do saber racional, tão cultuado pelos iluministas, diante das dificuldades de respostas que a razão não consegue apresentar às angústias humanas, e a insensibilidade que a matematização renascentista da natureza agressivamente coloca e a civilização industrial adotou como necessária. Em outras palavras: decadência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fontes de informação.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dentro do espírito de Matrix, as fontes de informação e referências utilizadas para a construção deste trabalho são baseados em textos disponíveis na Internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.criticanarede.com/meta_matrix.html"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.criticanarede.com/meta_matrix.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;  - site de “Crítica – revista de filosofia e ensino” - exibe um longo artigo versando sobre as hipóteses filosóficas presentes em Matrix: “A Matrix enquanto hipótese metafísica”, de autoria do professor David Chalmers, da Universidade do Arizona, traduzido por Luís Estevinha Rodrigues. Leitura obrigatória para quem tem dúvidas quanto ao caráter filosófico da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.cinepop.com.br/moviepop/matrix2.htm"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.cinepop.com.br/moviepop/matrix2.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; - Cine Pop - exibe uma série de informações sobre a trilogia, curiosidades, críticas, informações técnicas, números, comentários etc., incluindo um excelente texto-guia das reflexões filosóficas presentes em Matrix.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.cinedie.com/the_matrix.htm"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.cinedie.com/the_matrix.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; - Cinedie - site de comentários de cinema, apresenta um completo e rico comentário sobre Matrix.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.cinemaemcena.com.br/crit_editor_filme.asp?cod=224"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.cinemaemcena.com.br/crit_editor_filme.asp?cod=224&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; – Cinema em Cena – o site apresenta um extenso e rico comentário de Matrix Reloaded em todos os seus aspectos: técnico, filosófico, artístico, financeiro e outros, trazendo excelente guia de explicação filosófica das reflexões de Matrix e um interessante fórum de discussão dos internautas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.cinema2000.pt/ficha.php3?id=135"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.cinema2000.pt/ficha.php3?id=135&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;  - Cinema 2000 – o site português exibe toda uma série de apreciações, comentários e críticas profissionais e amadoras sobre Matrix.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://whatisthematrix.warnerbros.com/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://whatisthematrix.warnerbros.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; - site oficial da trilogia, obviamente o mais completo de todos, com imagens, trailers, informações diversas, inclusive uma coletânea com um diversos artigos filosóficos desenvolvidos por acadêmicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u33318.shtml"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u33318.shtml&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; - Folha online - o artigo de Sérgio D´Ávila intitulado “Doutrina Bush contamina irmãos Wachowsky em “Matrix Reloaded” aponta para uma suposta influenciação conservadora e neoimperialista no referido filme da trilogia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Matrix"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Matrix&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; - site português de caráter educativo e enciclopédico, exibe consistentes informações sobre a trilogia em forma de verbete, com links para todos os conceitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://hps.infolink.com.br/peco/mid09a.htm"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://hps.infolink.com.br/peco/mid09a.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; - o link exibe um artigo muito rico e consistente de Ricardo Kelmer, analisando a trilogia à luz de conceitos da psicologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/matrix/critica04.html"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/matrix/critica04.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; - Adoro Cinema - exibe uma consistente e rica crítica amadora do leitor Marcos Abrucio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.atarde.com.br/especiais/matrix2/producao.php"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.atarde.com.br/especiais/matrix2/producao.php&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; - site do jornal bahiano “A Tarde” que exibe uma interessante crítica sobre Matrix.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-116911129077072789?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/116911129077072789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=116911129077072789&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/116911129077072789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/116911129077072789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2007/01/matrix-trilogia-revolucionria.html' title='Matrix - A Trilogia Revolucionária.'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-111666260014853464</id><published>2005-05-21T05:00:00.000-03:00</published><updated>2007-06-15T01:32:13.344-03:00</updated><title type='text'>QUE A FORÇA ESTEJA COM VOCÊ!</title><content type='html'>&lt;a href="http://baixaki.ig.com.br/imagens/wpapers/star-wars-episode-3-2800.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand" alt="" src="http://baixaki.ig.com.br/imagens/wpapers/star-wars-episode-3-2800.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Resumo: aqui o leitor vai encontrar comentários sobre a série Star Wars e um resumo dos seis episódios da saga.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era para ser uma simples tarde de outono, na última quinta-feira, 19 de maio. Mas foi uma tarde especial para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na escuridão da sala de cinema, de repente vejo a logomarca "Lucas Film" e ouço com bastante força no dolby estéreo as tradicionais trombetas de John Williams.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em fração de segundos, o logo da Lucas Film é substituído pelo tradicional logo da série: Star Wars (o certo seria Stars War, não acham?!) - as trombetas ganham mais força ainda.&lt;br /&gt;Os pêlos de meus braços ficam eriçados e um calafrio percorre minha espinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte e oito anos depois daquela noite de 1977 quando enchi a paciência dos meus pais para me levarem ao cinema, quando me deparei com uma movimentação incrível na Av. Ipiranga e um logo mock-up especialmente montado em alto-relevo e neon na porta do cine Marabá - incomum, ousado e inovador para a época - anunciava o começo de uma revolução no cinema: uma nova abordagem da ficção científica, a proposta de uma saga, um universo novo de personagens só comparável ao mundo Disney. E, principalmente e acima de tudo, uma revolução no marketing de entretenimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lotação foi tamanha que tivemos de assistir ao filme da galeria superior – naquele tempo as salas de cinema eram gigantescas. As salas dos principais cinemas de São Paulo ofereciam cerca de mil, até mil e duzentos lugares, não raro com duas platéias, uma delas suspensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns talvez possam lançar um olhar reprovador, vendo somente como mais um produto de consumo de massa da indústria cultural, e os fãs e expectadores da série, apenas como vítimas do mundo de fantasias consumistas criadas pelo capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, com a tradicional (porém questionável) dualidade cósmica platônica levada a seus extremos, entender o jogo de reflexões filosóficas da luta do bem contra o mal, da luta da Ordem dos Cavaleiros Jedi contra o lado sombrio da Força, e o que isso significa dentro da cabeça de um Jedi, e os labirintos aos quais esse caminho leva, é um desafio para aqueles que querem refletir sobre o significado mesmo desta cultura contemporânea, impregnada do capitalismo consumista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez as novas gerações, ou mesmo as antigas gerações que pouco tiveram contato com a série não entendam a bagunça na ordem dos fatores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou em 1977, com "Guerra nas Estrelas" (título ao qual seria agregado posteriormente: Episódio IV - Uma Nova Esperança"). O fato que explica a saga ter começado a partir do episódio IV e não do episódio I é simples: nenhum investidor do mercado cinematográfico estava acreditando no projeto de George Lucas; assim sendo, para que ocorresse o pontapé inicial, foi escolhido, segundo os critérios próprios dos "business man" do mundo do cinema o roteiro que teria maior probabilidade de emplacar como sucesso. Além disso, também foi mensurado, segundo os recursos da época, o nível previsto do impacto dos efeitos especiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem é preciso dizer que deu certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os que não conhecem a série, tudo gira em torno da luta do bem contra o mal. O bem é representado pela Ordem dos Cavaleiros Jedi, uma espécie de versão para ficção científica da iniciática história dos Cavaleiros da Távola Redonda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só este fato já enche a história de misticismo, pois os cavaleiros Jedi se Caracterizam por dois símbolos, basicamente: o primeiro é a aptidão do uso de significativos poderes telepáticos, a "Força" como os chamam (algo como o poder da egrégora para os iniciados tradicionais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo é o uso por exclusividade do chamativo "sabre de luz", a espada de raio laser que a indústria dos brinquedos já tentou por diversas vezes criar uma versão sem sucesso. A técnica de construção do sabre de luz e o seu uso é coisa exclusiva da longa formação e treinamento de um Cavaleiro Jedi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mal é representado pela Ordem dos Sith, uma dissidência dos Jedi que, ao contrário daqueles cujo treinamento psicológico visa eliminar paixões e sentimentos degenerativos como o medo, a cobiça, a desconfiança, o ódio e outros, vêem nestes sentimentos e paixões uma forma de expansão da Força e a canalizam não para servir, como é o propósito dos Jedi, mas para dominar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio IV foi o primeiro grande sucesso daquele que viria a se tornar um dos maiores atores de Hollywood pelos vinte anos seguintes: Harrison Ford, que interpretou um mercenário que por um acaso se viu envolvido com a corrente do bem, e mesmo contra seu gosto ao lado destes teve de lutar por uma questão de sobrevivência... e no final acaba se dando bem - o filme é hollywoodiano, e "se dar bem” num filme hollywoodiano significa: casar com a mocinha para viverem felizes para todo o sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mark Hamill, que interpretou o principal personagem dos primeiros três filmes da série (que na verdade seriam os três últimos da seqüência prevista inicialmente) - não conseguiu emplacar um sucesso no mesmo nível de Harrison Ford.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria impossível descrever aqui cada um dos milhares de personagens de toda a série. Vamos então a um pequeno resumo da saga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Episódio 1 - A Ameaça Fantasma - fala sobre a infância de Anakin Skywalker, personagem central de toda a história, e como ele teve contato com os Cavaleiros Jedi, que nele perceberam que a Força se manifestava de forma excepcional, enquanto surgiam rumores de dissidências na república e a tentativa de invasão do planeta Naboo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Episódio 2 - O Ataque dos Clones - fala sobre a iniciação Jedi de Anakin Skywalker. Paralelamente, mostra de forma mais evidente a organização do golpe de Estado tramado pelo senador Palpatine, cuja verdadeira identidade seria revelada no episódio três. Além disso, o filme mostra como Anakin e a senadora Padmé se apaixonam e se casam em segredo, o que era proibido para um Jedi, que por regra é celibatário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Episódio 3 - A Vingança dos Sith - Anakin, em função dos seus dons excepcionais foi admitido ao Conselho dos Cavaleiros Jedi antes ainda de obter o título de mestre, título que lhe conferiria autonomia no seio da Ordem. Desde a sua infância os Jedi se dividiam nas opiniões sobre Anakin. Yoda, o anãozinho verde, talvez o mais destacado líder Jedi, chamou a atenção no episódio 1 do motivo porque a princípio se opunha ao treinamento daquela criança: o medo era forte nele e seria a porta de entrada para o lado sombrio da Força, como realmente aconteceu quando Anakin, em função de uma perturbação mental deixou-se tomar pelo medo dando condições de ser dominado pelo lado sombrio da Força. Politicamente, um grande jogo de dissidências da República e de confusões e incertezas no Conselho Jedi durante uma guerra separatista que ocorria, tudo orquestrado pelo senador Palpatine que consegue enfim aplicar um golpe de estado e instaurar um Império com poderes absolutos, cooptando Anakin para o lado sombrio da Força, que assume o nome de Lord Darth Vader.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Episódio 4 - Uma Nova Esperança - Luke Skywalker, um dos filhos de Anakin cresce criado pelo tio, sem saber a verdade sobre suas origens. Léia, sua irmã gêmea, que fora criada por um membro da família real banida, é prisioneira do Império. Obi Wan Kenobi reaparece em cena atendendo a um pedido de socorro de Léia, que alertava para o perigo da Estrela da Morte - uma espécie de nave-satélite-quartel do Império que tinha o poder de destruir planetas inteiros reduzindo-os a pó em frações de segundos. Léia se reencontra com Luke unidos pelo acaso, e eles ainda não têm consciência de que são irmãos. Entra em cena o mercenário Hans Solo e seu parceiro, Chewbacca, o gigante peludo da raça Wookie que outrora havia sido amigo de Yoda. Luke é iniciado no treinamento Jedi por Obi-Wan, e demonstrou ter aprendido bem as lições ao conseguir com a utilização da Força uma estupenda vitória para os rebeldes, enfraquecendo o Império. Destaque para os dois andróides, ícones da série, R2D2 (ou Artoo Detoo) e C3PO (ou Trespiô), e para o reencontro de Anakin e Obi-Wan num duelo Jedi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Episódio 5 - O Império Contra-Ataca - Luke se dirige a um planeta longínqüo para continuar seu treinamento Jedi dirigido por Yoda. Darh Vader desfere um duro ataque contra os rebeldes da resistência como represália à derrota imposta no episódio anterior. Luke se depara com seu pai, Dath Vader, e eles lutam segundo as artes Jedi. Mas Luke ainda era um aprendiz e não teve forças para vencer seu pai, que já planejava cooptá-lo para o lado sombrio da Força. Ausente. Jabba The Hutt, uma criatura repugnante, mistura de sapo gigante e lesma, bandido intergalático que seqüestra e aprisiona Léia e Hans. Darth Vader decepa uma das mãos de seu filho Luke, mas o pouco de bondade que restava em seu coração o impediu de matá-lo; ao invés disso, revelou a Luke a verdade sobre sua paternidade, a qual se recusou a acreditar, conseguindo fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Episódio 6 - O Retorno de Jedi - O Império toma iniciativa de reconstruir uma nova Estrela da Morte, agora mais poderosa. Surgem os Ewoks, criaturas engraçadinhas que lembram a ursinhos, mas que a despeito do sua aparência frágil e cômica revelaram-se aguerridos e eficientes guerreiros que colaboraram com os rebeldes. Pintchiwawa! - o grito de guerra - e de vitória - dos Ewoks, personagens que posteriormente deram origem a uma série de TV. Yoda, já bem idoso e no final dos seus dias, comunica a Luke que em breve ele terá de passar pela sua prova final para tornar-se definitivamente um mestre Jedi: enfrentar Darth Vader, confirmando-lhe que ele era seu pai, vindo a falecer em seguida. Seguem-se duas batalhas finais paralelas: a dos rebeldes contra o Império e a de Luke contra seu pai, terminando com a vitória do lado bom da Força.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Douglas Gregorio::&lt;br /&gt;Outono de 2005. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-111666260014853464?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/111666260014853464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=111666260014853464&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/111666260014853464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/111666260014853464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2005/05/que-fora-esteja-com-voc.html' title='QUE A FORÇA ESTEJA COM VOCÊ!'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-111397640366482561</id><published>2005-04-20T06:52:00.000-03:00</published><updated>2008-08-18T03:04:52.571-03:00</updated><title type='text'>O FLORESCER DA ROSA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;RESUMO - o texto abaixo coloca a visão sobre as perspectivas do novo papado à luz da trajetória de Ratzinger, do legado de João Paulo II e dos grandes desafios da presença da Igreja na humanidade do século XXI.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;"Pontífice romano, aproximar-te não convém&lt;br /&gt;da cidade de dois rios.&lt;br /&gt;Ali há de cuspir teu próprio sangue,&lt;br /&gt;Você e os seus, quando a rosa florescer".&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Centúrias de Nostradamus, II, 97. *&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Chegamos ao século XXI... e o primeiro Papa do século é o líder máximo da Inquisição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé" - um nome moderno para o órgão da Igreja que já se chamou Santíssima Inquisição e Santo Ofício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um conclave rápido como era previsto: a saúde do Papa João Paulo II não ia bem desde o início dos anos 90, quando então a Igreja começou a se preparar para a sucessão. Toda a estrutura do conclave já estava montada desde a primeira metade da década passada; isso sem contar que desde o ano 2000 a renúncia de João Paulo II era cogitada por motivos de saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um conclave que se iniciou definido - não seria exagero pensar assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um pontificado ambígüo, onde ao mesmo tempo que a Igreja modernizou cada vez mais seu marketing usando-se das mais modernas e inovadoras ferramentas, com a figura de um Papa "pop", sempre presente na mídia, girando em torno ao mundo levando a influência da Igreja aos mais longínqüos confins da terra, sem no entanto descuidar da sua vocação conservadora guardiã da "família, da moral, da ordem e dos costumes cristãos" contra os valores "efêmeros" da sociedade de consumo e da cultura temporal. João Paulo II realizou sim um grande pontificado, e sem dúvida figura entre os nomes mais importantes da história contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamentam-se os poucos avanços secularizadores da Igreja. Pais de família e mulheres não podem receber as ordens eclesiais, ministrar os sacramentos e exercer o ministério da fé. Por que? Será que por alguma questão dogmática?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora pois, o celibato clerical não está nas origens da Igreja. Foi imposto pelo papado no século nono, quase mil anos depois da passagem de Jesus pela terra. Por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito simples: até então, os padres legalmente constituiam famílias com espôsa e filhos. O problema ocorria quando da morte de um padre: filhos e esposas reivindicavam legítimo direito de herança - e conseguiam. O resultado é que os bens da Igreja estavam escorrendo das mãos do clero para filhos e esposas que não eram do clero de uma forma muito rápida. Tornou-se necessário "estancar a sangria" - e assim permanece até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamentável é a ausência do arcebispo de Milão, Cardeal Martini, que chegou a defender abertamente a ordenação de mulheres e o casamento dos padres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamentável também é a ausência de um latino-americano no papado. No mundo globalizado, na era das instituições midiáticas, o quão importante seria para o desenvolvimento dos continentes ao sul do equador o reconhecimento da emergência do poder e cultura destes blocos, hoje chamados de "emergentes" dado o estigma que se formou em torno dos termos "Terceiro Mundo" e "subdesenvolvimento".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ratzinger nos anos 80 liderou ofensivas veementes desferidas contra movimentos e tendências que se formaram nas Igrejas locais destes países, frutos das reformas do Concílio Vaticano II interpretados e adaptados num mundo pós-guerra, o mundo da "Guerra Fria", bloqueando a participação que a poderosíssima Igreja (vimos uma demonstraçaõ grande deste poder na mídia em torno dos funerais de João Paulo II) nas questões sociais defendendo posturas de cobrança da sociedade na distribuição de renda e promoção humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O voto de silêncio imposto ao teólogo e ex-frade franciscano Leonardo Boff (hoje casado com sua ex-secretária) representou para o mundo todo o poder atualísimo da Inquisição, não mais com torturas e fogueiras, mas ainda com forte censura, controle centralizador e o "Index" - lista negra de escritos proibidos - mais ativo que nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a teologia da Libertação tinha lá seus equívocos ninguém nega - em especial pela dificuldade que esta tendência teológica tinha em apresentar aos fiéis de todas as classes sociais uma resposta convincente em termos da tão necessária mística exigida em qualquer manifestção religiosa. Em outras palavras, uma espiritualidade pobre, a qual apesar de se confirmar nas teorias teológicas das academias católicas latino-americanas pouco ou nada figurava na prática litúrgica, o que provocou uma migração muito grnade de fiéis para outras religiões, em especial para as seitas pentecostalistas e neopentecostalistas no caso da América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, nada que o amadurecimento e desenvolvimento desta tendência não pudesse superar, dados os apelos modernizantes e em especial de promoção humana e desenvolvimento que poderia promover nos blocos de países atormentados pela miséria - e podemos até perguntar: não seria isto uma atitude um tanto que evangélica?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ratzinger impôs nos seminários nos anos 80 um severo clima de terror; a imprensa brasileira explorou a fartar uma polêmica envolvendo o "pôster de Che Guevara", dado que em função de uma campanha de fiscalização repressora desferida pelo hoje Papa contra as casas religiosas brasileiras, seminaristas receberam a ordem de retirar das vistas dos representantes do Vaticano qualquer objeto de decoração, livros ou qualquer símbolo que pudesse fazer com que alguém pensasse que a Igreja Latinoamericana estaria se tornando uma extensão dos partidos de esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, para sermos positivos podemos fazer votos que este papado nos surpreenda. Nos surpreenda ao nos dar uma resposta até então inédita ante os desafios delineados pelo século XXI, o mundo da globalização, o mundo midiático da internet e da televisão, o mundo das novas conjunturas bélicas centradas no oriente médio e o mundo dos governos paralelos sulamericanos exercidos pelo narcotráfico. Um mundo onde a AIDS consome a cada dia que passa uma África sem perspectiva, e vários outros desafios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alimentando as esperanças, podemos torcer para que as tendências ideológicas reconhecidas no novo papado não se confirmem, e que tenhamos um papado cadenciado com as necessidades humanísticas exigidas neste início de século.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dos pesares, peço sua benção Bento XVI, e oro ao Espírito Santo que ilumine seu pontificado. Sem ironia e com toda sinceridade, assim o desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Douglas Gregorio::&lt;br /&gt;Bacharel em Filosofia e ex-seminarista da Arquidiocese de São Paulo.&lt;br /&gt;Outono de 2005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* João Paulo II visitou a cidade de dois rios, Lion, na França, mas ali nada sofreu, por que? Porque a rosa não tinha florescido ainda... ela foi florescer mais tarde, quando os socialistas - que usam a rosa como símbolo - subiram ao poder na Espanha. Então, o pontífice romano cuspiu seu sangue pelos tiros de Mehmed Ali Agca. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-111397640366482561?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/111397640366482561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=111397640366482561&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/111397640366482561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/111397640366482561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2005/04/o-florescer-da-rosa.html' title='O FLORESCER DA ROSA'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-110700584385107415</id><published>2005-01-29T11:34:00.000-02:00</published><updated>2005-01-29T11:37:23.850-02:00</updated><title type='text'>EDS, obrigado.</title><content type='html'>Agradeço ao pessoal da EDS pelo prestígio prestado em suas constantes visitas a este espaço cultural. Sejam sempre benvindos e estejam à vontade para comentários e sugestões.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-110700584385107415?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/110700584385107415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=110700584385107415&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110700584385107415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110700584385107415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2005/01/eds-obrigado.html' title='EDS, obrigado.'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-110412511922471358</id><published>2004-12-27T03:19:00.000-02:00</published><updated>2004-12-27T03:48:35.303-02:00</updated><title type='text'>O pentecostalismo - o outro lado da moeda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Resumo: o texto a seguir é um capítulo da dissertação de final de semestre apresentada no curso de mestrado em comunicação social da ECA-USP para a cadeira de cultura popular; o curso foi ministrado pelo Prof. Dr. Luiz Roberto Alves, atual secretário de cultura do município de Mauá na Grande São Paulo, que além da USP leciona na Universidade Metodista. Ele fala sobre os aspectos sociológicos da influência das seitas pentecostalistas sobre as sociedades urbanas das grandes cidades brasileiras, constituindo uma forma de expressão de cultura popular.&lt;br /&gt;_______________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O pentecostalismo, este controvertido filho do protestantismo, no Brasil se configura como uma das formas mais características de religiosidade popular na medida em que entre seus adeptos sempre contou em sua maioria com forte adesão de elementos dos estratos mais marginalizados da sociedade: negros, favelados, migrantes, mestiços, norte/nordestinos, analfabetos e outros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, o pentecostalismo vai representar aquilo que Marliena Chauí bem aponta: uma “(...) orientação para a conduta de vida, sentimento de comunidade e saber sobre o mundo, compensando a miséria por um sistema de “graças”: cura, emprego, regresso ao lar do marido ou esposa infiel, do filho delinqüente, da filha prostituída, do fim do alcoolismo. (...)”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O significado de um “rebanho santo”, “povo escolhido”, grupo privilegiado que aderiu a uma proposta pela qual se reserva uma farta recompensa, uma compensação, a idéia propriamente dita de redenção está justamente no integrar um grupo distinto da grande massa social, liberto de todos os males demoníacos que pairam sobre o “comum dos mortais”, como os vícios, os prazeres imorais, as tentações pecaminosas oferecidas pelos espetáculos em geral e assim por diante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Decorre desta postura uma banalização daquilo que se considera a demonização do cotidiano. O demônio passa a estar presente nos mínimos atos e fatos do dia a dia. Ele torna-se o inimigo sempre à espreita que tem especial predileção pelas “ovelhas do rebanho santo de Cristo”, já que os “outros” (os não-pentecostais) já lhe pertencem. Sempre a postos para atacar não desperdiçando uma oportunidade sequer, rei da astúcia que se usa das mais variadas possíveis e imagináveis artimanhas e disfarces, Satanás desfere incansávelmente, dia e noite seus incessantes ataques contra os escolhidos de Jesus.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O vizinho que ouve uma música em volume alto, a pessoa que compartilha o assento do ônibus que involuntariamente exibe uma revista com um anúncio que mostra uma mulher seminua, a atendente de comércio que exibe um decote um pouco mais ousado, a novela que incita a relações de traição, o filme que exibe uma cena violenta, tudo isso ou até a simples fatalidade de um objeto cujo formato pode lembrar um órgão genital, tudo isso constitui ataques de Satanás aos filhos de Deus, e se tornam significantes de uma confirmação cotidiana de uma santidade adquirida, reconfirmação da dignidade e garantia de redenção conpensatória da salvação com a vida digna no além, no paraíso dos redimidos onde Cristo reunirá a sua Igreja.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nervosismo, dores de cabeça, insônia, medo, desmaios, desejos de suicídio, doenças cujas causas os médicos não descobrem, visões de vultos, audições de vozes, vícios e depressão, todos estes sinais representam segundo o pentecostalismo a possessão demoníaca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Considerando que estes fenômenos, em especial nas grandes cidades podem tranquilamente ser considerados triviais e comuns, frutos mesmo do estresse urbano, qualquer ser humano seria um possesso em potencial.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por isso tudo – uma exagerada visão banalizada de demonização do cotidiano, e a necessidade de afirmação da salvação crística, redenção com a recompensa de uma vida melhor, é que decorre um outro significado de importante reflexo na cultura urbana contemporânea: a guerra santa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De discurso intransigente, o pentecostalismo firma-se como um exército de cristãos prontos a combater pela causa de Cristo as “agências de Satã” que se fazem presentes no mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Concorrentes no mercado da oferta de soluções materiais via promessa de força espiritual, as religiões mediúnicas, em especial os cultos afro foram assim estigmatizados como a materialização imediata destas agências satânicas presentes no mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A história deste confronto já registrou diversos episódios e práticas de agressão do pentecostalismo aos cultos afro, uma perseguição antiga, que começou com a igreja católica, passou pelo estado e no século XX consolidou-se nas seitas pentecostalistas, reforçando-se a partir da década de 80.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Invasões de templos, difamações, interrupções de cultos, literatura agressiva, discurso depreciativo, utilização de rádio, TV e mídia impressa para campanhas de difamação e tudo o mais são apenas algumas das ações agressivas mais comuns que se tornaram significantes da guerra santa movida pelos pentecostais contra os cultos afro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 90, tal idéia se reforçou com o advento da Teologia do Domínio que grosso modo trata de organizar os cristãos no combate ao demônio que se organiza distribuindo seu poder a subalternos, que se fazem representar segundo a cultura local em distribuição regional hierarquizada. Em outras palavras, a administração demoníaca brasileira estaria a cargo dos Exus, Caboclos, Pretos Velhos, Orixás e demais entidades do panteão dos cultos afro, subalternas do maioral dos demônios, Lúcifer. Esta Teologia do Domínio contou com grande adesão das denominações neopentecostais, e também do protestantismo tradicional.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, as camadas populares urbanas que tiveram ao seu dispor toda uma gama de significados que lhes conferia uma série de funções dentro do papel de povo escolhido a caminho da redenção numa nova vida que viria após o grande dia do juízo onde se faria a justiça de Deus e não mais a dor da exclusão social seria o pesado fardo a ser transmitido de geração para geração.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Chauí, M. / Notas sobre cultura popular in Revista Questão Popular, Kairós, São Paulo, 1980. p. 18.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;________________________________________&lt;br /&gt;Douglas Gregorio - ECA-USP&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dezembro de 2004.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-110412511922471358?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/110412511922471358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=110412511922471358&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110412511922471358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110412511922471358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2004/12/o-pentecostalismo-o-outro-lado-da.html' title='O pentecostalismo - o outro lado da moeda'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-110411076638485700</id><published>2004-12-26T23:26:00.000-02:00</published><updated>2004-12-26T23:26:06.383-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/29/2769/640/teonanancatl.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:1px solid #000000; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/29/2769/320/teonanancatl.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Enteógenos - vegetais considerados sagrados dentro das tradições mágicas e xamânicas. Utilizados em rituais em diversas culturas e ao longo dos séculos, seus efeitos proporcionam a expansão da consciência e experiências místicas praticamente indescritíveis. As comunidades e correntes religiosas que desenvolvem doutrinas em torno dos enteógenos chamam hoje a atenção por conseguirem superar diversas dificuldades sociais do homem, inclusive a cura para males como a dependência química e outros. Muitos os consideram a chave para outras dimensões, a qual abrirá as portas do retorno do homem às suas origens mais misteriosas.&amp;nbsp;&lt;a href='http://www.hello.com/' target='ext'&gt;&lt;img src='http://photos1.blogger.com/pbh.gif' alt='Posted by Hello' border='0' style='border:0px;padding:0px;background:transparent;' align='absmiddle'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-110411076638485700?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/110411076638485700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=110411076638485700&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110411076638485700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110411076638485700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2004/12/entegenos-vegetais-considerados.html' title=''/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-110410902086050213</id><published>2004-12-26T22:34:00.000-02:00</published><updated>2004-12-26T22:57:00.860-02:00</updated><title type='text'>O Salão Dourado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Resumo - o texto a seguir narra a participação de Irineu Gabriel da Luz, antropólogo, num exótico ritual de origem xamânica, onde se vivenciou uma profunda e inigualável experiência de expansão da consciência através do uso das Plantas do Poder.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eram aproximadamente vinte e duas horas quando decidimos nos dirigir para o lugar onde antigamente funcionava a casa do feitio. Caminhamos em fila indiana por uns 300 metros mais ou menos. Estava muito escuro e nossas poucas lanternas tornavam aquela caminhada uma aventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos pela antiga igreja. Para mim foi um impacto. Fui tomado por tristeza ao vê-la sendo utilizada como depósito. Ali eu vi e aprendi coisas tão exóticas e bonitas, vivi experiências profundas e conheci pessoas muito bacanas. As coisas nesta vida mudam, e temos de aprender a respeitar isso. Logo, eu não podia me deixar tomar por aquela tristeza. Aquela noite seria muito especial, e isso poderia me atrapalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos no local planejado. Começamos com os preparativos: dispomos as cadeiras em círculo, montamos o altar. O lampião a gás deu-nos trabalho, acabamos desistindo dele. Por felicidade, eu tinha uma lanterna com diversos recursos, entre eles uma luminária fluorescente que substituiu o lampião à altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos em oito pessoas, nosso anfitrião, seu jovem parceiro, nosso amigo o fiscal dos trabalhos de antigamente que eu reconheci ao chegar, e meu amigo basco, além dos demais: outros jovens e alguns necessitados que eram atendidos pelos préstimos terapêuticos do nosso anfitrião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas horas que antecederam o trabalho nosso anfitrião nos falara sobre suas experiências com estados alterados de consciência e percepção quando esteve pesquisando tradições indígenas e populares na Amazônia, Peru, México e América Central e Caribe. Procurava dividir conosco um pouco de toda sua vasta bagagem cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de acaloradas discussões que se estenderam até os minutos de excitante clima que antecediam a abertura dos trabalhos daquela noite, dado momento nosso anfitrião interrompeu as empolgadas discussões e convidou-nos à concentração serena. Era chegada a hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente, o firmamento dos pontos: Ogum e Oxum em oposição no local, norte e sul, masculino e feminino, yin e yang, a dualidade cósmica. Como diria Heráclito: “dos contrários nasce a mais bela harmonia”.&lt;br /&gt;Fui convidado pelo nosso anfitrião a junto de outro amigo firmar o ponto de Oxum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fogueira estava acesa. Um agradável cheiro de pinho e ervas aromáticas aos poucos foi tomando conta do ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos reunimos num barracão aberto que de um lado possuia uma série de cadeiras dispostas lado a lado, e em frente de cada uma, mesinhas de tocos que antes eram utilizados para a bateção dos cipós. Eram separadas do ambiente por uma baixa mureta, e do lado oposto havia uma seqüência de cavidades no solo arredondadas e revestidas, do tamanho aproximado de um barril de chope, encabeçadas por um crucifixo de dupla trave horizontal popularmente conhecido como “Cruz de Caravaca” – um dos mais significativos símbolos da doutrina que ali reinava, cujo significado seria a segunda volta de Cristo. Tais cavidades seriam as fornalhas nas quais se preparava a bebida, agora desativadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos posicionamos em círculo no espaço entre as fornalhas e os tocos de bateção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. Fazia frio. Todos muito bem agasalhados, enrolados em cobertores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defumação. Um bastão de incenso foi aceso pelo nosso anfitrião, que se utilizando de passes ao estilo xamânico preparava não só ambiente, mas também cada um de nós através duma espécie de lavagem áurica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso amigo ex-fiscal assumia a função de acólito, zelando por todos os detalhes para que os trabalhos transcorressem da melhor forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instrumentos xamânicos e o perfume que emanava da fogueirinha harmonizavam as vibrações do ambiente em meio à fria floresta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual motivo nos trouxe aqui?! O saber?! Saber por saber nada resolve. Vamos refletir com calma, preparar nossa mente para o que nos espera a partir de agora. Somente assim seremos melhores do que somos neste momento. Só assim alcançaremos a cura – era o que dizia nosso anfitrião, com a voz serena de quem assumia a direção dos trabalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orações, mantras, sibilos e sinais sonoros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso amigo ex-fiscal se dirige ao altar. Com reverência e respeito, estende as alfaias e empunha um pequenino copo de cerâmica vitrificada. Sacode a garrafa. Deita uma quantidade da bebida no copo. Em sentido horário as pessoas começam a reverentemente serem servidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebi com reverência e compenetração – em minha mente, minha alma e minha consciência, pedi proteção e pedi licença para integrar a egrégora que estaria sendo evocada naquele momento.&lt;br /&gt;Voltamos a nos sentar. Novos mantras. Concentração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Deus dos mil nomes – respeitosamente evocado no início dos trabalhos.&lt;br /&gt;Vagarosamente, uma sensação de leveza começou a me envolver. Uma prazerosa sensação de estar interagindo de forma mais íntima com os elementais da natureza começava a tomar conta de mim. Visão mais apurada. Começava a visualizar com facilidade a aura dos objetos. A floresta a nossa volta, o jogo de luz e sombras, arbustos e árvores configuravam um surrealista quadro que passavam a assumir um novo sentido, muito mais interessante. A cada movimento das minhas mãos e de objetos que me circundavam, um lisérgico rastro purpurinado se descortinava diante de minha visão. Suavidade, prazer, elevado estado de concentração, olfato, paladar e audição apurados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mantras, concentração, elevação de vibrações. Harmonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que cerca de uma hora depois, os mantras foram interrompidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clima de concentração já era forte, intenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso amigo fiscal se dirige novamente para o altar. Com a mesma reverência anterior, sacode agora outra garrafa e o ritual de distribuição da bebida se repete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto fortíssimo, desagradável. Desde há mais de dez anos, quando então experimentei pela primeira vez aquela enigmática bebida, eu não duvidava que era mágica e poderosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentamo-nos, retomamos a concentração introspectiva e a entoação dos mantras. Frio. Cânfora e ervas aromáticas na fogueira ajudava a manter o equilíbrio. Luzes apagadas.&lt;br /&gt;Dado momento, vi-me viajando num escuro espaço à velocidade da luz quando então entrei num grande salão dourado. Este salão reluzia de tal forma que eu parecia estar dentro do próprio sol, como que envolto numa caixinha lapidada do mais nobre metal. Agora luz, muita luz.&lt;br /&gt;Um homem com uma expressão muito serena se aproximou sorrindo. Tive a impressão de conhecê-lo há milênios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você está prestes a iniciar a batalha decisiva na busca do seu verdadeiro eu. Não será fácil. Está disposto a continuar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não vim até aqui para desistir! – respondi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois bem, então que a luz esteja contigo. Não será fácil, mas não se preocupe porque eu estarei a seu lado em todos os momentos. Prepare-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como que pilotando uma nave que seria meu próprio corpo astral, fui projetado em incrível velocidade para fora daquele salão reluzente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurava a todo custo controlar a velocidade e a direção daquela nave, mas meus esforços eram inóqüos. Temia cair nos abismos que eu sobrevoava, neles mergulhava a velocidades incríveis sem saber o que eu acharia ali, temendo me estatelar contra uma montanha, uma muralha, contra paredes que nunca apareciam senão no meu temor.&lt;br /&gt;Sentia a pressão dentro dos meus ouvidos, uma energia que enchia meu corpo astral como uma bexiga prestes a explodir, se expandindo em proporção cada vez maior, causando sensações por vezes desagradáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia energias por serem queimadas que me impulsionavam quer eu quisesse, quer eu não quisesse. “A força não pode não se efetivar” dizia Nietzsche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu temor era o de justamente não poder controlar aquelas forças. Por vários momentos estive à beira do desespero, cheguei a pensar que eu iria perder totalmente o controle, começaria a berrar. De fato, eu me debatia na cadeira, sacudia a cabeça, gesticulava como louco sem controle, pronunciava palavras desconexas em vários idiomas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já havia tido contato com a bebida várias vezes, mas aquela ocasião estava sendo diferente de todas as outras; sim, cada vez que se tem contato com a bebida se desenvolve uma situação única, mas aquela em especial estava sendo a mais intensa, a mais enigmática, pois nunca antes havia tido a sensação ameaçadora de perda de controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ritmo dos mantras levava-me como que ao sabor de marolas do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo eu tinha uma consciência, e esta estava sob controle. Sabia que deveria me conter, me esforcei, mas não conseguia. Sabia que eu deveria manter meu equilíbrio, minha serenidade, mas parece que ainda não seria naquele momento que eu o conseguiria. Fiz várias tentativas de retornar ao salão dourado, de entrar em contemplação serena, de controlar aquelas forças todas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dado momento me desfiz dos agasalhos. Sentia muito calor. Suava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor dos trabalhos interrompeu o que estava sendo feito e convidou a todos para entoar novos mantras, agora todos de pé em torno da fogueira. Era um novo desdobramento do desenvolvimento das técnicas de concentração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em parte eu fui favorecido pela medida, porém, fui subitamente tomado por uma violenta rejeição orgânica à bebida. Retirei-me do círculo e tentei vomitar sem sucesso: meu estômago modificado não permitia. Isto me provocou um desconforto grande, mas logo passou. Desde meu primeiro contato com a bebida, era a primeira vez que eu sofria este tipo de reação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos, sentamos novamente. Aos poucos eu ia recobrando o estado normal de percepção. Neste momento, vejo o velho amigo ex-fiscal reverencialmente volta-se para mim sorrindo, transparecendo muita luz e bondade, bondade que reinava na egrégora daquele trabalho. Com feliz e acolhedor sorriso revigorante, oferecia-me novamente a bebida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei a pensar em recusar, mas, como eu havia dito, não tinha chegado até ali para desistir. Além disso, percebi que era oferecida por ordem do nosso anfitrião. Diretor dos trabalhos, com certeza sabia o que estava fazendo, logo, havia um propósito justo e positivo para mim naquela atitude, seria negativo recusar. Com alegria e coragem, levantei-me e me dirigi até o sorridente ex-fiscal junto ao altar. Bebi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para meu lugar, sentei-me novamente. Concentração, mantras entoados. Convites, vozes de comando. Meu anfitrião agora se preocupava mais comigo e em meio aos mantras dirigia-me gestos e vozes de comando entoadas musicalmente, o que era muito agradável e me auxiliava a conduzir meu trabalho pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos fui novamente retornando às minhas tarefas astrais – a responsabilidade na condução da nave. Novamente os abismos. Novamente os olhares furiosos e ameaçadores de monstros e seres de outras dimensões. O frio, o gelo, o escuro. E eu encarregado de vencer aquele longo vale gelado, conduzindo a minha nave, viajando em velocidades muito superiores às da luz. O impacto sobre meu corpo astral era fortíssimo. Passava a compreender que os valores espirituais seriam o combustível, o material, os elementos constituintes daquela nave, e que conforme a solidez de sua construção eu conseguiria chegar no meu destino de forma cada vez mais consolidada. Percebia o quanto o amor e sentimentos construtivos de combate à negatividade como ódio, rancor, inveja e tudo o que possa a estes se assemelhar seria justamente o que eu deveria buscar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu ainda não estava preparado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todos os momentos pensava na mulher que eu amo. Era a maior força que eu podia sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abismos. A nave subia e descia, virava aqui e acolá, sem rumo, sem equilíbrio, e por mais que eu me esforçasse em telepaticamente manter a reta direção, eu nada conseguia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me debatia na cadeira, pronunciava palavras desconexas em vários idiomas, soluçava, arrotava, o cheiro das ervas e do pinho passaram a me incomodar, mas desejava o cheiro da cânfora que ajudava para com o equilíbrio. Por momentos pensei que os demais estariam julgando meu desequilíbrio, mas todos os que estavam ali de certa forma já tinham realizado a mesma viajem que eu, e sabiam o quanto era importante eu passar por aquilo, e compreendiam minhas dificuldades. E viam a beleza e o sentido pedagógico que existia por detrás de tudo aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente fomos convidados a ficar de pé. Novos mantras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me de um destes mantras, o primeiro que se gravou em minha memória através de uma reportagem de TV sobre a bebida que eu tinha visto há muitos anos: “Confio no sol, confio na lua, confio em meu mestre que é o dono do Poder!”. Belíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente convidados a sentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dado momento o anfitrião interrompe e pergunta ao basco e também para mim se agüentariamos continuar. –É lógico! – corajosamente respondi – está difícil, mas vim aqui para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuamos. Mantras entoados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A força da bebida foi me deixando aos poucos. Vagarosamente fui recobrando o estado normal de percepção. Nos reunimos em torno da fogueira, agradecemos a forte e positiva egrégora que nos envolveu naquela noite e entoamos em coro um recital de orações: pai-nosso, ave-maria, salve-rainha e outras, por várias vezes. O anfitrião, com belas palavras sábias encerra os trabalhos e todos nos cumprimentamos em confraternização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por algumas horas ainda permaneci enxergando rastros lisérgicos purpurinados nos objetos em movimento. Profundidade, a quebra de uma grossa casca exterior. Talvez isso tenha ocorrido naquela noite, uma casca a qual vinha sendo desgastada pela bebida ao longo dos mais de dez anos nos quais com ela estive em diversas ocasiões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este encontro com meu mentor neste grande salão dourado foi um ponto de partida, sem dúvida. Agora, a viagem real começou efetivamente. Mas eu ainda não sou um bom piloto. Ainda preciso praticar, preciso adquirir o equilíbrio que faltou naquela noite. Enfrentar sem medo os mergulhos nos abismos, seguro de que não irei estatelar-me contra parede alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser senhor da minha nave até que um belo dia eu possa pousá-la no porto seguro do Dono do Poder. Que assim seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irineu Gabriel da Luz&lt;br /&gt;Primavera de 2004.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-110410902086050213?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/110410902086050213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=110410902086050213&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110410902086050213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110410902086050213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2004/12/o-salo-dourado.html' title='O Salão Dourado'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-110049158673353456</id><published>2004-11-15T02:06:00.000-02:00</published><updated>2004-11-15T14:21:21.223-02:00</updated><title type='text'>Psicofluidos</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/74/2306/640/E.As.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/img/74/2306/400/E.As.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No universo xamânico pode-se experimentar a revelação da sabedoria ancestral encontrada na natureza, na medida da expansão da consciência. Em dimensões paralelas ocorre a descoberta de um novo paradigma cósmico capaz de revolucionar a estrutura do conhecimento científico contemporâneo e abrir o portal para o retorno da humanidade ao paraíso perdido. - comentário baseado no trabalho de um pesquisador do xamanismo amazônico da década de 70.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.hello.com/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Hello" src="http://photos1.blogger.com/pbh.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-110049158673353456?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/110049158673353456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=110049158673353456&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110049158673353456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110049158673353456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2004/11/psicofluidos.html' title='Psicofluidos'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-110010357044762606</id><published>2004-10-01T04:00:00.000-03:00</published><updated>2004-11-14T00:32:49.003-02:00</updated><title type='text'>O Prodígio da Macedônia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Prodígio da Macedônia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Resumo: trata-se de um pequeno texto biográfico sobre Alexandre o Grande, como prévia ao lançamento do filme que estará nos cinemas na segunda quinzena de novembro de 2004.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O prodígio da Macedônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Alexander The Great&lt;br /&gt;His name struck fear into the hearts of men&lt;br /&gt;Alexander the Great&lt;br /&gt;Became a legend mongst mortal men.”&lt;br /&gt;Steve Harris&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Macedônia se localiza na região da península dos Balcãs, ou península balcânica, localidade onde se destaca a Grécia, entre outros países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes ainda da ascenção dos romanos, após a decadência da democracia ateniense por volta dos século III a.C., a macedônia foi governada pelo rei Filipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei Filipe foi muito esperto ao aproveitar o desgaste da rivalidade entre Esparta e Atenas, isso sem contar com as constantes invasões persas, que foram enfraquecendo os reinos hegemônicos do mundo helênico. Neste sentido, aproveitando o pontapé inicial de Filipe, o príncipe da Macedônia, educado pelo maior professor que podia se contratar na época, Aristóteles, ao subir ao trono levou todos os projetos de construção da hegemonia macedônica de Filipe à realidade: tratava-se de Alexandre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai de Alexandre morreu precocemente assassinado por um de seus chefes militares, e Alexandre tornou-se rei muito jovem, por volta dos vinte anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que era um rapaz extremamente belo e muito prendado nas várias artes que poderiam ser ensinadas a um jovem de elite de sua época. Também, pudera. Já foi dito quem era seu preceptor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda adolescente destacava-se na arte da equitação. Foi famoso o episódio em que surpreendeu cavaleiros mais experientes ao domar um cavalo extremamente rebelde e agressivo que viria a se tornar seu inseparável corcel: Bucéfalo. E o episódio contou com o descobrimento de uma técnica básica de adestramento equino percebida por Alexandre na ocasião: ele desconfiou que o nervosismo de Buce´falo vinha do medo que tinha da sua própria sombra; virando a cabeça de Bucéfalo em direção ao sol, pôde montá-lo sem maiores dificuldades. Ele tinha apenas treze anos, e havia nascido em 356 a.C.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extremamente intelectualizado, desde os 13 anos estudou diversas matérias com seu admirável mestre: psicologia, astronomia, botânica, zoologia, letras, direito, retórica, lógica, medicina, política e, como não podia deixar de ser, a filosofia.&lt;br /&gt;A influência de Aristóteles foi tanta que ocorria o seguinte: extremamente sanguinário, Alexandre tinha por hábito destruir TODAS as casas das cidades que seus exércitos invadiam, exceto... as casas dos filósofos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da conquista da Grécia, suas tropas marcharam sobre a Pérsia (Irã).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi famoso o episódio no qual cortou o “Nó Górdio” – havia um templo em Górdia, na Pérsia, e nele um nó, nó cego eu ninguém conseguia desfazer, e uma profecia de que quem desatasse o nó conquistaria a Pérsia. Ele simplesmente cortou o nó com sua espada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de conquistar a Pérsia marchou sobre o Egito, na época anexado ao que era o Império Persa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura sempre foi preocupação de Alexandre. Fundou uma cidade no Egito e deu-lhe seu nome: Alexandria, e fez dela o mais importante centro cultural da antiguidade, e financiou a construção de uma das mais importantes bibliotecas de toda a história, a qual chegou a oferecer meio milhão de obras, todas escritas em rolos de pergaminho manuscritas. Se não tivesse sido destruída séculos mais tarde pelos muçulmanos, com certeza seria hoje a maior biblioteca do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandria tornou-se base de produção cultural do Império Macedônio; começou a atrair intelectuais de todo o mundo conhecido, já que ali não ocorria censura e o financiamento para pesquisas era abundante, isso sem contar com o ambiente de troca e interação cultural onde sábios do mundo todo se encontravam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste centro construiu uma torre de trinta andares, inovadora para uma época em que comumente as construções não ultrapassavam dois andares. No alto desta torre foi instalado um farol, o famoso Farol de Alexandria, associando a simbologia da iluminação à cultura. A palavra farol tem sua origem aí, uma vez que esta torre foi construída na ilha de Faros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma de suas últimas conquistas foi a Índia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casou-se com uma nobre persa de nome Roxana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu retorno para a Macedônia, quando então Roxana estava grávida, parou na região da Babilônia. Tinha a intenção de tornar a cidade capital do seu império. Ali, acometido por uma estranha doença faleceu aos 33 anos de idade em 323 a.C., sem portanto conhecer seu único filho, Alexandre IV.&lt;br /&gt;Após sua morte seu império foi dividido entre quatro partes, cada uma cabendo aos seus principais generais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política de difusão cultural promovida por Alexandre chamou-se de helenismo, a qual tinha como característica básica a unificação cultural de ocidente e oriente, e lançou as bases da cristianização do ocidente, uma vez que o cristianismo, alguns séculos mais tarde, encontrou terreno fértil em sua associação à cultura helênica, principalmente através do trabalho de Paulo que fundou comunidades cristãs nas principais cidades helênicas, herdeiras da cultura alexandrina, e também dirigiu obras codificadoras da ética cristã a estas comunidades, todas obviamente escritas em grego, cuja importância internacional, em função justamente do trabalho de Alexandre, corresponderia à atual importância do inglês: era o idioma mais utilizado nas comunicações de cunho internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre o Grande recebeu uma importante e inusitada homenagem de uma das bandas de rock mais destacadas no pós-guerra: o Iron Maiden que em 1986 lançou a canção “Alexander The Great” em seu álbum “Somewhere in Time”, na qual toda a história dos maiores feitos de Alexandre é narrada. A música foi composta por Steve Harris, mas com certeza ocorreu aí influência de Bruce Dickinson, que além de vocalista é historiador. É mais uma das manifestações culturais do Iron Maiden, a “última das grandes bandas” da safra dos anos 70, cuja trajetória foi marcada por letras intelectualizadas e evocações de mitos e episódios históricos, como a denúncia do massacre de indígenas americanos pelos colonizadores europeus em “Run to the Hills”, o belo trabalho com a mitologia egípcia no álbum “Powerslave”, a descrição de um dos mais famosos mitos gregos em “Flight of The Ícarus” e outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em muito breve, poderemos ver na telona a vida de Alexandre o Grande. Dando continuidade à atual tendência hollywoodyana de reviver a época dos grandes épicos dos anos 50 e 60, a qual começou com Gladiator, depois Troia e agora Alexander que estará nos cinemas brasileiros na segunda quinzena de novembro de 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Douglas Gregorio::&lt;br /&gt;Primavera de 2004.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-110010357044762606?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/110010357044762606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=110010357044762606&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110010357044762606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110010357044762606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2004/10/o-prodgio-da-macednia.html' title='O Prodígio da Macedônia'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-110010462567772950</id><published>2004-09-01T05:00:00.000-03:00</published><updated>2004-11-16T10:46:25.696-02:00</updated><title type='text'>Olga - O Filme</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;OLGA BENÁRIO E LUÍS CARLOS PRESTES – ROMANCE E LUTA&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;DOUGLAS GREGORIO::&lt;br /&gt;Setembro de 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bem unidos, façamos&lt;br /&gt;Desta luta, a final!&lt;br /&gt;Numa terra sem amos – A Internacional!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro exatamente qual ano, só me recordo que era um dos últimos da década de 80. O local, a Praça da Sé, em São Paulo. Uma esolarada tarde do dia primeiro de maio, feriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No palanque, representantes de várias entidades discursando em comemoração à data dos trabalhadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, um côro consonante de várias vozes como em em palavras de ordem: HOW! HOW! HOW! – não era o Papai Noel. O tom dos gritos eram muito mais agressivos que as gargalhadas do velhinho natalino. Eram gritos de guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olho para trás e vejo uma grande bandeira azul escuro, tendo em seu centro o círculo branco com o símbolo do sigma grego. Apesar de décadas de atraso, eram os neo-nazistas, então chamados de “Carecas” que faziam uma corrente e avançavam sobre a multidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu indignado com aquela bandeira integralista, gesticulava para os organizadores no palco exigindo providências. O que aqueles nazi-fascistas do Terceiro Mundo faziam ali, em nosso meio?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porradaria comeu solta. No final, a vitória: conseguimos expulsar as dezenas de Skin Heads da praça, e ainda por cima conseguimos tomar-lhes aquela bandeira horrível e atear fogo no símbolo de toda aquela palhaçada violenta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Logo em seguida, eis que surge, ele... o velhinho... agora sim o velhinho, o “Cavaleiro da Esperança” – Luís Carlos Prestes em pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época eu era um adolescente secundarista. Tinha vivenciado bem de perto a campanha das Diretas Já e o renascimento da esquerda no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No colégio eu estudava a história do Brasil contemporâneo, e uma das coisas as quais me intrigavam era justamente a figura daquele velhinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me perguntava – como este homem pôde apoiar o retorno de Getúlio Vargas para seu segundo mandato, o homem que o aprisionou e enviou sua esposa, Olga Benário, para os campos de concentração nazistas?!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, eis que um amigo de faculdade, Carlos Fagiolo, candidato a deputado estadual sobe ao palanque para discursar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Galinhas Verdes! “ – falava o Carlão, referindo-se ao caricáto apelido dos membros do movimento integralista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aproveitei a oportunidade, acenei: Carlão!... conclusão: tive a oportunidade de dirigir a pergunta acima a quem melhor poderia respondê-la: o próprio Prestes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foi uma questão de circunstâncias, da busca de conquistas e objetivos maiores. Eu não podia colocar questões pessoais na frente disso” – a resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim lá ia eu, todo contente para casa, por ter trocado umas breves palavras com um dos monstros sagrados da história do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas desde aquela época, desde aquela idade, eu tinha uma questão em mente: os comunistas estavam equivocados – sempre tive a convicção disso. E realmente, minhas convicções vieram a se confirmar não muito mais tarde daquele dia, com a queda do Muro de Berlin em 1989.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crime do rico a lei o cobre,&lt;br /&gt;o estado esmaga o oprimido.&lt;br /&gt;Não há direito para o pobre,&lt;br /&gt;Ao rico tudo é permitido!&lt;br /&gt;À opressão não mais sujeitos,&lt;br /&gt;somos iguais todos os seres,&lt;br /&gt;não mais deveres sem direitos,&lt;br /&gt;não mais direitos sem deveres!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta estrofe do hino da Internacional Socialista numa única linha explica o porque de eu achar os comunistas equivocados. Quem puder entender, entenda... aliás, os comunistas tentaram excluir do hino esta mesma estrofe, porque afinal de contas, não foram eles que o compuseram.&lt;br /&gt;Ai, ai, ai... será que alguém se recorda do quanto este hino rendeu críticas ao Lula em 1989?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim me aproximei o máximo que pude de Olga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OLGA&lt;br /&gt;Direção de Jayme Monjardim, baseado no livro de Fernando de Morais.&lt;br /&gt;Com Camila Morgado como Olga, e Caco Ciocler como Prestes.&lt;br /&gt;Floriano Peixoto como Filinto Müller e Fernanda Montenegro como Leocádia Prestes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das criticas e recríticas, o filme é excelente. Nem se sente passar as duas horas e vinte minutos de pura história e exemplos de determinação e disciplina.&lt;br /&gt;Monjardim não poderia ter escolhido outra atriz para representar Olga senão Camila Morgado, a qual até na aparência física fica bem próxima de Olga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olga foi enviada ao Brasil pelo comitê central do partido comunista com a missão de proteger Prestes que se encontrava exilado em seu regresso. Prestes foi o maior representante do comunismo em terras brasileiras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passando-se por um casal de ricos portugueses em lua de mel, com escalas em alguns países antes de chegar ao Brasil, fato é que esta a lua de mel acabou virando real. Eles se apaixonaram.&lt;br /&gt;Depois de uma série de intrigas, perseguições e traições, finalmente a polícia de Getúlio prende Prestes e Olga que são separados para nunca mais se verem, exceto por cartas.&lt;br /&gt;Detalhe – Olga estava grávida quando foi presa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filinto Müller, chefe da polícia política durante a ditadura do Estado Novo, entrega Olga à Gestapo. Estrangeira, com facilidade foi deportada pelos fascistas que estavam no poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filinto Müller fez carreira política chegando a senador. Com o fim do Estado Novo, foi convocado a dar explicações sobre os crimes que cometeu, entre eles a deportação de Olga, a qual jurava ele ter sido uma ordem de Getúlio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Judia e comunista, foi encaminhada a uma prisão alemã – onde deu a luz a Anita Leocádia. Anita, em homeganem a Anita Garibaldi, e Leocádia, em homenagem à avó paterna, a qual através de intensa campanha internacional consegue uma verdadeira proeza: que os nazistas lhe concedessem a guarda da neta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, Anita tem 67 anos e foi indenizada recentemente por dificuldades impostas pelo governo brasileiro por ter sido impedida de trabalhar e exilada durante a recente ditadura militar que veio com o golpe em 1964.&lt;br /&gt;Separada da filha, anos mais tarde Olga soube que ela estava em companhia da avó, o que lhe aliviou a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como todos os demais judeus, Olga ficou sendo torturada, humilhada e submetida a trabalho escravo nos campos de concentração nazistas até morrer em 1942.Os historiadores não conseguem situar ao certo como e onde ela morreu, se fuzilada ou vítima da câmara de gás. Só se sabe que a morte dela ocorreu em 1942.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme realmente é muito triste, mas com certeza é mais uma excelente obra que vem confirmar o renascimento do cinema brasileiro e uma excelente opção para aqueles que apreciam bons filmes que possam somar aos seus conhecimentos e à sua base cultural.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-110010462567772950?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/110010462567772950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=110010462567772950&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110010462567772950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110010462567772950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2004/09/olga-o-filme.html' title='Olga - O Filme'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-110010158721097245</id><published>2004-08-10T11:38:00.001-03:00</published><updated>2009-04-07T15:57:03.146-03:00</updated><title type='text'>Reflexões científicas sobre a bíblia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;REFLEXÕES SOBRE CONSTATAÇÕES CIENTÍFICAS E PARACIENTÍFICAS ACERCA DE ALGUMAS PASSAGENS BÍBLICAS – 2ª edição. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Douglas Gregorio::&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Resumo: trata-se de um longo texto que comenta do ponto de vista científico e paracientífico uma série de questões bíblicas, desmistificando uma série de lendas e equívocos, sem contudo atacar questões teológicas ou contestar dogmas de fé.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Introdução – a fé e a ciência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A religião e a ciência se parecem com personagens de canções sertanejas, pois ao longo da história sempre se portaram como um casal que vive entre tapas e beijos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em diversas ocasiões entraram em conflito para depois se reconciliarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns episódios foram muito marcantes. Por exemplo, no Renascimento, época na qual muito se discutiu a respeito das concepções sobre o universo conhecido; todos sabemos que a versão oficial da Igreja na época era fundamentada nas teses aristotélicas que diziam que nosso planeta estaria estático no centro de um universo perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cientistas da pré-modernidade, ao contrário diziam: não o planeta Terra, mas o Sol estaria no centro de um sistema em movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por defender a teoria heliocêntrica cientistas foram mortos, torturados, presos e censurados pela Igreja. Giordano Bruno foi condenado à fogueira pela Santíssima Inquisição. Copérnico só deixou publicar o seu “A Revolução das Orbes Celestes” no dia de sua morte. Galileu, como bem se sabe, sofreu censura e prisão sendo obrigado a abjurar suas idéias para escapar da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Centenas de anos depois o papa João Paulo II veio a público e apresentou o reconhecimento oficial de erro da Igreja no caso Galileu, gerando perplexidade na comunidade científica internacional pela postura cínica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, entre tapas e beijos, ciência e religião caminham lado a lado ao longo da história humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto que se segue trata de um tema muito delicado: o lado racional da existência da pessoa de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo não é o de contestar dogmas ou denunciar atitudes de má fé da Igreja, desmascarar lendas e mitos ou coisa que o valha, mas sim o de chamar a atenção para alguns detalhes que geram grandes equívocos no entendimento daquele que talvez tenha sido o momento mais importante da história do ocidente: o curtíssimo período estimado em pouco mais de 30 anos no qual viveu um homem chamado Jesus na região do atual oriente médio, o qual a maioria das pessoas acredita ter sido a encarnação do Criador de todo o universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus ensinamentos morais e teológicos mudaram o curso da história do ocidente, exercendo até os dias de hoje, passados mais de dois mil anos, descomunal influência sobre a cultura de mais da metade da civilização. Um homem que dividiu a história. Tanto que o próprio calendário em vigência na maior parte do mundo tem como ponto zero o ano em que se estima que ele, Jesus, tenha nascido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo as pessoas mais descrentes e avessas à religião são obrigadas a viver segundo leis civis totalmente baseadas na moral cristã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simples ou gigantescos, pobres ou suntuosos, templos cristãos de várias denominações se espalham pelo mundo. Além das igrejas tradicionais existe um sem número de doutrinas, seitas e organizações, e cada uma delas reivindica ser a legítima herdeira e representante da doutrina de Jesus. A influência política e social das organizações e instituições cristãs podem ser sentidas em todos os momentos da história, inclusive no presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto a seguir não pretende ser um estudo completo, muito menos tem um caráter acadêmico. Expõe somente algumas considerações científicas e religiosas coletadas ao longo de uma vida de estudos... até o momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ADVERTÊNCIA – aconselho que só prossiga a leitura caso você souber administrar em sua consciência de forma harmônica a abordagem de assuntos, a princípio religiosos, à luz da história e da arqueologia, ou seja, à luz da ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é objetivo deste texto contestar valores da doutrina cristã ou judaica, muito menos dogmas de fé. Em nenhum momento minha intenção foi a de apresentar qualquer tipo de denúncia ou coisa parecida. Não se trata disso absolutamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resumo, este texto fala de um Jesus histórico, o Jesus humano que viveu em sociedade. Não fala sobre o Jesus dos altares, o Jesus teológico, o Jesus que vive na convicção daqueles que vivenciam a experiência da fé. O Jesus do qual fala este texto é o Jesus que nasceu, viveu e morreu na Palestina num determinado período da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O assunto é delicado, portanto, peço bastante bom senso e compreensão porque não quero provocar a discórdia, muito menos ofender cristãos ou judeus de quaisquer denominações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota sobre a segunda edição – nada foi excluído do texto original da primeira edição deste estudo. Esta segunda edição, além de aprimorar a redação e editoração do texto, acrescenta e aprofunda algumas informações, mas reitero que nada foi excluído do texto original da primeira edição. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O AUTOR. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outono de 2004&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As fontes de informação – a bíblia e os escritos apócrifos.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se fôssemos comentar questões sobre conflitos que ocorrem entre constatações racionais e relatos literários da bíblia de um modo geral, o que não é objetivo deste texto, surgiriam debates como, por exemplo, sobre o processo do êxodo dos judeus do Egito que aparece no antigo testamento, o qual estima-se ter ocorrido há mais de cinco mil e setecentos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As famosas “pragas” que recaíram como maldições sobre o Egito, as quais teriam sido obra da ira do Todo Poderoso segundo o relato bíblico, podem ser analisadas sob outro ponto de vista que não seja o religioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje há épocas do ano em que as águas se tornam barrentas assumindo cor avermelhada como sangue, obviamente épocas de chuvas. Considerando as latitudes equatoriais do Egito, haveria muito granizo e chuvas ácidas que arrasariam plantações como se elas tivessem sido submetidas a uma chuva de fogo; a umidade excessiva faria com que moscas se multiplicassem, espalhando doenças de pele que provocariam feridas, ou ainda outros tipos de doenças contagiosas das quais os recém-nascidos e lactentes seriam vítimas fatais. As rãs também se multiplicariam, dada a abundância de alimento que teriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum destes fenômenos seria fora do comum. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda sobre este assunto ocorrem épocas do ano nas quais as marés que ocorrem na delta do Nilo fazem com que se torne possível atravessar a pé porções de terra que antes eram o fundo do Mar Vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, podemos perceber que muitas vezes as tradições religiosas podem lançar mão de fenômenos naturais floreando-os com artifícios literários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No novo testamento, bem como nas tradições religiosas pós-bíblicas isto não deixa de acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam o conflito que existe nas informações que Lucas, em seu evangelho, nos dá a respeito de fatos históricos narrados. Fala Lucas que o nascimento de Jesus deu-se durante o reinado de Herodes, quando então Quirino seria o govenador romano da Síria, época na qual o imperador Augusto havia ordenado um recenseamento&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, os registros históricos dizem o seguinte: quando Quirino governou a Síria, Herodes já havia morrido, e não existe registro ou sequer alusão em qualquer outra fonte possível e imaginável que o Imperador Augusto tenha convocado um recenseamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bíblia, no seu novo testamento, conta com quatro evangelhos tidos como “oficiais”. Porém, é de conhecimento geral que existem diversos outros escritos históricos, muitos dos quais escritos por personalidades bíblicas importantes como os apóstolos Pedro, Tiago, Bartolomeu e vários outros, falando sobre os ensinamentos, a vida e os feitos de Jesus, ou mesmo sobre épocas bíblicas anteriores ou posteriores a Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais escritos, os ditos livros “apócrifos” indiscutivelmente são documentos históricos dos tempos bíblicos, e sob uma série de alegações ao longo da história foram apartados da versão “oficial” que temos hoje da bíblia. No entender da ciência, os apócrifos não podem, em hipótese alguma, serem ignorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos motivos que a Igreja alega para excluí-los do cânon bíblico é o de que foram escritos em épocas muito distantes da passagem de Jesus pela terra, mais precisamente a partir do segundo século da Era Cristã, o que lhes torna suspeitos de apresentarem informações imprecisas. Porém, fato é que, mesmo os quatro evangelhos oficiais não possuem confirmações cabais da data nas quais foram escritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, os apócrifos possuem informações que entram em choque com a imagem que se tem dos fatos e personagens bíblicos em geral, inclusive de Jesus, que poderiam gerar sérios conflitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomemos como exemplo o apócrifo evangelho árabe da infância de Jesus, adotado pelos cristãos coptas do Egito. Ele possui passagens que podem ser consideradas, no mínimo, polêmicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele narra que numa ocasião Jesus menino brincava com seus amiguinhos moldando bichos de barro; com seus poderes sobrenaturais, miraculosamente fazia com que os bichinhos ganhassem vida e se movessem. Estava com seus amiguinhos nesta brincadeira miraculosa quando se desentendeu com um deles, e o matou com uma simples ordem. Na seqüência, este evangelho narra outra passagem na qual Jesus criança, irritado com um golpe acidental que recebeu de uma criança que corria próximo a ele, também a mata com uma simples ordem. Há outra passagem ainda na qual Jesus é encaminhado à escola onde um professor repreende suas travessuras infantis. Desgostoso com a reprimenda que recebera, o menino Jesus também mata o professor de forma sobrenatural. Tais fatos fazem com que seus pais decidam por afastá-lo do convívio comunitário até que amadureça e aprenda a controlar seus poderes, uma vez que ele matava qualquer pessoa diante da mínima contrariedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Jesus realmente cometeu tais atos não há como provar do ponto de vista racional e científico, e também não podemos dizer que os evangelhos, sejam os apócrifos ou os “oficiais” constituam fontes idôneas e precisas da narração biográfica de Jesus porque, afinal de contas, foram escritos por partidários, seguidores e discípulos, não podendo portanto ser considerados fontes neutras de informações históricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, existe quase que uma unânimidade entre os atuais pesquisadores ao afirmarem ser pouco provável que Jesus tenha nascido em Belém. Mais provável que Jesus tenha nascido na cidade de Nazaré. A própria Igreja, que tradicionalmente reage de forma veemente a contestações do gênero, assume uma surpreendente postura semi-aberta de defesa desta tese. Como ficaria então a devoção que existe à Igreja da Natividade em Belém, construída sobre o local onde se acredita Jesus ter nascido, local este assinalado por uma estrela de prata afixada no chão?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A data é outra controvérsia entre os historiadores, incluindo aí historiadores que também são padres católicos. O padre John Meier fala que Jesus teria nascido no ano 7 ou 6 a.C., dois anos antes da morte de Herodes em 4 a.C, e precisa a morte de Jesus em 7 de abril do ano 30 &lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando nesta linha de raciocínio, a visita dos reis magos e o posterior massacre dos meninos recém-nascidos seriam apenas lendas carregadas de simbolismo, tal como aparecem no segundo capítulo do evangelho de Mateus: os três reis simbolizam numericamente a plenitude; o fato de representarem nações diferentes simboliza a universalidade do advento do Cristo para a humanidade, e o fato de serem reis simboliza a superioridade da realeza do submissão de todo e qualquer poder temporal à realeza daquele que seria o Filho de Deus. Os três presentes seriam o ouro, símbolo da realeza, o incenso, símbolo da divindade e a mirra, símbolo da amargura que remete à dor, portanto, a condição humana e a missão de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com certeza, Mateus quis muito mais transmitir idéias teológicas através do simbolismo utilizado do que descrever os fatos e circunstâncias que envolveram o nascimento de Jesus tal como ele tenha de fato ocorrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No apócrifo evangelho Armênio da infância de Jesus ocorrem descrições de um faustoso cortejo dos reis magos em visita a Herodes a fim de tomar satisfações sobre o nascimento do messias, apresentando-lhe uma carta que herdaram do próprio Seth, que teria sido o terceiro filho de Adão, do qual descenderia o messias, no caso, Jesus. Cabe a nós observar que o livro do Gênese que nos fala sobre Seth data de 3000 anos anteriores ao nascimento de Jesus. Será que uma carta seria conservada por tanto tempo assim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o padre Jaldemir Vitório, o texto que alude ao nascimento de Jesus no evangelho de Mateus lança mão do gênero literário “midrash”, que utiliza a vida de grandes personagens históricos para narrar a vida de outro personagem histórico posterior. Assim, o nascimento em Belém seria uma associação ao rei Davi do antigo testamento&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da questão da natividade, não há sinais de que Jesus teria exercido a profissão de carpinteiro. Mais provável que tenha sido pescador ou agricultor, pelo que podemos deduzir com base nas próprias informações obtidas nos evangelhos “oficiais” e também das condições sócio-econômicas da época. Ao observar as parábolas evangélicas atribuídas a Jesus e as descrições de situações cotidianas por ele vividas, encontraremos constantes alusões à agricultura: plantações de videiras, trigo, mostarda, oliveiras, figueiras, flores do campo e outras, bem como barcos, águas, redes, peixes, inclusive há várias passagens nas quais Jesus aparece dentro das embarcações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Jesus utilizava elementos do imaginário popular para compor suas pregações de modo que as pessoas mais simples pudessem entender o teor de seus ensinamentos, por que em nenhum momento, nem em escritos apócrifos, nem em escritos oficiais, encontrou-se uma narração aludindo à madeira trabalhada, confecção de móveis, oficinas e ferramentas de carpintaria?! Alguns estudiosos afirmam que, na época, o termo “carpinteiro” era usado para se referir a trabalhadores humildes, algo como o popular termo “peão” que se usa hoje para trabalhadores de baixa qualificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro sinal de contradição que aparece nos evangelhos está na genealogia de Jesus tal como ela é descrita por Mateus e como é descrita por Lucas. Ambos os evangelistas apresentam longas listas de antepassados, porém, só existem apenas dois nomes em comum entre ambas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É no mínimo um fato que merece uma checagem mais precisa a transição das tradições orais&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt; para a tradição escrita, pois o tempo e as influências envolvidas submetem a essência das mensagens à diversas influências que podem alterar o seu teor e desviar os fatos da veracidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ditos, feitos, doutrina e ensinamentos de Jesus eram transmitidos por tradição oral até aproximadamente 70 anos após a data estimada de seu nascimento, quando então Marcos escreveu o seu evangelho, considerado o primeiro a ser escrito.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Por isso mesmo é que muitas narrações dos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) começam com as frases: “naquele tempo”, “naqueles dias”, “naquela época” e outras similares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por estes exemplos podemos perceber o quanto existem de desencontros e contradições dentro da própria bíblia, que antes de mais nada trata-se de um documento histórico composto de escritos reunidos, escritos estes originados de épocas e lugares muitas vezes muitos distantes, séculos, milênios até. Foram transmitidos a nós de diversas formas, sujeitos a alterações e mesmo a adulterações ao longo dos séculos; traduções sobre traduções, versões as mais diversas sujeitas a fatores mil que podem influenciar, tais como diferenças culturais de tempo e lugar, perseguições e interpretações políticas e religiosas, e vários outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convenhamos que, do ponto de vista racional, a probabilidade de que os escritos bíblicos tenham chegado a nós alterados de alguma forma é muito maior que a probabilidade de serem hoje, tal como são, fiéis à sua origem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Leitura científica e leitura religiosa da bíblia.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não se falará aqui sobre a questão da interpretação da bíblia, pois como já firmamos na introdução, o objetivo deste texto não é o de contestar dogmas teológicos. Trata-se de depurar os fatos históricos documentados pelos textos bíblicos, separando as conclusões que temos ao longo da história sobre seu real significado, das tradições religiosas, literárias e populares criadas com fins pedagógicos ou publicitários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que estamos querendo dizer é que, para se ter uma noção precisa do que ocorreu na época de um fato bíblico, precisamos abordar este texto de forma científica, à luz da arqueologia, sociologia, política, economia e outras ciências, comparando os fatos paralelos a este fato, as documentações paralelas aos escritos bíblicos, sem temer estar contrariando alguma tradição teológica divulgada a título de compreensão popular e transmissão facilitada da mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos tomar por exemplo a crucificação de Jesus, como veremos no ítem a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus foi um condenado por causas essencialmente políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tortura da cruz era especialmente reservada para os inimigos de Roma, ou seja, para os opositores políticos do Império Romano. Logo, Jesus e os ditos “ladrões” crucificados ao seu lado foram condenados por motivos que merecem uma análise mais apurada do que considerar somente aquilo que a bíblia nos diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inscrição que era colocada sobre a cruz tinha por função explicar o motivo da condenação. E por que esta inscrição foi escrita em três idiomas: grego, latim e hebraico? Simples: grego porque era um idioma internacional, equivalente ao que o inglês é para nós hoje. Hebraico porque esta era a língua local e latim porque era a língua oficial do Império Romano&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Jesus de Nazaré, o rei dos judeus”, este foi o motivo da condenação de Jesus. Pode parecer que isto não seja motivo, aliás, nem lógica tem esta relação. Vamos então esclarecer algumas coisas: proclamar-se rei era o mesmo que desafiar diretamente o poder do Império Romano, já que diante de César não poderia haver outros reis. E Jesus proclamou-se rei no interrogatório ao qual foi submetido&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[7]&lt;/a&gt;. Mesmo ressalvando que seu reino não era deste mundo, conceitualmente Jesus proclamou-se rei, e esta foi a causa central da sua condenação ao suplício na cruz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ato da crucificação, ocorreu uma discussão entre as autoridades judaicas e Pilatos quanto à inscrição na cruz. Os judeus queriam que estivesse escrito: “Eu sou o rei dos judeus”, mas os romanos escreveram “O rei dos Judeus”, ao que as autoridades romanas responderam: “O que escrevi, escrevi”.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn8" name="_ftnref8"&gt;[8]&lt;/a&gt; O que significa isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nós vivessemos naquela época, e passassemos diante de uma pessoa crucificada, moribunda, e vissemos a inscrição “Fulano, o rei do povo x”, o que iríamos pensar? Podíamos até sentir pena de ver uma pessoa passando por tanta dor, mas não há como negar que seria no mínimo irônico ver o “rei” naquela situação; e que povo fraco este que permitiu que seu rei fosse submetido a tudo aquilo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, dizer que Jesus era “o rei dos judeus” era zombar de todos os judeus, pois, ao olhar para aquela cena, quem associaria aquela imagem à imagem de um rei? E vale lembrar que um rei representa toda uma nação. Em outras palavras, foi uma atitude irônica dos romanos para com Jesus e os judeus em geral. Por isso os judeus insistiram para que os romanos escrevessem “eu sou o rei dos judeus” porque, ao colocar a frase na voz ativa, toda a carga irônica excluiria do seu escopo os judeus em geral, recaindo somente sobre a pessoa de Jesus ao permitir a seguinte réplica: “nenhum judeu reconhece um rei neste homem, quem está dizendo isso é ele”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recusa dos romanos em alterar a frase fazia parte de sua arrogante política de humilhação dos povos dominados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até aqui nada de contraditório, mas, Jesus foi um condenado político, e a causa imediata da condenação de Jesus ainda não está clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proclamar-se rei era um crime político perante os romanos, mas este ato não se resumiu a uma resposta dada num interrogatório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginemos se um simples mendigo lançasse insultos em praça pública contra César. O máximo que aconteceria seria simplesmente ser surrado pelos soldados romanos até se calar, se é que os soldados se preocupariam com isso. Por que então Jesus era tão ameaçador a ponto de merecer a condenação à morte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns podem contestar a tese de que a causa da condenação de Jesus teria sido política em função das passagens onde os fariseus, juntamente com partidários do rei Herodes, buscavam algo para incriminá-lo publicamente. Para tanto, usaram-se do questionamento sobre o imposto que era pago pelos judeus aos dominadores romanos; a resposta foi muito mais astuta que a pergunta: “A César o que é de César e a Deus o que é de Deus” &lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn9" name="_ftnref9"&gt;[9]&lt;/a&gt;. Porém, podemos perceber o quanto estas passagens reforçam por sí mesmas a tese da condenação política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ciente da conotação política de seu ministério, a resposta de Jesus nada mais foi que uma resposta política. Como líder de destaque em seu tempo, Jesus não seria ingênuo ao ponto de cair numa armadilha retórica cujos objetivos eram o de deixá-lo sem saída: se a resposta fosse positiva, Jesus estaria publicamente desmoralizado; se a resposta fosse negativa como seus adversários esperavam, estaria de forma pública e notória configurada uma causa de prisão: incitação popular à insubordinação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entregar-se à prisão, ainda de forma tão tola, obviamente não estava nos planos de Jesus naquele momento. Por isso sua saída retórica demonstrou a superioridade perceptível ao ser duplamente positiva: paguemos então nossos impostos, se este é o preço a ser pago para que possamos continuar servindo ao nosso Deus – o fim compensa o meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bíblia fala que Jesus invadiu o templo de Jerusalém armado com um chicote e revirou as mesas dos cambistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi esta a causa imediata da prisão de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era no templo de Jerusalém que ocorria a troca da moeda local pela moeda romana, ou seja, o câmbio. Era um local de negócios. Mais que simples pombos e outras quinquilharias, o templo na verdade funcionava como centro financeiro daquela região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é difícil supor que o templo equivalia às nossas atuais bolsas de valores. Com certeza era no templo que se reuniam os homens de negócios para realizar suas transações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um lugar tão importante assim, obviamente, seria muito movimentado e policiado. Será que um só homem armado com um chicote conseguiria entrar e causar todo um tumulto? Não seria ele rapidamente contido e expulso dali pelos vigias? Mas não. Foi dito que ele revirou mesas e expulsou os “vendilhões”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente que Jesus não fez tudo isso sozinho. Não é difícil entender que Jesus só conseguiria ter invadido o templo acompanhado de uma multidão revoltosa enfurecida; afinal de contas, Jesus era um pregador seguido por multidões. Tratava-se portanto de uma revolta popular com forte conotação política, o que tornava Jesus um elemento ameaçador à ordem política e social ditada pelos dominadores romanos, os quais contavam com o apoio da classe dominante local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após sua prisão, Jesus foi submetido a julgamento popular que deu ao povo reunido em praça pública o poder de escolha entre Barrabás e Jesus. Ambos eram acusados do mesmo crime: sublevar a população contra o poderio romano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barrabás era um zelota. Os zelotas constituiam um movimento político de cunho guerrilheiro, cujo objetivo era o de combater a dominação romana na palestina. Barrabás nunca foi um ladrão como a história o acusou, bem como os outros dois crucificados ao lado de Jesus também eram zelotas, e não ladrões. Ladrões nunca eram crucificados, somente condenados por motivos políticos eram crucificados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As imagens da crucificação que se fizeram ao longo da história contém diversos equívocos de pequena importância, mas que podem intrigar os leigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas imagens tradicionais, Jesus aparece com cravos fincados nas palmas das mãos e nos pés, um sobre o outro, atravessados pelo cravo a partir do “peito” do pé, sobre uma cunha colocada debaixo dos pés como escora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existiam diversas técnicas da tortura da crucificação. Famosa foi, por exemplo, a crucificação de André, que se deu em X, ou a de Pedro, que se deu de cabeça para baixo, segundo a história, por pedido do apóstolo que alegava não ter a dignidade para morrer da mesma forma que o seu Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A técnica utilizada para crucificar Jesus foi a crucificação latina, e funcionava da seguinte forma: primeiro, o condenado era submetido a horas de torturas preliminares que o deixavam exausto. Tais torturas eram basicamente o açoitamento com chicote latino, composto de três tiras de couro com duas bolas de chumbo nas pontas cada. A pessoa era algemada com os braços acima da cabeça, presa a um poste, e dois carrascos aplicavam golpes, um de cada lado, intercalando de forma intermitente os golpes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já sabemos, o condenado era obrigado a carregar a cruz até o local onde seria crucificado. Os locais de crucificação eram pré-determinados pelas autoridades romanas, e nestes locais já existiam postes adequados à crucificação, assim, o que era carregado pelo condenado não seria o conjunto da cruz, composto de poste vertical e trave horizontal, mas somente esta última peça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cravos eram fincados não nas palmas das mãos, pois neste local eles não sutentariam o peso do corpo. Na verdade, eles eram fincados pouco abaixo dos pulsos, na extremidade do braço, onde se encontram em bifurcação os dois longos ossos que compõe a parte anterior do braço, garantindo assim a sustentação, funcionando como argola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da cintura para baixo, o crucificado era colocado na posição de perfil (de lado), colocando-se uma tabuinha sobre seus tornozelos nas quais era fincado um longo cravo que atravessava os pés logo acima dos tornozelos, já junção com as pernas, que eram ligeiramente dobradas obrigando o crucificado a se apoiar sobre o cravo, potencializando suas dores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo desta técnica de tortura era a de causar uma morte lenta e muito dolorosa, já que a causa da morte seria a asfixia. Exaurido de suas forças e obrigado a sustentar o peso de seu corpo sobre cravos que atravessavam sua carne e seus ossos, o organismo reagia com dificuldades de circulação do sangue, considerando que no processo de açoitamento já teria perdido sangue, e as feridas dos cravos provocariam uma lenta hemorragia, o que provocava fortes formigamentos pelo corpo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na crucificação latina as canelas do condenado eram fraturadas no ato da fixação na cruz para tornar o apoio ainda mais dolorido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o processo culminava com uma lenta e progressiva diminuição da capacidade respiratória até provocar horas mais tarde o colapso dos pulmões, não sem antes ter sofrido fortes dores abdominais pelo comprometimento do diafragma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dependendo da situação do acusado, por piedade os carrascos aplicavam golpes de lança ou espada para acelerar o processo; Jesus teve seu corpo atravessado por uma lança.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn10" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn10" name="_ftnref10"&gt;[10]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se comprovar que a cruz era reservada exclusivamente para os inimigos políticos de Roma que contra ela ousavam insuflar as massas, e não para criminosos comuns, podemos citar o exemplo do líder escravo Espártaco e seus milicianos, escravos revoltosos. Mulheres e crianças das milícias de Espártaco foram escravizadas e os homens sobreviventes da batalha na qual a milícia foi subjugada, todos crucificados, inclusive Espártaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A aparência de Jesus&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O filme “Jesus de Nazaré”, lançado em 1977 pelo diretor Franco Zefirelli fez grande sucesso. Nele, o ator que representa Jesus, Robert Powell, era um homem tão belo que provocava suspiros nas platéias femininas. Tinha cabelos loiros e encaracolados, alva pele indo-européia, brilhantes olhos profundos de um azul bem vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta imagem foi utilizada por muitos artistas ao longo da história para retratar a pessoa de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bíblia não faz menção à aparência física da pessoa de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato é que, na Palestina daqueles tempos, os judeus apresentavam características muito próximas à dos atuais árabes: pele numa tonalidade escura intermediária entre a pele ariana e a pele negróide, olhos entre o castanho escuro e o preto como os cabelos, de aspecto também intermediário entre o ariano encaracolado e o negróide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seriam os ensinamentos e práticas de Jesus originais e autóctones?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a questão da origem da bagagem cultural demonstrada por Jesus, as atenções recaem sobre o misterioso período de pobre documentação histórica que remonta a infância e a juventude de Jesus, já que se estima que seu trabalho começou a obter notoriedade pública a partir dos seus últimos três anos de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas suposições e teorias já se desenvolveram sobrte esta questão. De uma forma generalizada a hipótese mais comum é a de que de alguma forma Jesus estaria se dedicando a estudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto entraria em contradição com o status que envolvia a pessoa de Jesus, o “filho do carpinteiro”, cujo significado já foi explicado anteriormente. Afinal de contas, sabemos que o acesso das classes populares à alfabetização é algo que surgiu recentemente na história da humanidade, a partir da Revolução Francesa no século XVIII, e mais acentuadamente a partir do século XX, pois mesmo na atualidade encontra-se significativas parcelas das classes menos favorecidas analfabetizadas em países mais pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até então, a alfabetização era um privilégio das elites. Como Jesus obteve seus conhecimentos ainda permancece um mistério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma hipótese de que Jesus teria sido educado no Egito, sob a responsabilidade de sociedades iniciáticas. Pode até ser possível, já que Mateus nos fala que a família de Jesus, logo após seu nascimento, foi para o Egito fugindo da perseguição de Herodes &lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn11" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn11" name="_ftnref11"&gt;[11]&lt;/a&gt;, porém, o evangelista é taxativo com relação ao curto período de permanência no Egito e o retorno à Galiléia quando Jesus ainda era um bebê, nada falando sobre o envolvimento de Jesus em escolas iniciáticas egípcias. Assim, estamos diante de uma possibilidade extremamente hipotética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra hipótese, e esta sim muito mais provável, seria a de que Jesus teria sido educado pelos Essênios. Segundo estudos arqueológicos sobre os Manuscritos do Mar Morto, não só sobre o teor dos textos, mas também as circunstâncias que os originaram, sabe-se que os Essênios compunham uma sociedade iniciática estabelecida na região onde teria vivido Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Judeus por convicção radical, os Essênios seguiam uma rígida disciplina moral e alimentar. Celibatários, dedicavam-se com afinco ao estudo das antigas escrituras, em especial da bíblia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De vida simples, os Essênios adotavam um estilo de vida isolado em comunidades semelhantes aos monastérios nas desérticas e afastadas regiões de Qmran, ao sul de Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Manuscritos do Mar Morto e as circunstâncias que os originaram refletem indubitavelmente todo o ambiente ideológico e histórico no qual viveu Jesus. Tratam-se de uma biblioteca escrita em papiros, encontradas em cavernas da já citada região de Qmran em 1947, considerada uma das mais estupendas descobertas arqueológicas do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cavernas nas quais estavam escondidos em jarras situam-se próximas a um sítio arqueológico no qual se constatou a existência de um antigo monastério Essênio destruído por volta do ano 68 da Era Cristã, descoberto pelo padre Roland de Vaux, arqueólogo, no início dos anos 50. Numa região de revoltas políticas e de constantes invasões e guerras, nada mais sensato que preservar uma biblioteca de uma provável destruição escondendo-a num local onde dificilmente seria descoberta por invasores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Manuscritos do Mar Morto reunem documentos datados entre 67 a.C. e 200 d. C., portanto, a comunidade esteve ativa na época contemporânea de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nos Manuscritos do Mar Morto nenhuma alusão à pessoa de Jesus, porém, ocorrem uma série de coincidências que de certa forma ligam Jesus aos Essênios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Essênios organizavam-se em grupos de doze discípulos e um líder. Realizavam o ritual eucarístico do pão e vinho. Realizavam o ritual do batismo com água &lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn12" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn12" name="_ftnref12"&gt;[12]&lt;/a&gt;, praticavam o celibato, dedicavam-se à cura das doenças, acreditavam na não-violência e pregavam a divisão igualitária dos bens entre os membros da comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O retiro espiritual realizado por Jesus no deserto dedicando-se ao jejum e meditação por quarenta dias com o objetivo de colocar-se à prova seria uma prática Essênia &lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn13" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn13" name="_ftnref13"&gt;[13]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A túnica de Jesus era tramada numa única peça, sem costuras &lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn14" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn14" name="_ftnref14"&gt;[14]&lt;/a&gt;. Tramar a túnica numa única peça sem costuras era um costume Essênio&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn15" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftn15" name="_ftnref15"&gt;[15]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o momento não se estabeleceu nenhuma prova cabal de que Jesus teria tido ligação com os Essênios, porém, como podemos perceber, as coincidências são enormes, detalhistas até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma certa controvérsia sobre a seguinte questão: teria Jesus sido influenciado pelos Essênios ou o contrário? Pois bem, os Essênios entraram em processo de decadência na época posterior à morte de Jesus, e o cristianismo começou a se desenvolver por volta de 70 d.C., e o desaparecimento dos Essênios coincide com esta data. Assim, mais provável que Jesus tenha sido influenciado pelos Essênios que o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teria a obra de Jesus terminado na cruz?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Desde o final do século XIX pesquisadores de diversas nacionalidades contestam o desaparecimento de Jesus após sua morte na cruz. Mas, como isso seria possível?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a tradição evangélica, o corpo de Jesus teria desaparecido da sepultura, ressuscitado. Após algumas aparições e a transmissão de mais alguns ensinamentos, ele teria ascendido aos céus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há pesquisadores que afirmam que as coisas foram além disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicolas Notovitch, russo, afirmou que em 1894 teria descoberto no Tibete um manuscrito que estava em guarda de um mosteiro budista na cidade de Himis, no qual haviam registros da vida de um homem santo naquele mosteiro chamado Issa, que seria Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos trinta anos posteriores desenrolou-se uma polêmica sobre o tal manuscrito. Pesquisadores chegaram a acusar Notovitch de fraude, entre eles o hindu Abhedananda, pesquisador, e seu amigo inglês Max Muller, especialista em línguas orientais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto Abhedananda como Muller chegaram a afirmar categoricamente que a história de Issa não passava de uma grande fraude, anos antes de 1929, quando numa atitude paradoxal lideraram um projeto de pesquisa que culminou na publicação da tradução e comentário do tal manuscrito, corroborando a crença na veracidade da história de Issa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os lamas do mosteiro de Himis anos antes negaram a visita de Notovitch e a existência do manuscrito. Porém, naquele ano de 1929, surgiu uma forte corrente de lamas de Himis que contradiziam as declarações dos colegas, afirmando que Notovitch havia sim visitado o mosteiro, e o manuscrito, autêntico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo ano de 1929, outro pesquisador russo, Nicolas Roerich, estava realizando trabalhos na região de Ladakh e Caxemira, onde constatou registros da passagem no local de um santo homem chamado Issa, grande mestre de virtude e profeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo os registros pesquisados por Roerich, Issa teria vindo de uma terra distante e recebido profunda instrução em mosteiros e outros centros religiosos e culturais da Índia a respeito dos escritos védicos e correntes diversas do hinduísmo. Consta ainda que, após entrar em conflito com as classes sacerdotais por se opor ao sistema de castas, alegando que o mesmo não era o desígnio de Deus para a humanidade, Issa teria sido expulso da Índia, e dirigiu-se ao Nepal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Nepal, Issa teria por muitos anos se dedicado ao estudo do budismo, e depois continuou suas viagens, sempre denunciando as hipocrisias das classes sacerdotais, defendendo a redenção das classes menos favorecidas e minorias sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tais práticas, Issa também sofreu perseguições na Pérsia de onde foi expulso, tendo retornado então à Palestina, onde reafirmou sua origem israelita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje, na cidade de Srinagar, na região de Anzimar, na Caxemira, pode-se visitar uma antiga tumba de um profeta chamado Yuz Assaf. Esta sepultura está orientada de leste para oeste, tal como perscreve a tradição judaica. Sobre esta tumba se encontra uma lápide decorada com a imagem de Yuz Assaf, e o mesmo apresenta cicatrizes nas mãos e nos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yuz Assaf teria morrido por volta dos oitenta anos, e teria se casado, gerando filhos.&lt;br /&gt;Até hoje, os descendentes de Yuz Assaf reivindicam o reconhecimento da descendência direta de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Epílogo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, encerramos esta pequena reflexão de cunho científico sobre a história e a arqueologia de fatos e questões que se relacionam a Jesus, a bíblia e o cristianismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu espero que este trabalho colabore com a sua reflexão, meu caro leitor, e enriqueça o seus conhecimentos acerca de um dos principais pilares da cultura ocidental: as origens judaico-cristãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os que não têm fé, que este estudo não seja uma arma de ataque contra os crentes, já que não foi criado com este objetivo. Aos que têm fé, que este estudo sirva para que reflitam sobre suas convicções, agora enriquecidos com maiores conhecimentos sobre aquilo que tanto respeitam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de ser um tratado completo, este estudo ignora a maioria das milhares de versões sobre as mais diversas passagens bíblicas. É só um pouquinho daquilo que eu conheço e quero, sem nenhuma intenção lucrativa, dividir com você, leitor amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Douglas Gregorio Miguel ::&lt;br /&gt;outono de 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bibliografia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- École Biblique de Jerusalém / A Bíblia de Jerusalem / Edições Paulinas, São Paulo, 1985. (antigo e novo testamento).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Marques, Oscar C. / O Mistério da Rosa Mística / Editora Tecnoprint, Rio de Janeiro, 1991 (em especial o capítulo 5: “A Fraternidade Essênia, ramo esotérico da Fraternidade Branca”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tricca, Maria H. O. (org.) / Apócrifos, os Proscritos da Bíblia / Mercuryo, São Paulo, 1989.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tricca, Maria H. O. (org.) / Apócrifos II, os Proscritos da Bíblia / Mercuryo, São Paulo, 1992.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vermes, Geza (org.) / Os Manuscritos do Mar Morto / Mercuryo, São Paulo, 1995.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Wilson, Edmund / Os Manuscritos do Mar Morto / Cia. Das Letras, São Paulo, 1994.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Putin, P. e Schoereder, G. / Os Anos Misteriosos de Jesus / in Revista Sexto Sentido nº 04 / pp. 32 – 35 / Mythos, São Paulo, 1994.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cavalcante, R. / Quem foi Jesus? / in Revista Super Interessante nº 183 / pp. 41 – 49 / Abril, São Paulo, 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Toledo, R. P. de / O Jesus da História / in Revista Veja de 23 de dezembro de 1992 / pp. 48 – 59 / São Paulo, Abril, 1992.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; - Lc 1, 5; 2, 1-2.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; - Meier, John / Rethinking the Historical Jesus / Doubleday, New York, 1991.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; - Declaração dada à revista Super Interessante nº 183, publicada em dezembro de 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; - Tradições orais: conhecimento não documentado, não escrito, transmitido de boca em boca.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; - Não confundir a ordem com a qual se apresentam os livros bíblicos com a ordem cronológica na qual foram escritos; na bíblia, o primeiro evangelho “oficial” que aparece é o de Mateus, mas cronologicamente, o primeiro evangelho a ser escrito foi o de Marcos.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; - A título de curiosidade, a famosa sigla INRI que temos divulgada hoje em dia é a abreviatura de parte do que estava escrito no alto da cruz, especificamente a frase em latim, a saber: IESUS NAZARENUS REX IUDEORUM – Jesus Nazareno Rei dos Judeus.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;[7]&lt;/a&gt; - Jo 18, 37.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref8" name="_ftn8"&gt;[8]&lt;/a&gt; - Jo 19, 21-22.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref9" name="_ftn9"&gt;[9]&lt;/a&gt; - Mt 22, 15-22; Mc 12, 13-17; Lc 20, 20-26.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn10" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref10" name="_ftn10"&gt;[10]&lt;/a&gt; - Para maiores detalhes sobre as técnicas de crucificação confira: Keller, Werner / E a Bíblia Tinha Razão / Melhoramentos, São Paulo, 2000.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn11" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref11" name="_ftn11"&gt;[11]&lt;/a&gt; - Mt, 2 13 – 23.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn12" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref12" name="_ftn12"&gt;[12]&lt;/a&gt; - É quase que certo que João Batista teria sido um Essênio, pois a descrição de sua pessoa e de seus hábitos como temos no evangelho de Mateus 3, 4 é extremamente semelhante ao modo de vida dos Essênios.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn13" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref13" name="_ftn13"&gt;[13]&lt;/a&gt; - Mt. 4, 1-2.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn14" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref14" name="_ftn14"&gt;[14]&lt;/a&gt; - Jo 19, 23.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn15" href="http://www.blogger.com/app/post.pyra?blogID=9098027#_ftnref15" name="_ftn15"&gt;[15]&lt;/a&gt; - Marques, Oscar C. / O Mistério da Rosa Mística/ Tecnoprint – Rio de Janeiro, 1991 – p. 80.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-110010158721097245?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/110010158721097245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=110010158721097245&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110010158721097245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110010158721097245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2004/08/reflexes-cientficas-sobre-bblia.html' title='Reflexões científicas sobre a bíblia'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-110010391260568647</id><published>2004-07-31T04:00:00.000-03:00</published><updated>2004-11-14T00:30:35.453-02:00</updated><title type='text'>A Vitória Grega - Olimpíadas 2004</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A Vitória Grega&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Resumo: um comentário sobre as olimpíadas de Atenas - o significado da simbologia da cerimônia de abertura e as implicações políticas e culturais previstas do evento.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando os gregos criaram os jogos olímpicos com toda certeza nem desconfiavam dos desdobramentos que este evento teria vários séculos depois.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Olímpiada de Moscou em 1980 foi um marco na história dos jogos olímpicos modernos, na medida em que a cerimônia de abertura representava a efervecência que antecipava os acontecimentos do final da década: a abertura da então União Soviética para o mundo, o advento da mundialização e as radicais transformações na cultura e nos costumes que viriam a partir de então.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os espanhóis e os coreanos tiveram um êxito muito grande no que diz respeito à grandiosidade exigida e na interrelação sócio-econômica e histórica que decorreu do evento: o surgimento da União Européia e o ápice dos tigres Asiáticos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como foi amplamente comentado na imprensa, os gregos estão apostando tudo nesta olimpíada no sentido de provocar a “decolagem” da Grécia no cenário internacional, em especial no que diz respeito ao seu já tão forte turismo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há questões que se referem a momentos culturais da humanidade, como foi por exemplo, o Iluminismo em relação à Revolução Francesa; mas este movimento cultural deu-se de forma ligada a uma determinada época.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A filosofia e a cultura helênica vai muito além disso, aliás, muito além das fronteiras da própria Grécia – Alexandre, O Grande que o diga – trata-se da configuração mais completa dos fundamentos da civilização ocidental.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E os gregos exploraram isto de forma magistral na cerimônia de abertura das olimpíadas.&lt;br /&gt;O Centauro – meio homem, meio cavalo – símbolo mitológico do lado animal que existe dentro de cada um de nós e que precisa ser domado, este eterno conflito entre razão e instinto – bem foi colocado na cerimônia como elemento primordial que fecundou a criatividade humana – o conflito – como bem diria Heráclito, “da tensão entre a corda e o arco na cítara nasce a mais bela harmonia” – a harmonia dos contrários.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tanto assim foi que Eros esteve presente do começo ao fim da bela cerimônia que bem poderia ser interpretada segundo um instrumental de Nietzsche – a razão de Apolo em contraposição à embriaguês de Dionísio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A tragédia grega – o despedaçar do bode que ocorria no final das cerimônias bacantes nas quais a embriaguês e a libertinagem garantiam o caos gerador – também esteve presente de forma bem direta – o esfacelar da cabeça, representando os vários momentos do desdobramento da cultura grega no ocidente – de memorável representação da pedra cúbica pitagórica, presente de forma intensa até os dias de hoje no simbolismo esotérico – por exemplo, o trono do Imperador, arcano IIII do tarô – a pedra fundamental da criação, centelha divina dentro de cada homem – a racionalidade construtora da cultura, seu alicerce mais fundamental.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Espetacular desfile da “clepsidra” na qual toda a história helênica e ocidental foi contada de forma direta e completa, a partir da civilização minóica até a civilização contemporânea. Édipo, espetacular, Héracles (Hércules) em combate com a Hidra, a guerra de Tróia e por aí vai.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nada mais mediterrâneo que a oliveira, presente de Palas-Atena, a deusa da sabedoria, para os homens. Alimento indispensável ao homem mediterrâneo com seu azeite de múltiplo uso, uma árvore resistente que adapta-se aos mais variados tipos de terreno – assim como se idealizava a Hélade (grécia) de Péricles, o Pai da Democracia, contemporâneo de Sócrates, Platão, Aristóteles e outros grandes mestres da cultura helenista, mãe de toda cultura ocidental.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E percebam – do começo ao fim, Eros, o impulso fecundador, sempre presente... aliás, a cerimônia em seu momento mais humano – pós-Centauro – foi iniciada pelo casal de amantes – sede fecundos! E gerai uma civilização! E aqui estamos nós!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mudando um pouco o foco dos comentários, exponho a má impressão sobre o mau gosto da roupa da delegação brasileira na abertura – um verde-abacate-cítrico cheirando a New Wave dos anos 80 (dá-lhe B 52), com uma ridícula textura-estampa nas gravatas e saias que, se não fossem os comentaristas da Globo, eu jamais ligaria com a textura das calçadas de Ipanema – mais uma vez o Rio de Janeiro apresenta-se em nome do Brasil, ignorando todo nosso ecletismo e grandesa cultural. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Longe de mim querer alimentar a tola rivalidade entre paulistanos e cariocas, já que enquanto bandeirante sou suspeito em relação a quem adora papar goiaba, a velha hegemonia ditatorial presente em nossas entidades esportivas só pode ter como resultado absurdos como esta ridícula escolha do projeto de Mônica Conceição para os trajes de abertura – isso sem comentar a candidatura sem base alguma do Rio de Janeiro para as Olimpíadas. Mas isto é outra história.&lt;br /&gt;Parabéns para as delegações africanas que apresentaram belíssimos e imponentes trajes, como por exemplo, a Etiópia, a Libéria, Mali, Niger, Nigéria e Benin, mostrando que não só a miséria é algo que a eles deva ser relacionado. A Malásia (Ásia) também fez memorável desfile de abertura.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já Barbados, Brasil e Botsuana... deixaram muito a desejar neste sentido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Parabéns para Gianna Angeloupolos, presidente do comitê organizador, pela presença carismática, confiante a acolhedora que passou ao mundo no discurso de boas vindas e abertura das Olimpíadas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bancaremos os próximos Pan-Americanos – onde? – Rio de Janeiro, ótimo, vejamos no que vai dar. E assim, bancando eventos e espetáculos esportivos do gênero, quem sabe os países emergentes poderão encontrar um caminho na fascinante teia de comunicação internacional para mandar o seu recado: podemos trabalhar, podemos vencer! E que bela vitória grega!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Douglas Gregorio::&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-110010391260568647?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/110010391260568647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=110010391260568647&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110010391260568647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110010391260568647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2004/07/vitria-grega-olimpadas-2004.html' title='A Vitória Grega - Olimpíadas 2004'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-110010325944120700</id><published>2004-05-31T05:59:00.000-03:00</published><updated>2004-11-15T18:40:36.350-02:00</updated><title type='text'>Tróia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Segue um comentário do filme Tróia, com explicações literárias, arqueológicas e mitológicas, bem como indicações de livros e outros filmes do gênero.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;TRÓIA (Troy) - E.U.A - 2004&lt;br /&gt;Brad Pitt como AQUILES.&lt;br /&gt;Eric Bana como HEITOR.&lt;br /&gt;Orlando Bloom como PÁRIS.&lt;br /&gt;Diane Krueguer como HELENA.&lt;br /&gt;Sean Bean como ODYSSEUS (Ulisses).&lt;br /&gt;Direção de Wolfgang Petersen.&lt;br /&gt;Roteiro de David Berniof, baseado no poema A ÍLIADA de Homero.&lt;br /&gt;Estúdio: Warner Bros.&lt;br /&gt;Tempo: 165 minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que um helenista (aficionado de cultura grega) como eu não poderia se furtar a assistir e comentar um filme como este. Quando soube que estava sendo preparado o lançamento de Tróia há alguns meses, uma ansiedade muito grande tomou conta de mim. Acredito que fui recompensado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro contato com a mitologia grega deu-se por volta dos meus dez anos, quando então li as obras de Monteiro Lobato "O Minotauro" e "Os Doze Trabalhos de Hércules".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde aquela época, meu interesse por mitologia em geral, em especial a grega e a egípcia nunca mais acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cego não pode escrever... então ele conta suas histórias oralmente. Assim foi Homero, o rapsodo grego que desenvolveu os poemas orais, posteriormente escritos não se sabe por quem, que deram origem a duas das principais obras da mitologia grega: a Ilíada e a Odisséia, sendo a primeira inspiração para o grande lançamento da semana: TRÓIA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o sucesso de Gladiator (2000), Holywood está tentando retomar o sucesso dos grandes épicos que "arrebentaram" nos anos 60, com destaque para "Spartacus" e "Ben Hur". E Tróia, esta superprodução que já está batendo recordes (porém, não todos os que seus produtores esperavam) está vindo nesta linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme não faz menção aos aspectos mitológicos do poema, privilegiando o aspecto histórico. Infelizmente. Talvez porque a imensa variedade de versões dos mitos faz com que isto se torne um tanto que impreciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirando a "carinha de bebê" de Brad Pitt, julguei sua representação de Aquiles muito condigna para com o mito. Talvez um Schwarzenegger reunisse imagem e genialidade dramática para conduzir o papel atendendo à expectativa mítica de forma mais completa, porém, Brad Pitt encarnou a rudez e a friesa do sanguinário semideus Aquiles de forma aplaudível, e mesmo genial. Além disso, o mais famoso brutamontes do cinema deve estar mais ocupado com seus compromissos de governador da Califórnia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como podemos observar, é claro que Tróia deve ter custado a Brad Pitt vários meses de musculação intensiva, e talvez... provavelmente... ajudado por anabolizantes... ou ainda por algum tratamento especial de imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clima de aventura toma conta do filme do primeiro ao último minuto, e podem acreditar: nem se sente os 165 minutos passarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cenários e figurinos espetaculares. Fotografia e efeitos especiais idem. Além da atuação memorável de Brad Pitt, Eric Bana "arrebentou" com sua formidável representação do herói Heitor que quase ofuscou Brad Pitt. Com certeza, Diane Krueger fez jus ao papel de Helena, a mulher mais bela do mundo, de certo que pouco destaque teve ao longo do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filme rodado no litoral mexicano, com uma série de problemas, entre eles nada mais, nada menos que dois furacões, e, coincidência irônica do destino, Brad Pitt sofreu uma lesão no tendão de Aquiles e as filmagens precisaram ser suspensas por duas semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do filme, no discurso de encerramento de Odysseus (Ulisses) ocorre uma dica: parece que teremos a continuação da história num novo filme, muito provavelmente na continuação do poema de Homero, a Odisséia, que narra o retorno de Odysseus para a ilha que reinava, Ítaca, retorno esse que veio a durar vinte anos devido à maldição do deus do mar Posseidon, um dos protetores de Tróia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guerra de Tróia segundo a mitologia clássica: Aqueles que viriam a ser os pais de Aquiles, a nereida (deusa do mar) Tétis e o mortal Peleu decidiram se casar. Então, ocorreu uma grande festa no Olimpo. Éris, a deusa da discórdia foi desconvidada. Ofendida, rumou ao Jardim da Hespérides e obteve o valioso fruto de ouro, o "Pomo das Hespérides", que seriam as valiosas frutas de ouro maciço que traziam também poderes místicos, um tesouro cujo acesso era negado até mesmo aos deuses. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Éris lançou no meio da festa o pomo de ouro com a inscrição: "À mais formosa". Hera (Juno), Atena (Minerva) e Afrodite (Vênus) começaram então a brigar entre si pelo prêmio. Estava feita então, a discórdia. Daí a expressão "pomo da discórdia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para resolver o impasse, os deuses decidiram convidar o mortal Páris para decidir. Assim, Hera lhe ofereceu riqueza e poder, Atena, sabedoria e sagacidade guerreira e Afrodite, o amor da mulher mais bela do mundo. É claro que Afrodite acabou levando o pomo de ouro. Só que a mulher mais bela do mundo já era casada: Helena, esposa de Menelau, rei dos gregos, primo do general Agamenon. Com a ajuda de Afrodite, Páris rapta Helena, e esta se apaixona por ele, e passam a viver em Tróia (Ílion - daí Ilíada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menelau e seus parentes não se conformam com a afronta e partem com uma frota de mil navios cheios de soldados para resgatar Helena de Tróia, cercada por muros que jamais foram transpostos por inimigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exército grego tinha como seu mais destacado guerreiro Aquiles, o aqueu, líder da elite dos guerreiros, os Mirmidões. Extremamente hábil em todas as artes bélicas, Aquiles era dotado da força dos deuses. Sua mãe, Tétis, no ato do seu nascimento, segurando-o pelos pés o mergulhou no Rio Styx (Estíge ou Estígia), o rio que banha o reino dos mortos, tornando-o invunerável, exceto pelos calcanhares por onde foi segurado. Junto de Aquiles seguia o rei de Ítaca, não menos destacado guerreiro, conhecido pela apurada astúcia, seu melhor amigo, Odysseus (Ulisses). Havia uma profecia que dizia que se ele, Odysseus, partisse para Tróia, não voltaria para sua casa em menos de 20 anos. Outra versão diz que essa era uma maldição de Posseidon (Netuno), deus do mar. A história destes vinte anos originou o outro poema de Homero, a Odisséia, já retratada no cinema nos anos 60 sob o título de "Ulisses".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Troianos, por sua vez, seriam defendidos por seu mais destacado guerreio Hector (Heitor), "o domador de cavalos", pelo seu rei e pai Príamo e seu irmão Páris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava feita a guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos e anos se seguiram de batalhas e batalhas, até que Aquiles entrou em desacordo com Agamenon sobre a posse de Criseida (Briseida em algumas versões), sacerdotisa de Apolo, protetor de Tróia, feita refém durante a profanação do templo de Apolo por Aquiles. Em algumas versões, ambos teriam se apaixonado. Este decidiu retirar-se da batalha, baixando a moral dos exércitos gregos, dado que, quando ele estava em batalha, a vitória era certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, o Mirmidão Pátroclo, o principal pupilo de Aquiles (seu primo em algumas versões), vestiu sua armadura e assumiu seu lugar nas batalhas, sendo morto por Heitor que o confundiu com Aquiles. Inconformado com a morte do discípulo, Aquiles retorna ao combate, forçando a volta dos troianos para dentro de seus muros, exceto de Heitor que bravamente decidiu enfrentá-lo. Por três dias Heitor foge de Aquiles correndo em torno dos muros de Tróia até que, finalmente, recebe um golpe com a lança de Peleu, pai de Aquiles, na garganta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para humilhar os troianos, Aquiles amarra Heitor pelos pés e o arrasta num grotesco espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, Tróia é finalmente invadida através de um plano de Odysseus. Os navios gregos se retiram, fingindo rendição, porém, se escondem numa baía entre as montanhas. Deixam como sinal de rendição um presente: uma grande escultura de um cavalo. Os troianos festejam e se embebedam, baixando a guarda, levando o cavalo para dentro dos muros de Tróia como um troféu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, na calada da noite, de dentro do cavalo surge um tropa grega, entre os quais Odysseus e Aquiles, que prontamente iniciam o saque em Tróia, abrindo os portões para as tropas gregas que até então estavam escondidas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, os troianos se rearmariam e mais guerras se dariam, sob o comando de Enéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos, muitos mais detalhes, personagens e versões deste mito existem, algumas retratadas no filme, e várias outros não. Porém, é basicamente esta a passagem que foi utilizada pelo roteirista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dicas de livros:&lt;br /&gt;Homero / Odisséia / Trad. A. P. Carvalho/ Abril Cultural, São Paulo, 1981.&lt;br /&gt;Bulfinch, T. / O Livro de Ouro da Mitologia / Trad. David Junior / 25ª / Ediouro, Rio de Janeiro, 2001.&lt;br /&gt;Pinsent, J. / Mitos e Lendas da Grécia Antiga / Trad. O. M. Cajado / 2ª / Edusp-Melhoramentos - São Paulo 1978.&lt;br /&gt;Lobato, M / Os Doze Trabalhos de Hércules - Tomos 1 e 2 / 13ª / Brasiliense - São Paulo, 1965.&lt;br /&gt;Existem um sem-número de títulos versando sobre mitologia grega em geral e sobre a guerra de Tróia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dicas de filmes:&lt;br /&gt;"Fúria de Titãs", dir. Desmond Davis, Warner Bros. - E.U.A. 1981 - 118 min., com Harry Hamlin, Lawrence Olivier, Ursula Andress, Judi Browker.&lt;br /&gt;Narra o mito de Perseu, o herói que decepou o pescoço da Medusa, o monstro que transformava em pedra as pessoas que o olhassem nos olhos, domando Pégaso, o cavalo alado, lutando contra Tritão, o monstro dos mares, pelo amor de Andrômeda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ulysses", dir. Mario Camerini - Itália, 1954, 104 min., com Kirk Douglas e Anthony Quinn. Narra a "Odisséia", poema de Homero que é continuação da Ilíada, com o retorno de Ulisses (Odysseus) vivido por Kirk Douglas. Rei de Ítaca, viveu um atribulado retorno errante durante 20 anos para sua casa, após a guerra. Nele são retratadas passagens mitológicas muito conhecidas, tais como o episódio em que Ulisses ordena que seja amarrado ao mastro de seu navio, tapa os ouvidos de seus homens com cera e se delicia com o canto das sereias, ou ainda sua luta com o cíclope Polifemo, gigante de um único olho no meio da testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DOUGLAS GREGORIO::&lt;br /&gt;Maio de 2004. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-110010325944120700?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/110010325944120700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=110010325944120700&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110010325944120700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110010325944120700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2004/05/tria.html' title='Tróia'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-110010099657626210</id><published>2004-04-10T11:32:00.000-03:00</published><updated>2004-11-14T00:57:41.773-02:00</updated><title type='text'>Eu sou Spartacus! </title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Resumo: trata-se de um comentário a um dos maiores filmes de todos os tempos.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Spartacus&lt;br /&gt;Dirigido pelo legendário Stanley Kubrick (Laranja Mecânica, Lolita, 2001 Odisséia no Espaço), estrelado por um dos maiores galãs da história de Hollywood, Kirk Douglas (Ulisses, Minha Filha Quer se Casar, Glória Feita de Sangue, A Montanha dos Sete Abutres), pai do não menos famoso Michael Douglas, e também pelo recentemente falecido Peter Ustinov, Laurence Olivier e Tony Curtis. 4 Oscars.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exibido à exaustão pela TV brasileira nas décadas de 70 e 80, o filme é ambientado na época pré-imperial da República Romana, e narra a história de Spartacus, escravo cujo destino o conduziu a uma escola de gladiadores. Sempre inconformado com a escravidão, Spartacus era conhecido por sua rebeldia e insubordinação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante uma rebelião fugiu da tal escola, e depois organizou um movimento que agregava cada vez mais escravos rebeldes e os escravos eram a esmagadora maioria da população na época. Spartacus liderou então a formação de uma milícia treinada segundo as técnicas que aprendera na escola de gladiadores, fazendo com que obtivessem durante muito tempo grandes vitórias sobre a poderosa e temida Legião Romana, dadas as técnicas de combate bem mais aprimoradas pelos gladiadores que lutavam sempre para defender as próprias vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo do movimento de Spartacus eram um só: fugir da Itália, deixando para trás a condição escrava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo a República Romana vivenciava seus últimos dias: os plebeus liderados pelo Senador Graccus (Charles Laughton) lutavam pela manutenção da República, na qual poderiam manter direitos conquistados; já os patrícios estavam cansados de dividir o poder com os plebeus, e lutavam pela instauração do império, liderados pelo Senador e General Crassus (Laurence Olivier).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De início o movimento de Spartacus foi subestimado como uma corriqueira revolta que desapareceria dentro de algumas semanas, mas o Senado Republicano começou a se incomodar quando viu o movimento assumir as proporções de uma milícia e subjugar enormes contingentes da Legião Romana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Servindo de mero joguete político nas mãos dos adversários Graccus e Crassus, o movimento de Spartacus foi enfim destruído pela união dos exércitos de Julio César, Pompeu e Crassus, quando este último dobrou a paga do contrato que Spartacus realizou com piratas que conduziriam sua milícia em seus navios para fora da Itália, além de lançar mão dos numerosos recursos estratégicos dos quais dispunha com larga vantagem sobre a milícia de Spartacus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Final extremamente emocionante e triste, quando Spartacus se vê obrigado por Crassus a matar uma das pessoas a quem mais amava, seu companheiro e praticamente filho adotivo Antoninus (Tony Curtis) para livrá-lo do destino reservado ao vencedor: a pena capital aplicada a todos os que desafiavam o poder de Roma, a mesma que Jesus Cristo receberia anos mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destaque para cenas de ação, como a do combate entre Spartacus e o gladiador negro na escola de Cápua; a hilariante cena do show de prestidigitação de Antoninus no acampamento da milícia em que "prega uma peça" em Spartacus e a cena final em que a esposa de Spartacus apresenta-lhe seu filho ainda bebê que nascera em meio à batalha na qual ele havia sido preso, despedindo-se suplicando que ele morra para não sofrer, além de, é claro, a cena do massacre final da mílicia encurralada entre três exércitos da Legião Romana, após a qual os sobreviventes impedem a identificação de Spartacus por Crassus aos gritos de "Eu sou Spartacus!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A genialidade de Kubrick, somada a não menor genialidade de Kirk Douglas que não foi só ator, mas também produtor executivo, geraram um personagem comovente e apaixonante, dotado de um profundo sentimento de ódio pela escravatura, marcado por sua rudez e ignorância, sendo ao mesmo tempo doce e humanitário, apaixonado por sua espôsa Varínea, e fiel companheiro de todos a quem amava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fã de Kirk Douglas que sou, acompanhei sua carreira e digo que Spartacus indiscutivelmente foi seu ponto mais alto, seguida da sua interpretação do grande artista Vincent Van Gogh.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de tudo isso, o mais tocante é que o roteiro, baseado no romance de Howard Fast, é inspirado na vida real de Spartacus, um dos maiores heróis de toda história da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem assistiu o recente "Gladiator" de Ridley Scott (2000) perceberá marcantes coincidências entre os dois filmes, em vários pontos temáticos idênticos, tais como: tramas políticas no mundo romano antigo, escravagismo, gladiadorismo, a amizade com o gladiador negro, relações afetivas mórbidas do personagem central com a mulher amada e filho bebê, mas no meu entender Spartacus de 1960 não foi superado nem quarenta anos depois com toda a tecnologia aplicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos até perceber uma inegável semelhança física e também em estilo de performance entre atores que representaram papéis semelhantes nos dois filmes: Laurence Olivier como o arrogante e ganancioso general Crassus em Spartacus, e Joaquin Phoenix que interpretou o mesquinho e covarde imperador Commodus em Gladiator.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, tenho que admitir que os recursos tecnológicos atuais, somados às atuais tendências da sétima arte que permitem toques de ousadia mais agressivos que nos anos 60, fazem com que as cenas de ação de Gladiator obtenham vantagem em realismo e emoção sobre as cenas de ação de Spartacus. Ressalvo que, como sou nascido em 1967, não tive a oportunidade de assistir Spartacus na telona, como assisti Gladiator, e bem sabemos que na telinha qualquer cena de ação fatalmente perde em emocionalismo e realismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosidade: os gritos da multidão "Eu sou Spartacus" na cena da derrota da milícia foram gravados durante uma partida de futebol americano no Spartan Stadium na Universidade de Michigan. A produção mobilizou 8500 figurantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu em particular tenho especial apreço por este filme que consagrou a genialidade de Kirk Douglas, tornando meus pais fãs do ator. Nem é preciso dizer qual foi a homenagem que fizeram ao escolherem meu nome. E eu me orgulho disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spartacus é considerado por muitos como um dos maiores clássicos da história de Hollywood, um dos maiores épicos de todos os tempos, e para quem se interessou e ainda não viu, ou já viu e quer rever, será interessante locar as cópias e estabelecer um paralelo com "Gladiator".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prepare-se: como nas grandes produções da época, é bem longo - 183 minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Douglas Gregorio::&lt;br /&gt;março de 2004.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-110010099657626210?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/110010099657626210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=110010099657626210&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110010099657626210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110010099657626210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2004/04/eu-sou-spartacus.html' title='Eu sou Spartacus! '/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9098027.post-110010012735727956</id><published>2004-02-01T06:00:00.000-02:00</published><updated>2004-11-11T13:25:24.423-02:00</updated><title type='text'>Carandiru Superstar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;História viva, uma lenda urbana: Carandiru Superstar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Resumo - Trata-se da crônica de uma visita ao presídio do Carandiru nos dias que se seguiram à sua desativação no ano de 2002, com a descrição detalhada dos aspectos físicos e depoimentos de carcereiros e visitantes.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como todos sabemos, o maior presídio da América Latina hoje não existe mais. A Casa de Detenção do Estado de São Paulo, mais conhecida como "Carandiru", foi desativada há algumas semanas. Necessidade, inadequação, propaganda política em véspera de eleição... fato é que o Carandiru deixou de existir, e está aberto à visitação pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de prosseguir, cabe aqui algumas explicações: o Complexo Penitenciário do Carandiru continua ativo. Ele é composto de uma série de instituições penais, como a Penitenciária do Estado e a penitenciária feminina. A instituição desativada foi a maior e a mais problemática de todas elas, a já citada Casa de Detenção. As demais continuam ativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma quinta-feira, dia três de outubro de 2002. Céu parcialmente nublado, tarde de calor em início de primavera. Após uma visita ao dentista cujo consultório fica nas imediações do Carandiru, senti-me como que contaminado pela febre da curiosidade. Bastava alguns poucos quarteirões e a travessia da avenida Cruzeiro do Sul que eu estaria lá dentro... da cadeia! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Será que foram simplesmente as circunstâncias que me levaram a visitar o Carandiru? Não acredito. Caso contrário não teria saído de minha casa com a máquina fotográfica abastecida.&lt;br /&gt;Nojento, bizarro, triste, pavoroso... sabe-se lá quais os adjetivos que melhor classificam a sensação de estar próximo ou simplesmente se pensar no Carandiru. Mas posso afirmar com toda segurança que o estranho fascínio que me atraiu na oportunidade de conhecê-lo por dentro não contaminou só a mim, como você leitor verá a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após fazer as minhas orações e pedir proteção espiritual - ora bolas, é um direito que eu tenho, afinal de contas estava adentrando um local de comprovada aura macabra - cheguei ao Carandiru, e de início fiquei um pouco surpreendido em estar vivenciando a situação de estar pisando num solo que foi proibido por muitas décadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo na fachada, na avenida Cruzeiro do Sul, uma faixa sobre o portal que dizia: CASA DE DETENÇÃO ACABOU, e pequenos cartazetes de computador colados nos muros à altura dos olhos, dizendo: "visitas de terça a domingo, das dez às dezesseis horas. Depois, fiquei sabendo que a visitação se encerra no dia 20 de outubro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira parte: corredores fechados por grossos e pesados portões de ferro que separavam cada estágio do prédio: pátio de estacionamento, pátio de recepção, "hall" principal que dava acesso aos pavilhões e outros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Algumas placas toscas indicavam os caminhos a seguir. Eu tinha opção de ir para a esquerda, ou para a direita, e escolhi esta última. Antes, tive de fornecer nome e telefone a um dos dois recepcionistas engravatados que habilmente digitavam estes poucos dados de cada um dos visitantes... muitos visitantes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se não me falha a memória, comecei pelo pavilhão,... 10? 7? 6? Sei lá, comecei por um dos três que estavam abertos à visitação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais muros, mais portões pesados até finalmente chegar num portal fechado pelas tradicionais barras verticais que nos lembram muito bem uma cadeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa que avistei foi uma placa branca esmaltada com letras em azul-marinho que dizia: “Jesus Salva”, placa esta marcada pelas sucessivas pinturas de parede que com certeza ocorreram ao longo dos anos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na sua porção mais central onde naturalmente circulam as pessoas, os degraus das escadas estavam tão desgastados pelo uso contínuo durante anos sem manutenção que exibiam polidos tijolos que ficavam por debaixo de uma camada de concreto que não existia mais. As paredes... pois bem... mesclando uma estética que girava entre o “sentimentalmente brega” ao “excessivamente comercial”, eram artísticamente decoradas... é sério, acreditem. A cada patamar das escadarias tinhamos um grande painel, um afresco, sim, afresco, sem exagero. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Primeiro painel: um grande coração florido com a frase: "mãe, parabéns pelo seu dia!"; com as paredes em branco salpicado de bolinhas vermelhas e verdes, do tamanho da circunferência de uma laranja. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segundo andar, um painel imenso: Hércules, personagem Disney reproduzido com extrema perfeição de formas e cores, numa cena que envolvia vários outros personagens do filme.&lt;br /&gt;Terceiro andar, Pocahontas, idem.&lt;br /&gt;Talvez nesta narrativa eu esteja trocando a ordem dos painéis, o que não compromete a descrição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, o quarto andar. Um funcionário indicava a direção a seguir. Um longo e sombrio corredor de poucas janelas, fios elétricos aparentes no teto, tudo em azul-marinho descascado. Agora sim, a coisa parecia ficar com cara de cadeia. Um infindável número de pequenas portas de ferro pesado, com uma pequena janelinha em retângulo: as celas, abertas sim, porém não era permitido adentrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camas de concreto junto às paredes, um box sem paredes com um vaso sanitário e um chuveiro. A célebre janela quadriculada por barras, de onde vem a expressão: "ver o sol nascer quadrado". Era isso a cela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei por um longo corredor. Dobrei à esquerda e, na próxima esquina, uma aglomeração em torno de um rapaz aparentando entre 25 e 30 anos, de óculos escuro, displicentemente sentado num banquinho com os pés apoiados noutro. Crachá de identificação e radiotransmissor na mão. Tratava-se de um dos agentes penitenciários, popularmente conhecidos como carcereiros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Empolgado, ele explicava às centenas de curiosos como eu que circulavam por ali histórias, lendas e como era a vida no Carandiru.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São algumas de suas explicações. Vou manter o linguajar coloquial e popular, com todos os erros de português: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"A administração só indicava o pavilhão, era o preso novo que tinha que achar um numa cela. Entre estas mais de cem cela, era ele que tinha que achar um lugar pra ficar, não havia controle algum. A administração sabia dizer o pavilhão que o preso ficava, mas a cela que ele ficava só pelo costume, não tinha nada registrado.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Bandido é folgado mesmo. Eles tinha no café da manhã: pão com manteiga, pão sem manteiga, frutas, café, e semanalmente cada um recebia um saquinho com duzentas gramas de leite em pó. E quanta gente boa aí fora nem se lembra da última vez que bebeu leite... bandido é folgado mesmo. Se vocês via na TV eles fazendo rebelião porque comia mal, era só desculpa. Nós (funcionários) comia a mesma comida que eles, fornecida pela De Nadai. Bandido é folgado mesmo, quando mais você dá, mais ele qué". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"As duas maior fuga foi uma de quarenta e três presos, e outra de cento e cinquenta e quatro presos. Mas foram exceção, a maioria dos túneis era descoberta antes deles acabá de cavá". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"As cela abria de manhã e fechava às dezesseis hora. Durante o dia eles circulava livre pelo pavilhão e pelo pátio, só não podiam ir de um pavilhão pra outro... de certo que sempre tinha um jeitinho de alguns fazê uma visitinha no outro pavilhão”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uns trabalhava, um pouco, mas a maioria passava o dia inteiro sem fazer nada mesmo". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Toda segunda-feira era o dia do acerto, que era feito aqui, exatamente neste corredor, o corredor dez, que fica mais nos fundo do pavilhão. Era só dois agente para vigiá o pavilhão todo, e ficava dificil controlar o que ocorria aqui, pois até chegá alguém, o fato já tinha acontecido. Eles acertava dívida, diferença, bronca, tudo o que você pudesse imaginar. Era a chamada "segunda-feira nervosa". Nos acerto ocorria as coisa mais estranha possível. Uma coisa que costumava acontecer era a seguinte: se alguém devia demais e precisava pagar com a vida, só tinha uma saída: pagá com sua mulher, caso ele tivesse uma, durante a visita íntima. Isto se o cara achasse a mulher gostosa e aceitasse ela como pagamento. E a mulher... ou concordava, ou perdia o companheiro". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“As rebeliões eram fáceis de identificar: logo pela manhã, o movimento pelos corredores era mínimo, e o silêncio absoluto... a gente já se preparava". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Até o momento eu estava achando que não valia a pena fotografar aquele ambiente horrível, mas resolvi então registrar o dito "corredor dez", e algumas celas... tudo como se vê em filmes: paredes forradas de fotografias de mulheres nuas. Tudo exatamente como eu imaginava. Numa das celas, cheguei a ver uma pequena televisão PB, daquelas que se fabricavam nos anos 70, deixada ali. Com certeza, já não funcionava há anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de dar a volta completa no corredor, parei para ouvir outro carcereiro: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Nas rebeliões, eu tinha que ficar e correr risco, senão eu ia ficá com fama de “bunda mole” e ia perdê o respeito que eu tinha conquistado dos preso”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Quando a gente percebia que ia ter rebelião, já pegava o rádio e falava lá na frente: “a chapa está esquentando!". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Como eu nunca fugi das rebelião, muitas vezes cheguei a ser chamado para mediar rebeliões noutros pavilhões". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Ah, aquele do Goulart de Andrade, o "eu vou mas eu volto", era um dos preso mais respeitado de todo o Carandiru. Idoso, não fazia mal a uma mosca, só que já não sabia viver lá fora. Cumpriu pena, foi solto, e de propósito aprontou uma pra voltar. A vida dele era aqui". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Estupros? Não ocorria, exceto na época em que não havia a visita íntima. Porém, a gente sabia da vida deles aqui fora. Depois das dezesseis horas, o que ocorria dentro da cela a gente já não sabia". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Os túneis nunca eram cavados de dentro pra fora, e sempre de fora pra dentro. Os comparsa alugava uma casa na vizinhança e faziam o trabalho". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Tinha preso que saia pra tomar uma cachaça lá fora na rua e voltava como se fosse a coisa mais normal do mundo". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Alguns, quando cumpriam a pena e saiam, nós tinha que acompanhar até a casa de um familiar, e não era raro não encontrar mais ninguém no endereço que eles sabiam. Eles não tinham mais noção de como se atravessar a avenida, tomar ônibus, metrô, apertar botão de semáforo, esqueciam completamente as noções da vida lá fora".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci, fotografei painéis e afrescos. Na entrada, parei novamente para ouvir o depoimento do carcereiro que controlava a porta de entrada principal do pavilhão, que constantemente precisava interromper sua fala para pedir pro pessoal que se aglomerava para ouvi-lo liberar o trânsito, pois haviam centenas de pessoas no entra e sai. Ele dizia:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Bandido é asseado, as celas e o ambiente em geral era tudo muito limpo, pois isto faz parte do regimento interno, é uma questão legal, cabe ao condenado manter o asseio e a organização do local onde cumpre pena. Se vocês estão vendo tudo sujo e bagunçado agora, é por vários motivos. Primeiro, eles mudaram e não iam ficar pra arrumar o resto que ficou pra trás. Segundo, o povo é muito destruidor. Estes riscos que vocês estão vendo sobre as paredes foi a molecada que veio de fora que fez depois que se abriu para visitação”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Nos primeiros dias (da visitação) podia entrar nas celas, mas o pessoal começou a levar coisas e destruir o que lá estava”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“E por último, depois que todos saíram, precisamos entrar e fazer severa revista em tudo para verificar se tinha alguma coisa comprometedora que eles tinham esquecido. Foram encontradas 245 facas". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Era só reparar: uma coisa é ser pobre, e outra é ser sujo. Uma camisa furada não precisa estar amarrotada ou encardida. Era só reparar, quando a visita era suja, a cela do cara era mais suja ainda. Mas a maioria era muito organizada e asseada". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Garota, por favor, não faz isso, não grava o que eu tô falando, sou um funcionário público, pode me comprometer". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"O cigarro era a moeda corrente, sempre em maço, e o Derby valia um real. Se vocês repararam, há uma cela com um cartazinho: “vendo toca-fitas por 50 maços". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Tinha um detento que me pediu para por favor, na frente dos outros não chamá ele pelo nome, pra chamá ele de ladrão, pros outro não tirá sarro dele. Se não chamasse eles de ladrão, eles perdia o respeito dos outros”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eles tinham gíria e uma linguagem muito própria, e a gente (os carcereiros) pra ser respeitado tinha que falar igual. Não adiantava eu pedir para um preso se apressar para sair da cela porque a demora dele estava atrasando todos os demais. Ele ia rir da minha cara. Tinha que chegar e gritar: “ô ladrão, se liga e desengancha sua bica pra não travar a corredeira”. Aí a coisa mudava de figura". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Travestis, estupradores e jurados de morte pediam proteção, iam pro pavilhão cinco. Não podia levar o cara qualquer hora, tinha que ser planejado, na hora certa, depois que as cela tinham fechado (16 h.), pois do nada podia aparecer um bando e linchar o cara no meio do pátio. Transferir de pavilhão por proteção era uma operação que tinha que ser planejada, e sempre perigosa". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"O Dexter, acredite se quiser, andava por aí com uma quadrada (arma de fogo) na cintura. Nem a gente, nem a polícia, nem os presos tentavam tomar a arma dele, era o todo poderoso e temido, mas eu sei que teve gente aí que comeu a bunda dele". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Não tinha esta história de superlotação. Se a cela tinha cinco cama, era cinco preso na cela e chega. Preso dormindo de pé amarrado para não cair é folclore. As exceções se dava quando rebeliões em outros presídios mandavam gente pra cá em regime de urgência. Daí a gente negociava com o pessoal e provisóriamente era colocado um colchão no chão, até se arrumar um lugar, o que ocorria em poucos dias". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Tatuagem tinha todo um código, por exemplo, caveira atravessada por faca era assassino de PM". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Homossexualismo rolava, mas nada como nos filmes em que preso novo tem que servir de mulher pra todos antes de começar a comer. Eles não forçava ninguém a fazer o que não queria, exceto se alguém rompesse com os esquemas, aí podia acontecer de tudo: um simples “gelo”, uma porrada, uma surra, até ser obrigado a dar a bunda... ou até morrer, tudo dependia da situação". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"O pavilhão nove era um dos melhores. Aquilo aconteceu lá não sei por que. E te digo: a polícia atirou foi porque quem estava lá atirou primeiro, a maioria estava armada. Neguinho saiu daqui aí fora e deu depoimento como testemunha do ocorrido... palhaço! Só viu quem tava lá dentro, os outros pavilhões male-male ouviram o barulho. Ninguém pode testemunhar o que aconteceu de verdade, quem podia morreu". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Preso com mais de cinco ou seis anos de pena cumprida ia pro pavilhão dois, é mais perto da rua, por isso ia pra lá aqueles que não iam se interessar em fugir".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os carcereiros eram todos jovens, se passavam dos trinta eram por poucos anos, e estavam se sentindo finalmente valorizados, pois eram os guias, os monitores, os professores, na verdade, o centro das atenções ali, naquele momento, no qual ser carcereiro não era mais uma profissão que lhes causava vergonha e necessitava ser escondida sob o eufemismo "agente carcerário", mas naquele momento, eles eram os “carcereiros do Carandiru”, os arquivos vivos da história que aquelas centenas e milhares de pessoas de todas as classes e idades procuravam ali. E aparentavam serem pessoas de origem de classe média assalariada, muito provavelmente com no mínimo segundo grau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, caminho de volta: portões, pátio, vamos para o pavilhão dois. Gente de todas as idades, em especial jovens presentes, muitas, muitas pessoas. Todos fascinados, curiosos, perplexos, emocionados até, fotografando, filmando... gente com tripé e reflex fazendo fotos profissionais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gente aproveitando para vender livros sobre histórias de penitenciária. Dráusio Varella e seu "Estação Carandiru" era o mais citado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pavilhão nove, pavilhão nove, eu queria ver o pavilhão nove, todos queriam ver o palco da carnificina, mas ele estava interditado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No pavilhão dois, pudemos ver algumas das coisas curiosas que os carcereiros haviam dito. Cada pavilhão tinham suas “capelas”, que eram salas comuns reservadas para cultos religiosos, sempre uma para os católicos, outra para os evangélicos e outra para a umbanda. No pátio central do pavilhão dois, uma exposição de arte carcerária: uma série de dezenas de portas de cela com diversas gravuras. Como não poderia deixar de ser, o futebol era tema de muitas das pinturas. Assim, o Corínthians apareceu na maioria das portas, em seguida o São Paulo. O Santos em algumas, mas... eu e outra moça com quem conversava rodamos em meio a todas as portas, e o Palmeiras não apareceu. Ao que tudo indica, os marginais que lá viveram pouco ou nada se identificavam com o Palmeiras. Aliás, a que mais me chamou a atenção foi uma delas na qual a “Morte”, tradicional caveira de manto e capuz negro aparecia empunhando uma metralhadora, em cuja coronha aparecia escrito como se fosse a grife da arma em letras garrafais: CORINTHIANS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“FIFA - Federação Internacional de Futebol Amador” (sic), exibia um dos afrescos. E novamente a placa "Jesus Salva". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Algumas peças de artesanato e telas toscas pintadas pelos detentos estavam expostas... uma exposição de fotos cujo tema era tatuagens... uma exposição de “maricas”, aquelas pequenas piteiras usadas para se aproveitar até a última cinza das bitucas dos baseados (cigarros de maconha). Celulares apreendidos, desde modelos mais recentes, até os "tijolões" dos primórdios da telefonia celular analógica no Brasil. Fermento feito de pão podre. Tampões para disfarçar entrada de túneis de fuga, "Nêga Maluca", aquela tosca aguardente feita artesanalmente à base de fermentação de casca de laranja e alcoól de limpeza, ou mesmo alcoól de perfumes e desodorantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma capela da "Assembléia de Deus" sinalizada com uma placa entalhada em letras góticas bem trabalhadas apresentava altar com alfaias, bateria e guitarra elétrica, modelo clássico de templo pentecostalista dos anos 70. Uma exposição de cutelaria improvisada: estiletes, facas, baionetas, espadas com mais de um metro de comprimento, lanças, um machado de dupla face. Não podia faltar a "teresa", corda improvisada de lençóis, e a "gambiarra", resistência de chuveiro com fios que se ligavam a tomadas e lâmpadas com o objetivo de se aquecer água para café nas celas. Panela de fundo falso, sabão esculpido, truques para esconder celulares, armas e drogas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saindo deste pavilhão no qual funcionou somente tal exposição naquele museu tão rústico quanto as peças lá expostas, fui para o pavilhão cinco depois que um funcionário passou avisando que ele acabara de ser aberto à visitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visitantes sejam bem-vindos (sic) dizia um grande letreiro pintado pelos presos no muro do pátio principal. Mostrava também: “O Brasil para Cristo”, uma das principais seitas pentecostalistas brasileiras, com um grosseiro mapa do Brasil, porém com um excelente jogo de cores em resplendor dourado, no afresco sob o portal de entrada do pavilhão.&lt;br /&gt;Na porta, uma tremenda duma placa como marco de inauguração do pavilhão, 1965, evocando o governador Carvalho Pinto, então secretário de obras do governador Abreu Sodré, se não me falha a memória. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Corredor estreito, bem estreito. Entrava-se em grupos e a entrada no interior das celas estava liberada. Tudo muito tosco, muito escuro, sem ventilação e iluminação, muito frio. Confesso que senti um arrepio ao entrar numa cela... não repeti a façanha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como a água devia estar cortada há dias, emanava um cheiro horrível de esgoto seco das celas, aparelhadas com arcaicas latrinas, aquelas em que se defeca de cócoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portas pesadas e estreitas. As pessoas que circulavam precisaram abrir espaço para um deficiente que por lá passou com sua cadeira de rodas, passando com diferença de poucos milimetros de cada lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, retirei-me apressadamente, pois tudo aquilo já estava me cansando, e remontava a quase duas horas de visita. Me detive para mais umas fotos externas naquele vestíbulo, ou melhor, antepátio, o "hall" ao qual me referi no início... última olhada, e queria sair rápido dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pátio que circundava o pavilhão um senhor puxou conversa comigo: “É triste isso né?!... é muito triste pra uma pessoa ter vivido aqui”. Respondi: “Pois é senhor. Veja: a maior parte de quem veio ver isso é formada pela juventude. É bom que eles vejam isso para pensarem antes de fazer alguma coisa que os faça viver aqui. Acho que quem conheceu isso devia preferir ir para o inferno do que viver aqui”. E ele responde, um pouco atrapalhado: “É, é bom que os “mais moço” queira ir pro inferno do que viver aqui, pra não fazê besteira na vida”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na porta, véspera de eleições, cabos eleitorais aproveitavam o movimento para distribuir santinhos de seus candidatos, em especial de candidatos que alegavam ter feito pressão sobre o governo pelo fechamento da Casa de Detenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente, luz do sol, avenida Cruzeiro do Sul, novamente liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Escroto”, mal gosto, fascínio, bizarro, histórico, macabro, demoníaco, lendário, horrível, fedido... os adjetivos para aquele lugar são vários. Mas fato é que esta experiência fascina tanto que lá haviam excursões escolares. Carandiru Superstar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Douglas Gregorio::&lt;br /&gt;Primavera de 2002.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9098027-110010012735727956?l=oescaravelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oescaravelho.blogspot.com/feeds/110010012735727956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9098027&amp;postID=110010012735727956&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110010012735727956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9098027/posts/default/110010012735727956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oescaravelho.blogspot.com/2004/02/carandiru-superstar.html' title='Carandiru Superstar'/><author><name>Douglas Gregorio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15744779452532370892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8TiQWJ5u4MQ/SYedr75gZcI/AAAAAAAAACo/jfpEfLmbtXc/S220/Close0704.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
